Paris-2026: Renault E-Space Concept
Herdeiro espiritual (e conceptual) do Renault Espace original, de 1984, o E-Space Concept volta a situar a marca francesa no universo dos monovolumes, com o protótipo apresentado no Salão Automóvel de Paris (12 a 18 de outubro) a demonstrar como poderá ser a abordagem moderna a um segmento que parece revitalizar-se aos poucos.
Concebido sob o ideal de “espaço para a vida”, o E-Space Concept volta a situar os monovolumes na órbita do universo Renault. Embora seja um protótipo, a marca indica que este automóvel 100% elétrico promove o regresso aos conceitos de funcionalidade e conforto, sendo pensado com um interior modular em alternativa aos SUV e berlinas convencionais.
Acima de tudo, é também uma homenagem ao Espace original, lançado em 1984. A Renault adianta que o E-Space Concept é uma abordagem contemporânea às características de “design” típicas de um monovolume. Neste caso, a prioridade passou pela conceção a partir do interior para o exterior, dando primazia ao conforto a bordo, enquanto a carroçaria apresenta superfícies vidradas amplas nas laterais e no teto, com o intuito de “inundar” o habitáculo de luz.
A Renault define-o como uma “voiture à vivre”, estando em sintonia com os valores atuais da marca – automóveis centrados nas pessoas, inspirando emoção, e com tecnologias úteis sustentadas pela eletrificação.
Linhas simples
O E-Space Concept caracteriza-se por formas limpas e proporções generosas: 4,70 m de comprimento, 2,02 m de largura e 1,67 m de altura, demarcando-se ainda pelas extremidades curtas da carroçaria (posicionando assim as rodas de 23 polegadas nos quatro cantos da carroçaria). Visualmente, estreia assinaturas luminosas na dianteira e na traseira. Como uma linha de luz, um feixe em “U” envolve toda a grelha, situando-se no centro um logótipo iluminado “flutuante”.

Contrariamente a muitas tendências modernas ditadas pelos SUV, a linha de cintura baixa permite trazer mais luz para o interior. O para-brisas estende-se a partir do capot, referência ao ADN dos monovolumes e, em particular, ao perfil tipo TGV do primeiro Espace, de 1984. O lábio do para-choques é móvel e pode ser baixado em velocidades de autoestrada para otimizar a aerodinâmica, aspeto em que intervém ainda o “spoiler” superior traseiro.
Para reduzir o volume quando visto de lado, uma “prancha” preta sugere a presença dos sistemas técnicos (como a bateria) e uma série de características aerodinâmicas, com este acabamento mais escuro a fazer eco, também, da ampla proteção lateral cinzenta do primeiro Espace.
Habitáculo para viver
Colocando a luz natural no centro do projeto, os engenheiros da marca começaram por criar uma habitáculo totalmente envidraçado, inspirando-se na arquitetura Bauhaus e, em particular, na obra de Ludwig Mies van der Rohe (Farnsworth House, Plano, Illinois, 1951). Neste sentido, o teto de vidro e as janelas laterais estendem-se para baixo da linha de cintura, entrosando-se com os painéis da carroçaria sem criar uma fronteira visual clara entre as duas superfícies. Igualmente relevante, o pilar traseiro tem efeito “flutuante”.
O acesso ao habitáculo faz-se através de portas duplas com dobradiças traseiras, sem pilar central, criando uma ideia de grande amplitude. O E-Space Concept conta com seis bancos individuais (2+2+2), inspirados no conforto do “design” de interiores, com estruturas lacadas que evocam o estilo de Pierre Paulin. Uma vez mais, a ideia principal passa pela ligeireza e sensação “flutuante”, sobre o piso plano. De acordo com a Renault, o desenho dos bancos é simultaneamente modular: idênticos em tamanho e formato, os bancos rodam ligeiramente em torno do seu eixo, embora com distinções consoante as filas.

Os dois bancos da segunda fila rodam 180° para formar um “quadrado como no TGV” com a última fila. Na posição padrão, virados para a frente, os passageiros da segunda fila têm acesso a mesas rebatíveis com ecrã de 12,3 polegadas nos encostos dos bancos da primeira fila. Na configuração de quatro lugares, os dois bancos da segunda fila rebatem-se completamente para formar uma grande mesa à disposição dos passageiros da terceira fila. Nesta configuração, estes também podem ver os ecrãs nos encostos dos bancos da primeira fila.
A mesa pode ainda incluir uma consola de controlo remoto que desliza ao longo da coluna central do habitáculo. Inclui purificador de ar, frigorífico compacto, comandos de videojogos e um jogo convencional “Connect 4”.
O desenho dos puxadores das portas são estofados em tecido acolchoado, enquanto os apoios de braços são eliminados, com os passageiros “convidados” a apoiarem os cotovelos diretamente no “parapeito da janela”, dada a linha de cintura baixa. Além da luminosidade natural, o E-Space Concept beneficia ainda de ambiente com tonalidades suaves e de luzes noturnas integradas nos altifalantes.

Tecnologia confiante
Tecnologicamente, apresenta um ecrã que se estende por toda a largura do habitáculo (1130 x 110 mm). Denominado OpenR Panorama, este ecrã curvo, que vai “de pilar a pilar”, estará presente nos próximos modelos da gama executiva da Renault, a começar pelos Rafale e Scenic da próxima geração.
Substituindo o painel de instrumentos convencional, o OpenR Panorama não foi concebido para ser tátil e aparenta estar suspenso no habitáculo, o que tem como vantagem a oferta de mais espaço no interior. Os controlos táteis para as funções do OpenR Panorama encontram-se em dois ecrãs flexíveis que giram em torno de uma base tubular na qual está posicionado o volante, de dimensões compactas para facilitar a visualização do ecrã panorâmico. Este protótipo conta ainda com tecnologia “steer-by-wire”, ou seja, sem ligações mecânicas entre o volante e as rodas.

Outro atributo relevante do interior é a cor, surgindo aqui tonalidades fortes como o vermelho, roxo e até granada. Esses interagem com componentes e comandos concebidos, maioritariamente, em metal, com acabamento de alta qualidade inspirado na joalharia.
Não menos relevante é a aposta da Renault nos materiais reciclados, com o E-Space Concept a ser visto como um exercício voltado para o futuro na utilização de materiais de base biológica, renováveis e visualmente apelativos. Um bom exemplo disso são os acabamentos do habitáculo em palha tingida, aplicada diretamente sobre a estrutura de suporte.





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