UE adia votação sobre FSD da Tesla
A União Europeia (UE) adiou a votação sobre a autorização de utilização do sistema Full Self-Driving Supervised (FSD) da Tesla em todos os estados-membros. Esta decisão é conhecida poucos dias depois da divulgação dos resultados de testes realizados na Bélgica que levanram novas dúvidas sobre o o desempenho da tecnologia, nomeadamente por violações de limites de velocidade e tentativas de ultrapassagem a ciclistas em locais onde as manobras eram proibidas. A próxima oportunidade para uma decisão encontra-se prevista só para dezembro.

Esta votação poderia realizar-se já em outubro, mas deixou de constar da agenda do Comité Técnico de Veículos a Motor (TCMV), órgão que reúne representantes dos estados-membros e da Comissão Europeia (CE). Na reunião marcada para o próximo dia 6 haverá apenas uma continuação das discussões sobre o pedido apresentado pelos Países Baixos, com 25 minutos reservados ao tema.
A Tesla, anteriormente, tinha indicado que uma votação poderia acontecer nessa data. Como a reunião seguinte do TCMV está marcada para dezembro, esse mês surge agora como a primeira oportunidade conhecida para uma decisão, embora não exista ainda confirmação de que a nova votação seja incluída nessa agenda.
Testes na Bélgica deixaram dúvidas
O adiamento ocorre poucos dias depois da divulgação de um estudo independente realizado pela Johanna.be, associação belga dedicada à segurança de peões e ciclistas. Durante três dias de testes e cerca de 400 km percorridos, o FSD Supervised da marca norte-americana apresentou problemas sobretudo em zonas de velocidade reduzida, como E-AUTO noticiou após a divulgação do relatório.

Na região de Bruxelas, o sistema excedeu o limite legal em 55% dos troços de 30 km/h analisados. Nos casos em que circulou acima do permitido, a velocidade média registada foi de 44 km/h. Os ensaios documentaram ainda situações em que o sistema tentou ultrapassar ciclistas em ruas onde a manobra era proibida.
Os resultados não significam que o sistema tenha perdido as autorizações já obtidas nalguns países, mas acrescentam pressão ao debate regulatório europeu.
A Suécia já tinha manifestado reservas sobre a adoção da tecnologia. Em junho, a autoridade de transportes sueca recomendou oposição à aprovação europeia enquanto a Tesla não impedisse o FSD de ultrapassar os limites legais de velocidade.

Países Baixos abriram caminho
O processo europeu ganhou mais forma em abril, quando a autoridade neerlandesa RDW concedeu uma aprovação ao FSD Supervised com validade apenas nos Países Baixos. Outros países seguiram depois a mesma via, mas a utilização generalizada em toda a UE necessita de uma decisão conjunta dos estados-membros.
Antes dessa autorização, a RDW submeteu o sistema a mais de 3000 horas de ensaios, realizou mais de 1000 testes próprios e analisou dados correspondentes a 1,8 milhões de quilómetros percorridos na Europa. O organismo concluiu que o FSD Supervised cumpria os requisitos aplicáveis
A autoridade neerlandesa salienta, contudo, um ponto fundamental: apesar da designação Full Self-Driving, o sistema não transforma o Tesla num automóvel autónomo. Trata-se de uma assistência avançada à condução sob supervisão permanente, continuando o condutor responsável pelo automóvel e obrigado a estar preparado para intervir.

Necessária maioria qualificada
Para que a autorização seja válida em todos os 27 países da UE, a proposta necessita do apoio de uma maioria qualificada: isto é, votos favoráveis de pelo menos 15 estados-membros, representando 65% da população da UE.
A Tesla atribui importância crescente ao FSD na estratégia para a Europa. A marca fabricante norte-americana considera que uma aprovação em toda a UE poderá contribuir para reforçar a atratividade dos seus automóveis elétricos num mercado em que enfrenta uma concorrência crescente, incluindo de fabricantes chineses.
De acordo com dados da própria Tesla, em cinco países europeus, a utilização do FSD Supervised permitiu o registo de menos colisões do que nos automóveis da marca conduzidos manualmente. Esses números são contestados por especialistas, pelo que não encerraram o debate sobre a segurança do sistema.







Comentários