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Volkswagen elimina até 100.000 empregos

Atualizado: há 2 horas

O plano aprovado esta quinta-feira pelo Conselho de Supervisão do Grupo Volkswagen prevê uma redução potencial de cerca de 100.000 postos de trabalho, corta para metade o número de automóveis nas gamas das diversas marcas do consórcio e coloca quatro fábricas alemãs sob avaliação. A Autoeuropa de Palmela, unidade com peso determinante nas exportações portugueses, não está diretamente ameaçada e prepara-se para o arranque da produção de um novo citadino elétrico (2027).



O Conselho de Supervisão do Grupo Volkswagen aprovou por unanimidade o Future Plan 2030, uma profunda reestruturação que poderá resultar numa redução do efetivo equivalente a cerca de 100.000 postos de trabalho, numa diminuição de aproximadamente 50% do número de automóveis e numa estrutura industrial muito mais pequena na Europa.


Cerca de 50.000 desses postos correspondem a reduções já acordadas na Alemanha, nas divisões Volkswagen, Audi, Porsche e CARIAD, com horizonte até 2030. Segundo Oliver Blume, administrador-delegado do Grupo Volkswagen, já existem cerca de 37.000 acordos de saída assinados, recorrendo sobretudo a reformas antecipadas e outras medidas voluntárias.



Os 50.000 adicionais decididos esta quinta-feira têm um estatuto diferente. O Grupo Volkswagen não definiu ainda um calendário nem a sua distribuição por marcas, empresas ou países. O número funciona como uma referência para a dimensão da redução de custos necessária para alcançar os objetivos financeiros estabelecidos, e não como uma meta rígida de despedimentos.


Quatro fábricas alemãs sob avaliação

O Grupo Volkswagen reconhece o excesso de capacidade produtiva na Europa, apresentando-o como superior a 500.000 automóveis por ano. Quatro unidades na Alemanha – Emden, Hannover e Zwickau, da Volkswagen, e Neckarsulm, da Audi –, encontram-se na situação mais delicada, por não terem assegurada produção futura suficientemente competitiva quando terminarem os programas existentes, entre 2031 e 2034.



Não foi, contudo, decidido o encerramento de qualquer fábrica. Atualmente, estão a ser estudadas utilizações alternativas para as quatro infraestruturas, num processo que deverá definir uma estrutura industrial europeia mais competitiva.

Também não existem indicações de que alguma das marcas do grupo esteja em risco. O portefólio de participações e negócios será, porém, revisto, admitindo-se, todavia, a venda ou a reorganização de atividades consideradas não estratégicas.


E, até 2035, o Grupo Volkswagen pretende reduzir em cerca de 50% o número de automóveis no catálogo, concentrando volumes e investimentos em menos produtos, plataformas e tecnologias!



Autoeuropa prepara novo elétrico

Este megaprocesso de reestruturação não coloca em causa a atividade da Volkswagen Autoeuropa, pelo menos diretamente. A fábrica portuguesa prepara-se mesmo para a produção de novo automóvel em 2027. Trata-se do citadino 100% elétrico antecipado pelo estudo ID. EVERY1. Este modelo será fabricado em Portugal juntamente com o T-Roc.


O Future Plan 2030 pretende criar um Grupo Volkswagen capaz de vender cerca de nove milhões de automóveis por ano com uma margem operacional de 9% em 2030. No segundo trimestre de 2026, essa margem foi de 4,2%. Apesar da redução de custos, o grupo prevê 135 mil milhões de euros de investimento e despesas de investigação e desenvolvimento entre 2027 e 2031, mantendo a aposta na eletrificação, baterias, “software” e novos produtos.

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