Zeekr 7GT Privilège AWD
A Salvador Caetano Auto tem nova marca chinesa no portefólio. Trata-se da Zeekr. É propriedade do consórcio Geely, foi criada apenas em 2021, tem só automóveis com motorizações elétricas e apresenta-se com um posicionamento “premium”, como Audi, BMW ou Mercedes-Benz. Ambição a mais? Exame ao 7GT, na versão de topo Privilège AWD com 646 cv.
A Zeekr não é a primeira marca “premium” chinesa representada em Portugal pela Salvador Caetano Auto (a XPENG apresenta-se com posicionamento semelhante), nem o primeiro fabricante com origem no país asiático que pretende confrontar-se com os fabricantes europeus de referência nos domínios do luxo e da sofisticação para as massas, que são todos alemães – leia-se Audi, BMW e Mercedes-Benz. No entanto, de forma assumida, propõe-se confrontá-los em território que dominam, ambição e determinação que surpreendem.
O arranque da marca em Portugal coincide com a introdução de um carro novo: o 7GT. Neste automóvel com formato do tipo carrinha e, na especificação Privilege AWD, motores nos dois eixos, arquitetura que garante tração integral, e bateria com 100 kWh de capacidade. Preço: 61.950 €. Para este topo de gama, a Zeekr anuncia 558 km de autonomia e 3,3 s no arranque 0-100 km/h. Na gama, em alternativa, existe a versão Long Range com motor que aciona apenas as rodas traseiras. É proposta por 55.450 € e tem 421 cv. A autonomia aumenta (655 km), o poder de aceleração diminui (0-100 km/h em 5,3 s).
Mas, muito mais do que os números, atrativos, importam o desempenho e as qualidades do modelo. Existem mais perguntas à espera de resposta, nomeadamente se a nova marca chinesa satisfaz as expectativas dos europeus, consumidores com maiores padrões de exigência, sobretudo no que respeita a automóveis “premium”.
A Zeekr é propriedade da Geely, companhia que também detém Lotus, Polestar ou Volvo, entre outros fabricantes, mas diferencia-se suficientemente da maioria das marcas chinesas. Os automóveis são desenhados em Gotemburgo, na Suécia, e o processo de desenvolvimento divide-se entre a Escandinávia, a Alemanha e o Reino Unido. A produção, em contrapartida, realiza-se em Hangzhou, na China. Assim, o 7GT é desenhado e desenvolvido na Europa, mas fabricado na Ásia, o que permite aproveitar os custos industriais mais baixos no país de origem. A fórmula aplica-se a todos os Zeekr.

O 7GT apresenta-se no mercado com equipamento abundante, potências (quase) desmedidas e preços abaixo da concorrência, combinação de características que talvez atraia clientes num mercado em que a compra de um carro chinês é considerada apenas depois de descartada a possibilidade alemã.
Dois níveis de potência, tração traseira ou integral
A gama do 7GT apresenta-se simplificada, uma vez que quase não existem extras, o que contrasta com a norma entre Audi, BMW e Mercedes-Benz, e o potencial de personalização também é limitado. No catálogo, existem apenas duas versões, com 421 cv e tração traseira ou 646 cv e quatro rodas motrizes. Ambas contam com bateria do tipo NMC com 100 kWh de capacidade e arquitetura de 800 V que beneficia a rapidez de carregamento: até 480 kW em corrente contínua (CC). Teoricamente, em 16 minutos, recupera-se a energia armazenada no acumulador de 10% para 80%. No nosso país, encontramos poucas infraestruturas com este nível de potência, mas os responsáveis da marca chinesa garantem que a velocidade da operação é idêntica num posto que disponibilize apenas 300 kW, o que não pudemos confirmar neste primeiro contacto dinâmico. Logo, ponto a confirmar…
De série, carregador de 22 kW em corrente alternada. Trata-se de equipamento muito bem-vindo, por permitir recuperar a energia na bateria de 10% para 100% em 5h30. O sistema, opcionalmente, também dispõe de um adaptador V2L.
A primeira experiência de condução realizou-se sob temperaturas elevadas e num percurso com cerca de 220 km de extensão que combinou autoestradas, estradas sinuosas e ambientes urbanos. No fim, registou-se um consumo médio de 21,9 kWh/100 km. Na categoria, existem automóveis (alemães!) que têm baterias com menos capacidade e fazem mais quilómetros entre recargas… No confronto com o novo Mercedes-Benz CLA, por exemplo, o modelo da Zeekr é penalizado pela aerodinâmica menos otimizada e pelo nível de potência.

O 7GT é o automóvel mais potente da Zeekr, mas também não tem um chassis tão bom como as propostas mais desportivas da categoria. E a dinâmica não está entre as qualidades mais destacadas do novo automóvel. O Polestar 4 assenta na mesma base, a plataforma SEA, e comporta-se melhor sempre que “esmagamos” o pedal do acelerador. A direção é leve e o conforto de rolamento sobrepõe-se à precisão na condução. O modo Desportivo melhora o desempenho, sim, mas não altera substancialmente as características de um carro que precisava, por exemplo, de um programa de vectorização do binário capaz de capitalizar os 710 Nm – o motor traseiro (421 cv) é muito mais potente do que o dianteiro (224 cv). Felizmente, a eletrónica vigilante limita o débito de potência.
A versão Privilege com quatro rodas motrizes tem suspensão com amortecimento pneumático. O sistema, até aos 67 km/h, aumenta a distância ao solo entre 20 e 35 mm e, acima dos 95 km/h, diminui-a entre 10 e 20 mm. Este dispositivo digere bem as irregularidades do piso, suavizando-as, independentemente dos pneus de 20’’. No entanto, aumentando o ritmo, sente-se a inércia provocada pelos 2.405 kg deste automóvel com 4,82 m de comprimento. Os vidros duplos contribuem para o silêncio no interior, que é perturbado constantemente pelos alertas associados à atuação dos assistentes eletrónicos à condução. Num carro “premium”, exige-se melhor. Pior: a maioria dos sistemas tem atuação intrusiva, o que prejudica o prazer de condução.
A Zeekr, importa dizê-lo, ouviu as críticas e prometeu uma atualização de “software”! A adaptação do funcionamento do sistema de recuperação de energia obriga-nos a navegar pelo monitor do sistema multimédia (existem dois níveis, com a função One Pedal que pára o carro de forma autónoma). Existem botões físicos de atalho (um no volante, outro por baixo do ecrã central) que permitem gerir o programa, é verdade, mas recomendava-se a adoção de patilhas no volante para regulação da intensidade deste sistema.

Proposta “premium” no conforto e na tecnologia
O Zeekr 7GT, comparado com os adversários europeus, não consegue convencer-nos plenamente. Em contrapartida, nos campos do conforto e da tecnologia, é um carro competente. A abertura das portas é elétrica, a instrumentação conta com um monitor de 13’’ e o ecrã (OLED) do sistema multimédia, posicionado no centro do painel de bordo, tem 15’’ e integra a generalidade dos comandos de funções e sistemas do automóvel. Existem, todavia, cinco botões físicos que resistiram à digitalização. Concentram-se sob este ecrã: fecho centralizado, altura de acesso à bagageira (com suspensão pneumática), volume do som, desembaciamento do para-brisas e uma função complementar selecionada no próprio ecrã. Também não há botão de arranque: toca-se no seletor da caixa e o carro entra em movimento.

A posição de condução não é muito diferente da que conhecemos da maioria dos automóveis chineses. Por isso, antes de arrancar, recomenda-se que configure as funções e os programas que pretende utilizar na viagem. E existem muitos menus. O sistema é compatível com Apple CarPlay e Android Auto, e existem duas bases para carregamento por indução de “smartphones” na consola. Estes dispositivos, no 7GT, podem também ser utilizados como chaves digitais e comandos à distância do sistema de estacionamento autónomo. No que respeita à apresentação, aos materiais ou à montagem, a Zeekr posiciona-se no segmento “premium”, mesmo apresentando alguns plásticos rígidos na parte inferior do habitáculo.

O 7GT tem 2,90 m de distância entre eixos, o que explica a habitabilidade generosa. Nos automóveis elétricos, o piso interior é plano, o que beneficia o passageiro sentado ao centro atrás. Todos os encostos reclinam eletricamente até 20° e os dois bancos laterais também contam com aquecimento. A bagageira tem 456 litros e existe um “frunk” com 32 litros sob o capot (65 litros na versão com tração traseira) para arrumação dos cabos de carregamento.
Numa marca tão jovem, a garantia é importante. No programa Zeekr Care, são oferecidos 10 anos ou 200.000 km. Na gama, existem ainda mais três automóveis: X (desde 37.000 €), 001 (60.950 €) e 7X (59.950 €). O primeiro tem 4,432 m de comprimento e versões com 272 cv, 340 cv e 496 cv; o segundo mede 4,905 m e é proposto com 272 cv e 544 cv; o terceiro, com 4,787 m, aproxima-se muito do 7GT e apresenta-se com 421 cv e 626 cv.







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