Alain Favey (Peugeot): “Não vencemos os chineses pelo preço!”
Alain Favey, administrador-delegado da Peugeot, na mais recente edição da série de conversas com representantes da comunicação sobre o presente e o futuro da marca francesa da Stellantis (Peugeot Talks), antecipou a participação do Mondial de l’Auto, certame a realizar de 12 a 18 de outubro, em Paris, França, e recordou a prioridade estratégica para o mercado europeu: posicionamento no topo entre os fabricantes generalistas, à frente de Toyota e Volkswagen. E o cumprimento bem-sucedido de missão tão ambiciosa depende de investimentos em quatro campos: desenho, equipamento, qualidade e tecnologia.

A Peugeot, marca sem novidades importantes na gama em 2026, prepara-se para 2027 movimentadíssimo, com Favey a confirmar os lançamentos quer da geração nova do 208, produzida só com motorizações elétricas, como de modelo que está a desenvolver com a parceria chinesa Dongfeng. Paralelamente, promete-se mais trabalho na reorganização de todos os processos de controlo de qualidade, com o objetivo, dizemo-lo nós, de eliminar de vez os “fantasmas dum passado não muito distante”.
Favey, confrontando com perguntas sobre o ritmo de crescimento dos fabricantes chineses na Europa – mês após mês, registam quotas de mercado, posicionando-se já acima dos 11%! –, garantiu que a Peugeot recusa participar numa “guerra de preços. A nossa estratégia passa pelo aumento da competitividade dos produtos, a melhoria da qualidade e a diferenciação da marca através da inovação técnica e tecnológica e do prazer de condução”.

Mais equipamento a partir do outono
«Não vamos derrotar os chineses pelo preço. Precisamos, sim, de dispor de níveis de equipamento mais competitivos», argumentou Favey. E, para o reforço do valor percebido dos automóveis da marca do leão, a Peugeot, sem abrir mão de política comercial que preserve a rentabilidade, prepara o programa “Recharge”, contou o diretor do fabricante.
A ideia por detrás do novo plano é o reforço do equipamento de todos os Peugeot, com a ambição de posicioná-los de forma mais competitiva, na comparação com os rivais. Assim, a partir do próximo mês, novas versões no catálogo identificadas pelo sufixo “Plus”, com conteúdos adicionais. Esta iniciativa, afirmou Alain Favey, pretende responder à evolução do mercado europeu, em especial ao aumento da expressão das marcas chinesas, que apostam na combinação de equipamentos e preços atrativos.

Democratização da inovação tecnológica
Para o diretor da Peugeot, a diferenciação tecnológica também é importante para o futuro da marca francesa. O novo 208, recordou, apresentar-se-á equipado com o sistema Hypersquare, que combina um comando de direção de formato (quase) retangular com uma tecnologia “steer-by-wire” (elimina a ligação mecânica entre o volante e as rodas). “O nosso papel, como uma marca generalista de referência, é democratizarmos a inovação, colocá-la à disposição de um público mais vasto. Dentro de 20 anos, a tecnologia encontrar-se-á em todos dos carros», antecipou.
A Peugeot, sabe-se, prepara geração nova do i-Cockpit (estreia no 208 de 2027…), equipamento apresentado como determinante para a promoção da identidade de marca que também pretende ver-se associada ao prazer de condução. Todavia, o futuro segmento B coexistirá na gama com o modelo em comercialização, já que a arquitetura desenvolvida para o subcompacto (STLA One) admite apenas motores elétricos.

205 Turbo 16 inspira protótipo do novo 208?
Favey recordou a abordagem flexível da Peugeot à eletrificação e argumentou que a tecnologia não deve ser imposta, nem existem condições para uma mudança de paradigma simultânea em todos os mercados. A nova geração do 208 produzir-se-á em Espanha, na unidade industrial da Stellantis em Saragoça.
Esta edição da Peugeot Talks antecedeu o primeiro contato dinâmico com o E-208 GTI, modelo que recupera designação com história. Alain Favey disse que a marca pretende combinar o património desportivo e as novas tecnologias para estimular a ligação emocional dos clientes aos automóveis – o novo carro elétrico de 281 cv é muito inspirado no 205 GTI de 1984.
Brevemente, no salão de Paris, apresentação de dois “concepts” que associam a herança desportiva e o prazer de condução à eletrificação. Alain Favey manteve o segredo, mas também deixou pistas: o diretor da Peugeot associou o lançamento de novo 208 em 2027 à história de sucesso da marca no Mundial de Ralis, com os 205 Turbo 16 campeões em 1984 e 1985. A Renault, recorda-se, prepara-se para a produção do R5 Turbo 3E (500 cv) em edição muito limitada.

Elétricos: 20% das vendas na Europa
Nesta Peugeot Talks, Favey também analisou os resultados comerciais durante os primeiros oito meses de 2026. A marca vendeu cerca de 685.000 carros no mundo e 541.000 na Europa, mercado onde tem uma quota de 5,2%. E os elétricos valem
já 20% das vendas na região, ou mais 32% do que período homólogo de 2025.
O diretor da Peugeot antecipa crescimento em 2027, devido à ofensiva de produto associada à eletrificação, à melhoria da qualidade e ao aumento do equipamento, independentemente da pressão cada vez maior da concorrência chinesa.







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