Ao volante do Skoda Epiq
A Skoda entra numa categoria determinante para a disseminação do automóvel elétrico na Europa. O Epiq responde às necessidades de quem procura um SUV compacto para o quotidiano e precisa de espaço para a família e autonomia para viajar. O SUV, com 4,171 m de comprimento, é só 70 mm mais compacto do que o Kamiq, a alternativa térmica na gama da marca checa. E os 2,601 m de distância entre eixos garantem-lhe habitabilidade impressionante para um modelo do segmento B, mesmo se a largura limitada desaconselha a utilização do banco traseiro por três adultos.

Entre os argumentos mais convincentes do Epiq está a capacidade da mala: 475 litros na configuração normal e 1345 litros com os encostos dos bancos traseiros rebatidos. Soma-se o compartimento dianteiro (“frunk”) com 25 litros, suficiente para arrumar os cabos de carregamento da bateria. No habitáculo, espaços e soluções inteligentes de arrumação, de acordo com a fórmula Simply Clever, que privilegia a funcionalidade.
O Epiq estreia num Skoda produzido em série o desenho Modern Solid antecipado pelo estudo Vision 7S de 2022. A frente combina a superfície Tech-Deck Face com faróis estreitos e assinatura luminosa em forma de “T”. As superfícies são simples e as proteções inferiores em plástico reforçam a identidade SUV. A marca checa anuncia um coeficiente aerodinâmico (Cx) de até 0,275, o que beneficia a eficiência energética e, consequentemente, a autonomia.
Uma nova arquitetura
O Epiq baseia-se na plataforma MEB+ de tração dianteira, arquitetura partilhada com todos os membros da nova família de automóveis elétricos compactos do Grupo Volkswagen: Cupra Raval, VW ID. Polo e VW ID. Cross. O posicionamento do motor na dianteira liberta espaço na traseira para a mala e a suspensão combina uma estrutura MacPherson à frente com um eixo de torção atrás, solução simples que baixa tanto os custos como o peso. Ao contrário do que acontece noutros automóveis elétricos do construtor alemão, este Skoda dispõe de travões de disco nas quatro rodas.
Existem três versões. Na 35 e na 40, baterias LFP de 38,5 kWh de capacidade nominal (37 kWh úteis), com potências de 85 kW/116 cv e 99 kW/135 cv, respetivamente. A autonomia homologada ronda os 310 km e o arranque 0-100 km/h demora 11 s na primeira e 9,8 s na segunda. O 55 que conduzimos tem bateria NMC de 55 kWh de capacidade nominal (52 kWh úteis) e motor de 155 kW/211 cv. Cumpre o arranque 0-100 km/h em 7,1 s, tem velocidade máxima limitada a 160 km/h e autonomia anunciada de até 440 km.

As diferenças entre versões estendem-se às potências do sistema de carregamento rápido: em corrente contínua, o 35 aceita o máximo de 50 kW e demora 33 minutos para recuperar a energia armazenada na bateria de 10% para 80%; o 40 admite 90 kW e realiza a operação em 23 minutos; por fim, o 55 suporta 105 kW e necessita de 24 minutos para o mesmo tipo de recarga. Todos os Epiq dispõem de carregadores de bordo de 11 kW. Existe ainda uma função de condução só com um pedal, o acelerador, que permite desacelerar e parar o automóvel através da ação do sistema de recuperação de energia.
Conduzimos a versão 55
Experimentámos um Epiq 55 Selection equipado com jantes de 19’’ num percurso por autoestradas e estradas secundárias, incluindo troços de montanha. Os 211 cv proporcionam acelerações e recuperações convincentes para um automóvel do segmento B e a resposta progressiva ao acelerador facilita a condução.
A direção apresenta-se bem calibrada e permite posicionar o SUV com facilidade em curva. O comportamento é sempre previsível e a estabilidade direcional convence. A suspensão combina conforto e capacidade de controlo dos movimentos da carroçaria nas transferências de massa, o que aumenta a precisão e a segurança. Sobre pisos mais degradados e com ressaltos, a capacidade de filtragem diminui e notam-se as limitações do eixo de torção. Para uma utilização familiar, é um automóvel equilibrado.
No final do percurso, o computador de bordo indicava um consumo médio de 15,6 kWh/100 km, o que corresponde, teoricamente, a cerca de 333 km de condução entre recargas da bateria.

Tecnologia e preços
O habitáculo combina instrumentação digital (5,3’’) com ecrã central (13’’) para o infoentretenimento, mas também dispõe de comandos físicos para as funções utilizadas com frequência, o que beneficia a ergonomia e merece aplauso. A organização do posto de condução é descomplicada, evitando adaptações demoradas. A posição sobrelevada e a visibilidade facilitam a utilização. Os plásticos rígidos nalgumas zonas do interior recordam-nos o posicionamento do modelo no segmento B, mas esta opção não compromete a perceção de qualidade associada à sensação de robustez na construção.
Entre os equipamentos de série ou opcionais encontram-se faróis Matrix LED, câmaras de visão periférica, parqueamento remoto e sistema Travel Assist. Os programas Crossroad Assist e Emergency Assist 3.6 reforçam a segurança, o primeiro em cruzamentos, o segundo perante uma eventual incapacidade inesperada do condutor.
Em Portugal, o Epiq 55 custa 34.928 € na versão Move e 37.158 € na Selection. As versões mais acessíveis não estão disponíveis de imediato, mas já têm preços: Epiq 35 Go por 28.825 € e Epiq 40 por 29.925 € na versão Move e 32.435 € na Selection.







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