BYD prepara citadino elétrico para a Europa
- José Caetano

- há 46 minutos
- 4 min de leitura
A BYD prepara novo automóvel elétrico de pequenas dimensões (segmento A) para a Europa, recorrendo à tecnologia X-Pack estreada no Racco, «kei car» apresentado recentemente no Japão. O objetivo é entrar numa categoria em crescimento rápido e na qual um em cada três carros vendidos entre janeiro e julho não tinha motor de combustão interna. A marca chinesa pondera produzir o modelo na nova fábrica de Szeged, na Hungria, tal como acontecerá com o Dolphin Surf, subcompacto elétrico concorrente no segmento B.

O novo modelo, ainda mais pequeno e acessível do que o Dolphin Surf, recorre à tecnologia na base do projeto desenvolvida para responder às limitações muito exigentes dos “kei cars” – máximo de 3,40 m de comprimento, 1,48 m de largura e 2 m de altura, dimensões que tornam difícil a arrumação de bateria, motor, eletrónica de potência e estruturas de segurança sem comprometer o espaço disponível para os passageiros.
Ao contrário das arquiteturas convencionais, em que vários componentes eletrónicos estão instalados no compartimento dianteiro, o X-Pack integra no próprio conjunto da bateria diferentes elementos do sistema elétrico, incluindo os inversores responsáveis pela conversão de tensão. O pacote é instalado sob o piso do automóvel, libertando espaço noutras zonas da carroçaria e permitindo melhorar o aproveitamento do habitáculo.
Segundo a publicação nipónica “Nikkei”, esta solução permitiu à BYD ultrapassar dois dos desafios colocados pelo desenvolvimento do Racco, carro com estreia no mercado japonês confirmada para 2027: maximizar o espaço interior e assegurar os níveis de segurança necessários num automóvel com dimensões tão reduzidas. É esta tecnologia que o construtor chinês pretende propor no elétrico para o mercado europeu.
A estratégia permite rentabilizar o investimento realizado no desenvolvimento do Racco numa altura em que a enorme concorrência existente no mercado chinês faz com que a BYD aposte mais na expansão internacional.

Racco mede apenas 3,395 metros
O BYD Racco constitui uma proposta interessante para perceber aquilo que a marca chinesa pretende transportar para o futuro modelo europeu. Com formato de minimonovolume, este automóvel mede apenas 3,395 m de comprimento e apresenta uma generosa distância entre eixos de 2,520 m, procurando aproveitar ao máximo as dimensões permitidas pela regulamentação japonesa dos “kei cars”.
O motor elétrico desenvolve 64 cv (47 kW), precisamente o limite de potência estabelecido para esta categoria no Japão, e transmite a potência às rodas dianteiras através de uma transmissão de uma velocidade. Existem duas baterias LFP (fosfato de ferro-lítio). A versão de entrada utiliza uma unidade com 22,4 kWh de capacidade, para a qual a BYD anuncia até 210 km de autonomia, enquanto a variante de maior alcance dispõe de 35,8 kWh de capacidade, o que eleva a autonomia para até 320 km. O carregamento do Racco pode ser efetuado a uma potência máxima de 6 kW em corrente alternada (AC) e 49 kW em corrente contínua (DC).

Pequenos elétricos crescem 75% na Europa
A aposta da BYD surge num momento muito favorável para os automóveis elétricos mais pequenos. De acordo com dados da consultora Dataforce, entre janeiro e julho, foram vendidos na Europa 318.344 automóveis do segmento A, mais 12% do que no mesmo período de 2025.
No entanto, o crescimento dos concorrentes no segmento A com motorizações elétricas foi muito superior: aumentaram 75%, comparativamente ao período homólogo do ano passado, para 102.295 unidades, o que significa que quase um em cada três minicarros vendidos na Europa já é elétrico.
E a categoria é dominada, precisamente, por fabricantes não europeus. O Leapmotor T03, produzido na China e comercializado na região pela marca parceira do consórcio Stellantis, liderou entre os elétricos, com 35.348 unidades, ocupando, simultaneamente, o quarto lugar absoluto do segmento. Seguiu-se o Hyundai Inster, modelo produzido na Coreia do Sul, com 22.902 unidades, enquanto o Dacia Spring, que também é fabricado na China, registou 19.147 unidades. O primeiro elétrico de origem europeia foi o novo Renault Twingo E-Tech, com 14.059 unidades vendidas desde a chegada ao mercado, em março.

Panda ainda lidera entre todos os minicarros
Apesar do rápido crescimento dos elétricos, os modelos com motor de combustão interna continuam a dominar o segmento em termos absolutos.
O Fiat Panda liderou o mercado europeu entre janeiro e julho, com 81.956 unidades, seguido pelo Toyota Aygo X, com 66.793, e pelo Kia Picanto, com 37.659. Atualmente, nenhum destes três modelos dispõe de uma versão 100% elétrica. É precisamente nesse espaço que a BYD pretende posicionar o seu futuro modelo.
Segundo a notícia do “Nikkei”, a BYD pretende fabricar o modelo equipado com a tecnologia X-Pack numa unidade europeia, solução que permitiria beneficiar dos incentivos comunitários destinados aos pequenos elétricos produzidos na União Europeia (EU) e, simultaneamente, evitar os direitos aduaneiros aplicados aos elétricos importados. A localização mais provável é a nova fábrica em Szeged, na Hungria, a primeira unidade europeia da marca chinesa destinada à produção de ligeiros de passageiros.

A fábrica deverá iniciar a produção no quarto trimestre do ano. Até ao momento, a BYD confirmou apenas o Dolphin Surf e o Atto 2 como os automóveis e fabricar na nova unidade. O primeiro posiciona-se na base da gama da marca, mede 3,990 m de comprimento e 2,500 m entre eixos, tem motor de 88 cv (65 kW) alimentado por bateria de 43,2 kWh de capacidade, percorre até 322 km entre recargas e, em Portugal, está à venda a partir de 23.495 €
A UE está, recordamo-lo, a preparar condições específicas para estimular o desenvolvimento e produção local de automóveis elétricos acessíveis e pequenos, através de nova categoria. Entre os critérios previstos encontra-se um comprimento máximo de 4,20 metros, juntamente com requisitos relacionados com a produção na região tanto dos veículos, como das respetivas baterias.






.png)
Comentários