Europa “tem de defender-se da China”
- Pedro Junceiro

- 7 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
O comissário europeu Stéphane Séjourné, que tem o pelouro Prosperidade e Estratégia Industrial, defende a necessidade de a indústria automóvel do continente continuar a defender-se de todas as “ameaças” chinesas e norte-americanas, afirmando mesmo que a União Europa (UE) é “ingénua” por manter a proibição da venda de carros equipados com motores de combustão interna a partir de 2035.

O alerta do francês membro da Comissão Europeia (CE) encontra-se em entrevista ao jornal italiano “La Stampa”. Segundo o mesmo responsável político, a UE tem de repensar as metas estratégicas. A entrada em cena de muitos de fabricantes novos, principalmente da China, compromete o futuro dos construtores europeus e, também, milhões de postos de trabalho diretos e indiretos associados a esta indústria.
Séjourné diz que a UE tem de ajudar a indústria automóvel a defender-se da concorrência chinesa e antecipa cenário pouco positivo, se nada for feito. “Dentro de 10 anos, o número de carros feitos na Europa não excederá os nove milhões, “contra” os 13 atuais. Devemos demonstrar flexibilidade nas nossas metas de proibirmos a venda de motores de combustão interna em 2035”, diz. Segundo este francês, a Europa “é o único continente sem pensamento estratégico na política industrial”.

Dilema europeu
Palavras particularmente duras que vão ao encontro dos desejos de alguns fabricantes de automóveis e estados europeus, que já pediram a revisão das metas de emissões poluentes e, sobretudo, a da proibição do comércio de automóveis novos com motores térmicos a partir de 2035. Porém, mesmo dentro da UE, esta posição não é consensual, com países como a Espanha e a França contra qualquer tipo de marcha-atrás no plano, devido aos investimentos já efetuados no processo de eletrificação. Já Alemanha e Itália, por exemplo, apoiam o adiamento da medida.
No meio deste dilema, a UE deverá rever objetivos ainda este ano, tendo em conta, sobretudo, o posicionamento dos fabricantes europeus, que não têm conseguido atrair número suficiente de clientes para a eletrificação. Os preços elevados dos carros elétricos e a dificuldade da instalação de pontos de carregamento das baterias também são obstáculos à massificação da tecnologia.
Este cenário poderá mudar com a introdução de categoria nova, de carros elétricos pequenos e mais acessíveis, cujos termos poderão ser definidos até 10 de dezembro. Ainda assim, a ameaça chinesa, com muitos fabricantes do país asiático a instalarem unidades de produção na Europa, manter-se-á. E. neste ponto, Séjourné também não é otimista: “Atualmente, existem construtores que montam carros chineses na Europa com componentes e funcionários chineses: acontece em Espanha e na Hungria, por exemplo. Isto não é aceitável”, conclui.







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