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Fórmula E em Londres: Wehrlein campeão

O ponto final na Época 12 da Fórmula E, com a segunda corrida do fim de semana do campeonato de monolugares elétricos no ExCel de Londres, num circuito com 2,077 km e 20 curvas semicoberto e com largura muito reduzida e pisos diferentes nas zonas exterior e interior, antecipava-se caótico. As expectativas confirmaram-se… Após 35 voltas, que acabaram com a primeira vitória na categoria do britânico Taylor Barnard, da DS Penske, à frente dos Mahindra do neerlandês Nyck de Vries e do suíço Edoardo Mortara, o alemão Pascal Wehrlein, da Porsche, garantiu o título de pilotos e a Jaguar sagrou-se campeã de equipas, com contribuição muito direta do português António Félix da Costa, que terminou a temporada na sexta posição.



Depois de qualificação com resultado surpreendente (pela primeira vez na história da categoria, dois monolugares da indiana Mahindra na final da sessão e, por isso, posicionados na primeira linha da grelha de corrida), o ePrix teve início frenético e Félix da Costa como protagonista. O piloto português, nono à partida, recorreu ao primeiro Attack Mode muito rapidamente, para beneficiar dos 350 kW e das quatro rodas motrizes em vez dos 300 kW e da tração traseira. Esta ação posicionou-o no “top-3”, à frente de Wehrlein.



Cumprido este objetivo, e sempre dentro dos limites regulamentares, o português iniciou corrida defensiva notável, conseguindo, simultaneamente, tapar o alemão e permitir a aproximação do parceiro de equipa, Mitch Evans, que também tinha o título de pilotos debaixo de olho. Na volta 32, caos no ExCel, com Pascal Wehrlein a envolver-se em colisão com Joel Eriksson, da Envision Racing, e Jake Dennis, da Andretti. O segundo, britânico, também lutava pela vitória no Mundial. No entanto, todos continuaram em prova, ainda que fora dos pontos.



Evans, que necessitava de vencer para anular a desvantagem para Wehrlein, foi só quarto, resultado insuficiente para garantir o título de pilotos, mas positivo para as ambições da Jaguar, campeã de equipas pela segunda vez (primeira na Época 10). Nessa temporada, curiosamente, Pascal, que tinha Félix da Costa, como parceiro, conquistou o campeonato pela primeira vez – o alemão juntou-se ao francês Jean-Éric Vergne na lista dos pilotos com dois triunfos no Mundial.



Vitória de Taylor Barnard

Barnard, surpreendentemente, impôs-se aos Mahindra na ponta final da corrida e tornou-se o piloto mais jovem a ganhar um ePrix na Fórmula E (o britânico tem 22 anos e 76 dias e melhorou o recorde que pertencia ao alemão Maximilian Günther desde 2020, quando ganhou em Santiago de Chile, com 22 anos e 200 dias!). Para a DS Automobiles, marca francesa do consórcio Stellantis muito bem-sucedida no Mundial, adeus feliz ao Mundial. Na próxima temporada, na estreia do GEN4, Opel GSE (estreia!) e Citroën Racing como representantes do segundo maior fabricante europeu de automóveis no campeonato de monolugares elétricos.



Barnard, no fim do ePrix, encontrava-se radiante. “Não chorava há muito tempo. A minha família está toda aqui. Ganhar pela primeira vez e em ‘casa’ é algo especial. Aproveitei a última curva no Modo de Ataque para tentar ‘atacar’ o Nyck de Vries e fui bem-sucedido! Depois, na última volta, nunca parei de tremer. Este resultado é muito importante tanto para mim, como para a equipa. Depois de uma temporada tão difícil, fomos recompensados por tudo o que trabalhámos”, disse o britânico.



Alemão “dispara” contra português

Pascal Wehrlein, depois de ganhar o título, em vez de comemorar o êxito, “atacou” Félix da Costa. Aparentemente, a má relação entre os dois pilotos não terminou com a mudança do português da Porsche para a Jaguar no final da Época 11. “Quero deixar esta mensagem: não me esqueço das coisas e o que aconteceu nesta corrida excedeu todos os limites! Nunca vi nada tão antidesportivo e desonesto”, acusou o alemão, porventura ignorando tudo o que a Porsche fez na véspera, na qualificação e no ePrix, ou nas primeiras voltas desta tarde, com as equipas-cliente a “apoiarem” os objetivos da formação de Estugarda e o parceiro suíço Nico Müller a trabalhar como "guarda-costas" do novo campeão, baixando o ritmo de corrida e bloqueando os adversários.



Félix da Costa ouviu, sorriu e contou-nos a sua versão dos acontecimentos. “Cá se faz, cá se paga! Obviamente, há aqui muita história, um passado com aquela marca e aquele piloto. Mas, mesmo ignorando-o, não gostei de ver o que fizeram ontem. Hoje, repetiram-no logo na primeira volta e acionámos o Plano B, que era entrar no jogo. E fomos mais agressivos e melhores. Queríamos ser campeões de equipas e tínhamos de acabar à frente dos Porsche. Conseguimos”, disse-nos Félix da Costa. A expressão de origem bíblica “olho por olho, dente por dente” resume muito bem a dinâmica do duelo luso-alemão em Londres.



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