Honda Prelude e:HEV
- Pedro Junceiro

- há 13 minutos
- 5 min de leitura
O Prelude tem regresso às estradas portuguesas apontado para meados de 2026. A Honda não surpreende na manutenção do formato de “coupé”, cada vez menos comum no mercado, mas esta sexta geração apresenta-se equipada apenas com uma motorização, que é híbrida, tem 184 cv e deriva da que conhecemos do Civic. Existe, ainda, diversos elementos “importados” da versão de tipo (Type R) da berlina compacta. E o resultado é surpreendente!

A categoria dos “coupés”, outrora efervescente, tem, hoje, quase residual. E a Honda decidiu somar-se à lista de “resistentes”, com o regresso à ação Prelude, movimento que contraria as tendências dominantes numa indústria cada vez mais “refém” de Sport Utility Vehicles (SUV). Quem pensasse que a marca nipónica optasse por produzir “crossover” para reintroduzir um modelo que deixou de produzir há 25 anos (outubro de 2021), quase três depois de introduzir a quinta geração (outubro de 2001), enganou-se. A marca respeitou a história!
O Prelude novo tem linhas aerodinâmicas e modernas inspiradas dos planadores que vemos nos céus. O “coupé” com 4,532 mm de comprimento destaca-se pela dianteira afilada com faróis Full LED e grelha preta de alto brilho num nariz protuberante, mas, sobretudo, pela sua linha de tejadilho bastante curva e a traseira curta.

A otimização da aerodinâmica teve, obviamente, impacto importante no desenho do Prelude novo, e a Honda enaltece, nomeadamente, os puxadores das portas embutidos, os canais de ar sob a carroçaria e a forma da traseira. Tudo combinado, aumenta-se eficiência e melhora-se a estabilidade. A largura do desportivo impressiona, com 1,880 mm, facto que também deve aos guarda-lamas volumosos e às dimensões e ao posicionamento dos farolins numa área que integra, também, o nome da “Honda” apresentado por extenso. Nota suplementar para as formas dos para-choques as jantes de 19’, também negras.
Para a carroçaria, anunciam-se apenas quatro cores: Moonlit White Pearl (branco), Meteoroid Grey Metallic (cinzento), Crystal Black Pearl (preto) e Racing Blue Pearl (azul).

Painel de bordo tem “ares” de Civic
O habitáculo tem apresentação muito semelhante à do Civic, mas o Prelude é, assumidamente, um “coupé” com a configuração interior de 2+2 lugares – sem surpresa, nos bancos traseiros, não desfrutamos de grande liberdade de movimentos, uma vez que são mais indicados para utilização por crianças. A bagageira aparenta ter mais capacidade do que os 264 litros anunciados pelo fabricante, na configuração “standard” do compartimento, o que confirma a pouca aptidão do Honda para as viagens com a família.
A qualidade de construção e os materiais macios predominantes na zona superior do painel de bordo, na consola central e nos revestimentos das portas sobressaem num interior com imagem desportiva e muitos conteúdos tecnológicos. O painel de instrumentos digital com 10,2’’ é de leitura fácil, devido à forma simples como apresenta as informações de viagem, (em contrapartida, não admite o nível de personalização que encontramos noutros carros), e o monitor central de 9’’ posicionado em posição sobrelevada é base de sistema multimédia compatível com Android Auto e Apple CarPlay – a navegação integra, obviamente, a lista extensa “q.b.” de funções. Todos os comandos físicos, incluindo os da climatização, que têm acabamentos metálicos, beneficiam esta perceção de qualidade.

O volante em pele tem desenho desportivo (com marcador central superior em preto, item que é quase impercetível) e integra as patilhas metálicas que controlam o sistema S+ Shift. Existe, duas combinações de cores para o interior: branco e azul, e preto e azul. O nome Prelude encontra-se “bordado” no painel de bordo, no lado do passageiro. Nota, ainda, para o facto de os dois bancos dianteiros serem distintos: o do condutor é mais firme, mas só muito ligeiramente. e tem apoios maiores/melhores, enquanto o do passageiro apresenta-se preparado para proporcionar mais conforto em viagem.
Desempenho do chassis é surpreendente
O Prelude baseia-se na plataforma do Civic e partilha diversos componentes com a versão de topo do compacto, também a mais desportiva, (Type R), nomeadamente a suspensão com amortercimento adaptativa e o sistema de travagem Brembo (pinças azuis), o que explica a orientação do “coupé” para uma condução muito focada na dinâmica, mas sem penalizar demasiado o conforto de rolamento. Este automóvel, qual GT, é automóvel com estabilidade muito elevada e que obedece com precisão aos movimentos no volante, por isso “devorando” ágil e facilmente todos os percursos com curvas e contracurvas. O tato do pedal de travão também é soberbo, o que quase faz esquecer que este híbrido conta com sete níveis de regeneração de energia (selecionam-se nas patilhas no volante). É preciso exagerar-se muito para desestabilizar a mais recente coqueluche da Honda!

O comportamento surpreendente do Prelude beneficia da potência moderado do sistema híbrido. A Honda equipou-o com a tecnologia i-MMD, que associa mecânica 2.0 atmosférica que funciona de acordo ciclo Atkinson e tem 143 cv a motor elétrico com 184 cv e 315 Nm, a unidade que assegura, efetivamente, o movimenta das rodas na grande maioria do tempo de condução (modo zero emissões). A tecnologia com motor/gerador elétrico secundário para controlo do consumo da energia elétrica despendida no modo híbrido.
Numa utilização mais desportiva, o sistema e:HEV permite um desempenho muito eficaz, com acelerações e recuperações vigorosas, uma vez que o binário do motor elétrico, instantâneo, está sempre pronto para aumentar o ritmo da condução. Em autoestrada, entra em cena o terceiro modo de funcionamento desta motorização: grosso modo, entre os 80 km/h e os 120 km/h, o motor de combustão interna é acoplado, diretamente, às rodas dianteiras, assumindo, assim, o controlo da ação, uma vez que a marca entende que este é modo eficiente de movimentar o Prelude.
Uma caixa automática “simulada”
Regra geral, o Prelude é bastante refinado e tem muito bom, mas o Honda não é apenas mais um híbrido”. Explica-se, assim, o recurso ao sistema S+ Shift, que ativamos num botão na consola central e permite utilizar as patilhas do programa de regeneração de energia para comandar uma espécie de caixa automática convencional. No caso do Prelude, o programa incide mesmo no regime de funcionamento do motor, criando patamares (oito) que simulam o funcionamento de caixa automática, incluindo movimentos semelhantes a “solavancos” que replicam a engrenagem de relação nova. Isto consegue-se com algoritmos que analisam, permanentemente, a posição do acelerador, as rotações do motor e o nível de carga na bateria.
Ativando-se este modo de condução, na instrumentação, conta conta-rotações em posição central, em vez do indicador da potência nos modos elétrico e híbrido. Este sistema otimiza, realmente, a experiência de condução, por torná-la mais divertida, mesmo sem beneficiar as “performances”. O S+ Shift também aumenta o consumo de combustível, mas o Prelude nunca abdica da eficiência, e só raramente apresenta registos acima de 6 l/100 km.

O sistema tem diversos modos de condução, do GT, o mais equilibrado, ao Comfort, o mais macio e suave, e ao Sport, o que torna a motorização mais reativa, a suspensão mais firme e a direção mais direta. O condutor também pode personalizar um modo Individual, em função das preferências pessoais.
Pela irreverência técnica e pela decisão audaz de regressar a segmento em vias de extinção, fazendo-o com GT que tem imagem desportiva e combina eficiência com diversão na conduzir, saúda-se a decisão da Honda. O preço, seguramente, contribuirá para o sucesso do carro: ainda não existem números para o mercado nacional, mas sabe-se que este “coupé” será posicionado acima do Civic e:HEV. E, assim, antecipamos custo acima da fasquia dos 50.000 €. Logo, o Prelude, pela frente, tem missão difícil.




























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