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KGM Musso Grand e Musso Raider: trabalho e lazer

há 6 horas
4 min de leitura

O Musso recebeu atualização que não alterou a “receita” que distingue esta “pick-up” da KGM: chassis de longarinas, motor a gasóleo, tração integral não permanente e duas configurações com personalidades diferentes. Na Capadócia, Turquia, conduzimos as novas versões, mas num contacto demasiado curto para conclusões definitivas. Na gama, propostas para trabalho (Grand) e lazer (Raider).



A palavra “musso” significa “rinoceronte” em coreano e inspira o nome que designa uma série de “pick-ups” iniciada em 2002. Recentemente, a KGM apresentou-nos uma atualização importante de um modelo herdado da era SsangYong (ver caixa). Por fora, as mudanças são significativas – faróis, grelha, “capot”, para-choques, farolins e tampa da caixa de carga são novos. A assinatura luminosa e os cinco elementos horizontais ao centro da dianteira contribuem para a modernidade da imagem, tal como os refletores integrados nos guarda-lamas.


No interior, digitalização do painel de bordo, de acordo com as tendências da moda no automóvel: lado a lado, encontramos dois monitores de 12,3’’ (instrumentação e infoentretenimento). E o sistema multimédia é compatível, sem fios, com Android Auto e Apple CarPlay. Para a climatização, felizmente, a KGM propõe quer botões, quer comandos rotativos físicos.



Duas personalidades

No entanto, nesta edição-2026 do Musso, a novidade mais importante é mesmo a disponibilidade de duas configurações. A Raider, orientada para o lazer, tem 5,15 m de comprimento e 3,10 m entre eixos, suspensão traseira multibraços com molas helicoidais e caixa de carga com 1,3 m de comprimento (capacidade: 1011 litros). A Grand, para o trabalho, mede 5,46 m de comprimento e 3,21 m entre eixos, conta com eixo posterior rígido com molas de lâminas e caixa com 1,61 m (1262 litros) – a segunda é menos sofisticada, mas suporta mais carga (nalgumas versões, mais de uma tonelada!).


Em Portugal, todos os Musso dispõem de cabina dupla e quatro rodas motrizes. Na “pick-up” de trabalho, jantes de 17’’. Na de lazer, a medida aumenta para 20’’. A transformação para três lugares conserva o lugar posterior atrás do passageiro e o espaço libertado à esquerda é aproveitado para arrumações/ferramentas. Trata-se de solução à portuguesa imposta pela nossa tributação automóvel – os ligeiros de mercadorias com até três lugares beneficiam de taxa reduzida de ISV e, contando-se com as condições fiscais aplicáveis às empresas e à utilização da viatura, o IVA pode ser deduzido. A passagem para cinco lugares, só em ISV, representa 6000 €, mais euro, menos euro!



Caixa manual de regresso

A mecânica turbodiesel tem quatro cilindros, 2,2 litros e 202 cv. A KGM eliminou a caixa manual de seis velocidades na edição-2025 do Musso, mas decidiu reintroduzi-la na gama-2026 – com esta combinação, 400 Nm; com a automática, igualmente com seis relações, o binário aumenta para 441 Nm. A transmissão 4x4 conectável dispõe de modos 2H, 4H e 4L, redutora e autoblocante traseiro. Capacidade de reboque: nas versões mais capazes, 3,5 toneladas.


Na Capadócia, Turquia, a proposta da KGM prometia: estrada e fora de estrada numa região extraordinária. Na prática, soube a muito pouco. Após viagem longa, o percurso tinha só cinco dezenas de quilómetros e foi feito em caravana, sempre a velocidade moderada. E o tempo de condução demasiado reduzido não permite análises definitivas.



Ainda assim, registo meia dúzia de impressões importantes. A Raider mostrou-se mais confortável e bem-comportada (sem carga!) do que a Grand. O 2.2 Diesel tem fôlego suficiente para movimentar esta “pick-up” com desembaraço. A caixa automática facilita a utilização fora de estrada. A direção e as reações recordam-nos que este automóvel não é um SUV. Existem três modos de condução: Normal, Sport e Winter.

 

Fora do asfalto, a combinação de redutora, altura ao solo de 245 mm na Raider e 248 mm na Grand, cursos de suspensão generosos e ângulos TT melhorados permite avançar no terreno com facilidade. O percurso preparado pela KGM, porém, não permitiu avaliar as capacidades reais do Musso.



Preços desde 31.300 € + IVA

Em Portugal, a gama Musso tem preços a partir de 31.300 € (+ IVA) para empresas e empresários em nome individual (ENI) – versão D22T 4WD 6MT K3. E o Musso EV, à venda no nosso País desde setembro de 2025 (30.800 € + IVA). A “pick-up” elétrica é diferente estruturalmente, não recebe alterações e mantém-se equipada com bateria de 80,6 kWh de capacidade, que permite reivindicar autonomias de até 420 km (4x2) e 379 km (4x4).



A nova vida da marca sul-coreana 

A KGM é pouco conhecida em Portugal, mas o fabricante por detrás das três letras iniciou a produção de automóveis em 1954. Trata-se da SsangYong, empresa com capacidades (re)conhecidas em SUV, TT e tração integral.


Depois de período complexo em que passou pelas mãos de diversos proprietários (SAIC em 2004, Mahindra em 2011), a empresa foi adquirida em 2023 por uma entidade sul-coreana liderada pelo KG Group e, pouco tempo depois, mudou de nome para KG Mobility, ou KGM, arrancando aí para nova fase orientada para a eletrificação.


Desde o lançamento do Musso Sport em 2002, o fabricante vendeu quase 500.000 “pick-ups”. Em Portugal, a marca representada pela Astara tem gama com carros a gasolina, Diesel, híbridos e elétricos – Tivoli, Korando, Torres, Torres EVX, Actyon HEV, Rexton, Musso e Musso EV. O primeiro é o modelo mais acessível (24.900 €).

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