Marcas automóveis perdem 57 mil milhões
A indústria automóvel perdeu quase 57 mil milhões de dólares (50,7 mil milhões de euros) em valor de marca no último ano, segundo o relatório Best Global Brands 2026, da consultora Interbrand. O setor registou a maior quebra entre as atividades analisadas, numa altura em que os investimentos em eletrificação, “software” e condução autónoma não estão a traduzir-se numa diferenciação suficientemente forte para conquistar e fidelizar clientes.

A norte-americana Tesla protagonizou a maior queda percentual entre as marcas incluídas na classificação, com uma desvalorização de 37,8%, para 18,3 mil milhões de dólares (16,3 mil milhões de euros), descendo 25 posições no “ranking” mundial, para o 50.º lugar. Segundo a Interbrand, a atenção gerada por projetos como o Semi, o robô humanoide Optimus, o Cybercab e o Roadster não se traduziu, de forma consistente, no reforço do valor da marca.
A consultora considera que existe um desfasamento entre as promessas tecnológicas dos fabricantes e a concretização comercial. Quando as expectativas ultrapassam os resultados e a adoção efetiva dos produtos, a confiança dos consumidores pode deteriorar-se, comprometendo um dos principais fatores de valorização de uma marca.
A Interbrand também conclui que os elevados investimentos nas tecnologias associadas à eletrificação do automóvel e transformação digital estão a tornar as propostas dos fabricantes cada vez mais semelhantes, dificultando a diferenciação num mercado em transformação.

Toyota mantém liderança, Ferrari valoriza 15%
Apesar de uma desvalorização de 19,9%, a Toyota continua a ser a marca automóvel mais valiosa do mundo, com um valor estimado de 59,5 mil milhões de dólares (53 mil milhões de euros), ocupando a nona posição da classificação global, que inclui empresas de todos os setores de atividade.
A Mercedes-Benz mantém o segundo lugar entre os fabricantes de automóveis, apesar de uma quebra de 18,6%, para 40,8 mil milhões de dólares (36,3 mil milhões de euros), ocupando a 20.ª posição na mesma tabela. Segue-se a BMW, em 22.ª, com 38,4 mil milhões de dólares (34,2 mil milhões de euros), menos 17,9% do que em 2025.
A Honda também registou uma redução significativa, de 21,8%, para 19,4 mil milhões de dólares (17,3 mil milhões de euros). A Audi perdeu 19,5%, passando a valer 12,4 mil milhões de dólares (11 mil milhões de euros), quase o mesmo que a Porsche, cuja desvalorização foi de 17,5%.

A Volkswagen registou uma quebra de 23%, para 11,6 mil milhões de dólares (10,3 mil milhões de euros), enquanto a Nissan sofreu uma desvalorização de 23,2%, para 7,2 mil milhões de dólares (6,4 mil milhões de euros), ocupando a última posição do “ranking” das 100 marcas mundiais mais valiosas.
Em sentido contrário, a Ferrari destacou-se com um crescimento de 14,7%, elevando o valor da marca para 17,7 mil milhões de dólares (15,8 mil milhões de euros). O fabricante italiano ocupa a 51.ª posição mundial, imediatamente atrás da Tesla, apesar de operar num segmento de mercado muito diferente e contar com volumes de produção bastante inferiores.
E três fabricantes asiáticos contrariaram esta tendência de desvalorização. A Hyundai cresceu 1,6%, para 25 mil milhões de dólares (22,2 mil milhões de euros), ocupando a 29.ª posição e o quarto lugar entre as marcas automóveis. A Kia valorizou-se 2,7%, para 8,8 mil milhões de dólares (7,8 mil milhões de euros), enquanto a chinesa BYD registou um aumento de 4,5%, passando a valer 8,5 mil milhões de dólares (7,6 mil milhões de euros).

Segundo a Interbrand, estas marcas estão a conseguir transformar atributos como o “design”, a acessibilidade, a relação entre preço e produto e a tecnologia em argumentos comerciais. O estudo conclui que o desafio da indústria automóvel já não consiste apenas em desenvolver novas tecnologias, mas também em conseguir transformá-las em vantagens reconhecidas pelos consumidores e suficientemente relevantes para influenciar as decisões de compra.
A classificação Best Global Brands resulta de uma avaliação que combina os resultados económicos associados a cada marca, a influência nas decisões de compra e a capacidade de gerar fidelização e procura futura. Os valores apresentados correspondem à avaliação económica das insígnias e não ao valor bolsista das empresas.

Na classificação global, a Apple mantém a liderança, com um valor de marca de 514,6 mil milhões de dólares (458 mil milhões de euros), seguida da Microsoft, com 443,7 mil milhões de dólares (394,9 mil milhões de euros), e da Google, com 389,3 mil milhões de dólares (346,5 mil milhões de euros). Ao contrário do registado no setor automóvel, a classificação das 100 marcas mais valiosas do mundo registou um crescimento global de 8,1% relativamente aos números de 2025.






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