Stellantis amplia gama de comerciais “made in” Mangualde
Pensados para as necessidades essenciais dos clientes profissionais e, crucialmente, também assumindo-se como novas “portas de entrada” na gama de comerciais ligeiros, os modelos Smart Compact Van (SCV) saem de Mangualde para a Europa com o objetivo de ampliar a quota de mercado da Stellantis no segmento dos VCL. A modularidade acrescida é uma das suas “armas”, convertendo-se facilmente num local de trabalho estacionário.

Nascidas na fábrica da Stellantis Pro One em Mangualde, uma das mais eficientes e elogiadas em toda a rede de produção deste consórcio multinacional, a gama Smart Compact Van (SCV) vem alargar a oferta das marcas Citroën, Fiat, Opel e Peugeot no mercado dos comerciais ligeiros, um dos mais importantes na Europa.
Para a Stellantis, trata-se de uma abordagem fundamental na estratégia relativa aos comerciais ligeiros, quer na Europa, quer em Portugal, onde o segmento dos furgões compactos tem particular apreço, detendo quotas de mercado em torno dos 50% e dos 60%, respetivamente. Percebe-se, desta forma, a importância da gama K9 – código dado aos modelos produzidos em Mangualde, que passa a ser compsta agora também pelas variantes Smart Compact Van.
A apresentação ao público decorreu no IAA Transportation, em Hannover, em setembro, assumindo-se como uma proposta complementar centrada nos aspetos práticos, na flexibilidade e na melhoria da relação qualidade/preço exemplar. Dispondo de algumas alterações importantes face aos outros modelos em circulação, os modelos Citroën Berlingo Van First, Fiat Doblò EasyPro, Opel Combo Start e Peugeot Partner Active distinguem-se pelo reforço do pragmatismo, alcançado sem penalizar as competências de carga e a pluralidade de motorizações, mantendo-se as opções a combustão e elétrica.
A génese para esta gama, explicou Pedro Serrador, Diretor da Stellantis Pro One Portugal, esteve no trabalho de pesquisa junto dos clientes profissionais, de forma a criar mais valor para as suas atividades do dia-a-dia, mais acessível e funcional, mas sem perder elementos relevantes. Dessa pesquisa resultaram algumas conclusões relevantes, continuou Serrador, acrescentando que “num âmbito europeu, percebeu-se que 40% dos clientes não estão interessados numa configuração de três lugares e que os condutores profissionais viajam sozinhos cerca de 90% do seu tempo de trabalho”.

Estes dados conduziram a um interior completamente redesenhado com destaque para dois conceitos sem paralelo no mercados dos furgões compactos: o Flexiseat (banco de passageiro modular que pode ser rebatido para aumentar o volume de carga) e o Modutable, disponível como opcional, que pode ocupar o lado direito do habitáculo e criar um escritório móvel ou uma mesa durante as pausas. Estas soluções são introduzidas exclusivamente nestes modelos SCV, pelo que as outras versões da gama não poderão equipá-las, mesmo a pedido.
Não menos relevante, a gama SCV é produzida em Mangualde, o que já é benéfico para a economia local e nacional, mas também fomenta a indústria fornecedora de componentes, já que a Modutable é industrializada pelo grupo português Simoldes, reforçando o contributo luso no seio da Stellantis Pro One.

Inovações interiores
Os quatro furgões compactos agora lançados distinguem-se exteriormente apenas pelos para-choques distintos em plástico negro, em linha com as linguagens de design de cada marca (Citroën, Fiat, Opel e Peugeot têm desenhos ligeiramente distintos na dianteira), proporcionando maior economia numa eventual substituição. No entanto, o salto maior foi dado no interior, com uma abordagem mais prática e versátil que a Stellantis Pro One assume como marco a seu favor.
Com o objetivo de aproveitar todo o espaço a bordo, o interior apresenta quatro conceitos novos. O mais significativo é o Flexiseat, um banco do passageiro totalmente novo, cujo assento pode ser levantado para ampliar em 0,5 metros cúbicos o espaço de carga no lado direito, permitido o transporte de objetos volumosos no habitáculo. Esta solução é de série nos SCV e permite também levar um passageiro caso seja necessário – porém, note-se que o banco é ligeiramente menos confortável do que no caso de equipar um banco mais convencional.
Opcionalmente, o cliente pode montar a Modutable, uma base de trabalho que pode ser montada de forma simples no lado do passageiro e que permite trabalhar ao computador ou comer, dispondo também de zonas de arrumação e plataforma deslizante. Esta mesa fica presa por dois espigões em orifícios específicos existentes no banco e assenta no painel de bordo, não se deslocando em andamento. Quando não está em uso pode ser arrumada no compartimento de carga, graças a um saco de transporte preso com ganchos à lateral interior.
Adicionalmente, estarão disponíveis a Moduconsole (consola central amovível com porta-copos e compartimento fechado), o Dashbox (a lançar em 2027, consiste em dois compartimentos fechados no painel de bordo e porta-copos) e o Drivedrawer (gaveta de arrumação sob o banco do condutor para guardar utensílios como computadores portáteis, tablets ou blocos de notas). Está também disponível uma tomada de 220 V para carregar dispositivos eletrónicos.
Em Mangualde são produzidas as versões mais compactas das SCV, com dois comprimentos e arquiteturas idênticas às demais versões. Apresentam até 650 kg de capacidade de carga útil e volume de carga de 3,3 a 4,4 metros cúbicos.
Térmico ou elétrico
A gama Smart Compact Van foi desenvolvida ao abrigo da filosofia multienergia, permitindo que os clientes profissionais escolham entre motorizações térmicas ou elétrica. No que diz respeito a esta última, a oferta consiste na versão de 136 cv (100 kW) de potência associada a uma bateria nova LFP de 42 kWh, com autonomia anunciada em ciclo combinado WLTP até 270 km, um valor que a companhia considera ser amplamente convincente para uma utilização quotidiana típica.
A partir de 2027, será também adicionada uma variante híbrida de 48 V, para alargar ainda mais as opções de propulsão.
A gama inclui ainda dois motores a gasóleo de 100 cv e 130 cv, associados a caixas de velocidades manuais. O primeiro contacto com estas novas SCV deu-se, precisamente, na zona de Mangualde, ao volante de um Fiat Doblò EasyPro com motorização Diesel de 100 cv, demarcando-se pelas prestações convenientes e adaptadas para ritmos urbanos e extraurbanos, com boas respostas desde baixos regimes. O escalonamento acertado da caixa de seis velocidades permite evitar recurso constante para manter o ritmo, embora se note, em determinadas situações, algum atraso na resposta do turbo. O comportamento também em nada difere das demais versões destes furgões, apresentando segurança e conforto – pelo menos, sem carga a bordo – acompanhado de bons índices de refinamento.
Portas de entrada
O objetivo dos responsáveis da Stellantis Pro One Portugal é que a gama SCV sirva de porta de entrada para outros clientes profissionais que, neste momento, não possuem veículos de nenhuma das marcas. Ou seja, esta é uma aposta de conquista e não de substituição, razão pela qual alguns equipamentos foram simplificados.
Na lista de itens de série contam-se as jantes de 15 polegadas, os faróis Eco LED (apenas versões térmicas), sensores de estacionamento traseiros, estação para smartphone (o rádio é opcional), duas tomadas USB, travão de estacionamento elétrico e ar condicionado manual, entre outros. Nesta fase, o airbag do passageiro também não é disponibilizado de série.

No lançamento, as propostas das quatro marcas têm preços de partida de 16.900 € + IVA nos motores Diesel e de 17.658 € + IVA na versão 100% elétrica, incluindo-se dois opcionais, o sistema de infoentretenimento e rádio com ecrã de 10 polegadas e câmara traseira. Os preços de campanha duram até final do ano, de acordo com a Stellantis Pro One.






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