MG estreia bateria de estado semissólido
- Pedro Junceiro

- 25 de mar.
- 3 min de leitura
Atualizado: 13 de abr.
A MG prepara a introdução na Europa de uma evolução importante da sua tecnologia elétrica, com destaque para a nova bateria de estado semissólido SolidCore, tecnologia que prenuncia progressos tanto no desempenho, como na segurança. A informação foi comunicada durante o “Tech Day” organizado pela marca em Frankfurt, Alemanha, também para a apresentação da estratégia tecnológica para os próximos anos.

Propriedade do consórcio chinês SAIC Motor, a MG tem reforçado a sua posição no mercado europeu desde o regresso à ação, em 2011. Embora os automóveis elétricos assumam um papel central na atividade do fabricante de origem britânica, reconhece-se a importância das tecnologias híbridas na Europa. E esta abordagem garante respostas a diferentes perfis de utilização.
Neste contexto, está em desenvolvimento uma versão nova do sistema Hybrid+, que já representou mais de 200.000 unidades vendidas na Europa, com melhorias prometidas na transmissão de três velocidades e controlador eletrónico de gestão capaz de otimizar o desempenho e o refinamento da motorização. Mas, ao mesmo tempo, com vista à disseminação da eletrificação, está prevista a introdução de bateria de estado semissólido num modelo de produção em serie na Europa ainda em 2026, sendo este um ponto importante para a marca.
Ambição tecnológica
A ambição da SAIC Motor passa por “liderar o caminho tecnológico e não apenas seguir tendências”. Esta ideia foi sublinhada por Josef Kaban, vice-presidente com a área do Design, que destacou a inovação como um dos pilares da MG, marca que procura combinar a emoção e a razão no desenvolvimento de todos os automóveis.
O principal destaque recai sobre a bateria de estado semissólido SolidCore, que a MG posiciona como elemento diferenciador da sua gama eletrificada e cuja estreia está apontada para uma versão do MG 4 Urban a lançar no final deste ano. A tecnologia será, progressivamente, instalada noutros carros.
A bateria tem química de iões de lítio-óxido de manganês (LMO) e, ao contrário dos acumuladores de energia convencionais de iões de lítio, como os LFP e os NCM, que utilizam eletrólito líquido, esta solução recorre a uma composição com cerca de 95% de eletrólito sólido. Entre as vantagens apontadas estão tempos de carregamento até 15% mais rápidos em temperaturas mais baixas e entrega de potência até 20% superior. Por enquanto, a MG ainda não declarou valores de capacidade para esta bateria a lançar no mercado europeu.

Outro aspeto relevante prende-se com a segurança. A MG desenvolveu um novo invólucro estrutural para a bateria, capaz de resistir a condições severas, incluindo incêndios. Segundo a marca, este sistema poderá suportar até 30 minutos de exposição a chamas sem provocar ignição do acumulador de energia, e resist a temperaturas de até 1200º C.
Embora não tenham sido revelados detalhes sobre o diferencial de custo face às baterias LFP, acredita-se que a produção em larga escala permitirá mitigar o impacto no preço final.
Paralelamente, a MG já trabalha na próxima etapa: baterias de estado sólido. Com protótipos previstos para testes reais no próximo ano, a marca aponta para autonomias que poderão atingir os 1000 km em futuros carros elétricos. A chegada ao mercado poderá ocorrer ainda antes do final da década.

Híbridos evoluídos
Essa visão materializa-se no sistema Hybrid+ novo, tecnologia concebida para ultrapassar as limitações habituais dos híbridos convencionais, nomeadamente a dependência enorme do motor de combustão interna. A abordagem passa por uma integração mais eficiente entre “hardware” e “software”, com o objetivo de propor mais potência, menos consumos e níveis superiores de conforto (acústico e vibracional).
O sistema combina motor 1.5 a gasolina desenvolvido especificamente para aplicações híbridas, com 102 cv (75 kW) e 128 Nm. Este bloco destaca-se pela elevada taxa de compressão (16,3:1), eficiência térmica de cerca de 41% e preparação para o cumprimento da norma antipoluição Euro 7.

Associado a este está a transmissão de três velocidades nova, concebida para melhorar a articulação entre o motor térmico e a máquina elétrica com 136 cv (100 kW) e 250 Nm, e que assume um papel preponderante na entrega de potência — uma inversão face a muitos sistemas híbridos atuais. A bateria apresenta 1,83 kWh de capacidade (tensão de 350 V), permitindo reforço na utilização em modo elétrico em condução diária.
A gestão do sistema é assegurada por um controlador eletrónico novo, denominado Logic Engine, mais rápido no processamento e capaz de regular oito modos de condução, adaptando o funcionamento do Hybrid+ tanto às condições de utilização, como às preferências do condutor.
Engenharia de olho na Europa
O reforço da presença da MG na Europa passa também pela criação de um centro de engenharia em Frankfurt, Alemanha, dedicado ao desenvolvimento de automóveis “na Europa e para a Europa”. Nessa infraestrutura, serão considerados fatores como condições climatéricas, tipos de estrada e preferências dinâmicas dos condutores da região. A marca também mantém equipas de engenharia em Longbridge e um centro de “design” em Londres, Inglaterra, o que assegura a influência europeia no desenvolvimento dos seus carros.









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