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PHEV: menos gasolina, mais carregamentos

há 15 horas
2 min de leitura

Um novo estudo apresentado pela Transport & Environment (T&E) volta a colocar em causa as emissões de CO2 oficiais dos automóveis com motorizações híbridas Plug-In (PHEV) e defende/recomenda a adoção de regras que favoreçam uma utilização muito mais frequente da propulsão elétrica.



Não é uma novidade para os leitores mais atentos ou para os entusiastas da eletrificação do automóvel que a tecnologia PHEV nem sempre é utilizada da forma recomendada e mais correta. Como estes automóveis dispõem de motores de combustão interna e continuam a circular mesmo com a bateria descarregada, muitos condutores desvalorizam ou negligenciam o carregamento regular da bateria que aciona o(s) motor(es) elétrico(s) e acabam por aproveitar pouco a autonomia disponível no modo de condução que evita as emissões locais.


Confirma-o um novo estudo da T&E, organização ambiental sem fins lucrativos fundada em 1990, sediada em Bruxelas, na Bélgica, e com forte atividade de lóbi e influência sobre as políticas europeias de transportes e ambiente. O trabalho conclui que as emissões reais dos PHEV são quase seis vezes superiores aos valores oficiais WLTP anunciados pelos fabricantes. Esta entidade, recorda-se, reúne dezenas de organizações ambientalistas europeias e está inscrita no Registo de Transparência da União Europeia (UE) como representante de interesses junto das instituições.



Na utilização quotidiana, estes automóveis emitiram apenas 14% menos CO2 do que os automóveis convencionais com motor de combustão e os híbridos sem carregamento externo, apesar de os números de homologação apontarem para reduções na ordem dos 83%. A mesma análise revela que os PHEV percorreram apenas 27% da distância em modo elétrico e que, mesmo durante as fases em que a bateria fornece energia ao sistema de propulsão, o motor de combustão esteve em funcionamento durante aproximadamente um terço dos quilómetros percorridos.


Perante esta diferença entre homologação e utilização real, a T&E considera fundamental manter a correção prevista para o chamado “utility factor”, o parâmetro utilizado na homologação para estimar a proporção de quilómetros percorridos eletricamente pelos PHEV.


Limitação da capacidade do depósito de combustível a apenas 15 litros

A organização defende uma transformação técnica mais profunda dos automóveis com esta tecnologia. Entre os critérios apresentados encontra-se a limitação da capacidade do depósito de combustível a apenas 15 litros, reduzindo a possibilidade de utilizar durante longos períodos o automóvel só com o motor de combustão interna, ação que tem o potencial de criar um incentivo adicional ao carregamento da bateria.



Ao mesmo tempo, a T&E propõe que os PHEV evoluam para autonomias elétricas de pelo menos 200 km até 2030, disponham de carregamento rápido (DC) acima dos 100 kW e utilizem motores elétricos com uma potência pelo menos três vezes superior à da mecânica de combustão interna.


A intenção é inverter a arquitetura predominante no mercado, uma vez que a componente elétrica passaria a assumir o papel principal na utilização diária, deixando o motor térmico como alternativa para viagens mais longas ou situações excecionais. O novo estudo estima que autonomias elétricas entre 140 e 220 km poderão permitir manter as emissões homologadas dos PHEV abaixo de 50 g/km em 2030. Registando-se a evolução proposta, a T&E considera que cerca de 180 km de autonomia elétrica poderão ser suficientes para atingir esse objetivo.

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