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Range Rover na era elétrica

4 de set.
6 min de leitura

O primeiro Range Rover 100% elétrico mantém praticamente intacta a imagem do Sport Utility Vehicle de luxo, mas estreia uma cadeia cinemática com dois motores, um por eixo, e até 550 cv e 850 Nm. A bateria NMC de 118,5 kWh de capacidade útil permite à marca britânica do consórcio JLR anunciar até 600 km de autonomia e recarregamentos de 10% a 80% em 22 minutos. E já pode ser encomendado em Portugal, com preços a partir de 165.962 €.



Mais de meio século depois do lançamento do primeiro Range Rover, que remonta já a 1970, é-nos apresentada uma das transformações mais importantes da história do modelo. O Electric é o primeiro representante 100% elétrico da série e, ao contrário do que poderia esperar-se perante uma mudança tão profunda da cadeia cinemática, a marca evitou uma revolução. E fê-lo deliberadamente!


A ideia que orientou o projeto foi simples: criar primeiro um Range Rover e só depois um automóvel elétrico. Não há uma carroçaria específica nem uma tentativa de tornar visível a eletrificação. O Electric integra-se na atual geração do modelo, a quinta, que surgiu no mercado em 2022, e utiliza a mesma arquitetura técnica flexível que permite à fábrica de Solihull produzir versões elétricas, híbridas Plug-In (PHEV), “mild hybrid” (MHEV) e com motores de combustão interna.

Visualmente, as diferenças encontram-se nos elementos em que era possível ganhar eficiência aerodinâmica. A grelha, a zona inferior da carroçaria e as jantes foram otimizadas, mantendo-se a silhueta e as proporções características do Range Rover. Na variante com distância entre eixos mais curta, o coeficiente aerodinâmico é de 0,29. E é por baixo deste modelo imagem tão familiar que se encontra a verdadeira transformação.



Dois motores e até 550 cv

O sistema de propulsão utiliza dois motores elétricos síncronos de ímanes permanentes, um por eixo, configuração que garante a disponibilidade de quatro rodas motrizes. Cada unidade pode desenvolver 260 kW e a potência combinada máxima chega aos 405 kW, o equivalente a 550 cv, acompanhados por 850 Nm de binário. Existe uma versão menos musculada, de 450 cv e 677 Nm.


Os motores incorporam semicondutores de carboneto de silício e, segundo a JLR, produzem mais 20% de binário do que outras unidades elétricas de dimensões semelhantes. A transmissão é automática e de uma só relação. No Electric de 550 cv, aceleração 0-100 km/h em 4,5 segundos, recuperação 80-120 km/h em apenas 2,7 segundos! A velocidade máxima, para proteção da autonomia, está limitada a 200 km/h. São números expressivos para automóvel que pesa, no mínimo, 2810 kg, na variante de distância entre eixos curta.


A eletrificação também permite ao Range Rover apresentar o maior binário da sua história. Mais do que procurar transformar o SUV num desportivo, a marca pretende utilizar a disponibilidade imediata de força e a ausência de vibrações da propulsão elétrica para reforçar características que pertencem à identidade do modelo: facilidade de utilização, silêncio e suavidade.



Bateria de 118,5 kWh de capacidade

Para alimentar os dois motores, o Range Rover Electric utiliza uma bateria de iões de lítio do tipo NMC (níquel-manganês-cobalto), com 118,5 kWh de capacidade útil. É composta por 344 células prismáticas dispostas numa configuração de dupla camada e funciona com uma arquitetura elétrica de 800 V.


A autonomia máxima homologada chega aos 600 km WLTP, embora varie de acordo com a configuração. A própria Range Rover anuncia uma estimativa de até 535 km numa utilização real. As dimensões da bateria ajudam a explicar estes valores e posicionam o Range Rover Electric entre os automóveis elétricos com maior capacidade de armazenamento de energia. A marca procurou compensá-lo com uma elevada potência de carregamento.


Num posto rápido de corrente contínua de 350 kW, a bateria pode recuperar a energia armazenada de 10% para 80% em 22 minutos. Em condições ideais, 10 minutos de carregamento permitem recuperar até 220 km de autonomia. Em corrente alternada existe outra característica relevante para um automóvel desta categoria: o carregador de bordo aceita 22 kW, permitindo uma carga completa em cerca de sete horas, se a instalação fornecer essa potência. Com 7 kW, são necessárias cerca de 19 horas.



Muito capaz também fora de estrada

Se autonomia e carregamento são fundamentais num elétrico com estas dimensões, para a Range Rover existia outro desafio: assegurar que a mudança de energia não diminuía a capacidade fora de estrada que é património do modelo desde 1970.


O Electric mantém uma capacidade máxima de vau de 900 mm e, na configuração de distância entre eixos curta, dispõe de 201 mm de distância ao solo, podendo a suspensão pneumática aumentar a altura numa utilização fora de estrada. Os ângulos máximos anunciados chegam a 33,2 º de ataque e 28,1º de saída.


Não menos importante é a forma como a eletrificação permite gerir a motricidade. O novo Integrated Traction Management adapta a velocidade dos motores em intervalos de apenas 50 milissegundos, o que, segundo a JLR, corresponde a uma resposta até 100 vezes mais rápida do que a de um sistema equivalente associado a um motor de combustão interna!



Em paralelo, o Intelligent Driveline Dynamics pode variar a distribuição do binário no eixo traseiro entre 100% e 0%, procurando impedir a perda de aderência antes de a progressão no terreno ficar comprometida. O sistema elétrico também permitiu criar um modo Single Pedal adaptado à condução fora de estrada. O automóvel pode arrancar de forma progressiva em inclinações de até 33º e subir rampas de até 45º utilizando apenas o acelerador para controlar os movimentos. E a menor altura do centro de gravidade e a suspensão pneumática de câmara dupla melhoram o comportamento em estrada.


Tecnologia para aproveitar bem a bateria

A gestão térmica assume especial importância num elétrico com uma bateria desta dimensão. O sistema ThermAssist controla a temperatura do acumulador de energia, da cadeia cinemática e do habitáculo, procurando, simultaneamente, preservar autonomia, capacidade de carregamento e longevidade dos componentes do sistema.



Segundo a JLR, esta tecnologia pode acrescentar até 40 km de autonomia e reduzir em até 40% a energia necessária para aquecer o carro. O Electric deve, aliás, tornar-se no Range Rover com mais patentes de sempre: foram apresentados mais de 300 pedidos, abrangendo áreas que incluem o ThermAssist, a bateria e os motores.


E a bateria ainda dispõe de um Battery Digital Twin, um gémeo digital que tem mais de 900 pontos para recolhas de dados de diagnóstico. Combinado com as atualizações remotas de “software”, este recurso deve permitir acompanhar o estado do sistema e antecipar necessidades de manutenção. A garantia da bateria é de oito anos ou 160.000 km.



Mais de 1,5 milhões de quilómetros de testes

A introdução da primeira cadeia cinemática totalmente elétrica levou a Range Rover a realizar o que descreve como o programa de desenvolvimento mais extenso aplicado num dos seus modelos. Os protótipos percorreram mais de 1,5 milhões de quilómetros, passando por temperaturas de -40º C em Arjeplog, na Suécia, pelo calor do Dubai e pelos tradicionais percursos fora de estrada da JLR em Eastnor Castle, no Reino Unido. A marca também contabiliza mais de 250.000 horas de provas virtuais e físicas.


A bateria foi alvo de um programa específico. No novo laboratório da JLR, os conjuntos são submetidos a vibrações e impactos em vários eixos e a temperaturas compreendidas entre -40 ºC e +90 ºC. A estrutura utiliza uma caixa de alumínio de elevada resistência.



O desenvolvimento industrial também exigiu alterações importantes. O Range Rover Electric é produzido em Solihull, onde o modelo nasceu em 1970, mas cerca de 9000 trabalhadores da fábrica receberam formação relacionada com eletrificação. O Electric partilha a linha com as restantes motorizações, refletindo a estratégia da JLR de propor diferentes soluções de propulsão na mesma arquitetura técnica. Motores e baterias também são fabricados em Inglaterra, no Electric Propulsion Manufacturing Centre que a JLR tem em Wolverhampton,


Preços desde 165.962 € em Portugal

O Range Rover Electric já pode ser encomendado e está disponível com distância entre eixos curta e longa, embora a oferta varie de acordo com os mercados. A gama contempla os níveis de equipamento SE, HSE e Autobiography, aos quais se juntam os pacotes desportivos SV, SV Ultra e SV Black. E existe ainda uma First Edition, proposta nas cores Belgravia Green, Santorini Black ou Varesine Blue e com novos materiais Light Cloud Ultrafabrics PU e Kvadrat no habitáculo. Em Portugal, preços a partir de 165.962 €.

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