Paris-2026: Renault E-Space recupera espírito do Espace
Atualizado: há 9 horas
Na contagem decrescente para a edição de 2026 do Mondial de l’Auto, em Paris, França, que decorre entre 12 e 18 de outubro, a Renault anunciou uma novidade para uma das maiores exposições automóveis do ano na Europa: o E-Space Concept. Este modelo, que a marca apresenta ainda como um estudo, é uma proposta de reinterpretação contemporânea do Espace de 1984.

O E-Space Concept, com 4,70 m de comprimento, apresenta-se como a visão da marca do losango para a mobilidade familiar e as viagens na era dos automóveis elétricos. Este estudo surge mais de quatro décadas depois do contributo muito ativo do Espace original para a criação e popularização no mercado europeu do conceito de MPV (monovolume). Assim, depois das estreias de R5, R4 ou Twingo, os franceses recuperam outro nome importante da sua história, neste caso para projetarem o topo de gama do futuro.
A Renault divulgou apenas uma imagem e disse muito pouco sobre o concept, reservando o anúncio de todas as características do estudo para a conferência de Imprensa de dia 12, após a abertura das portas da exposição na capital francesa. No entanto, percebe-se que o protótipo tem dimensões generosas, carroçaria em cor preta com reflexos rubi, assinaturas luminosas em forma de “U” tanto à frente como atrás e o emblema do losango iluminado posicionado no centro da dianteira e integrado numa composição de píxeis.

A designação do estudo apresenta-se como uma ponte entre passado e futuro. O “E” remete para E-Tech e eletrificação, enquanto “Space” sublinha a importância do conforto, do espaço interior e da tecnologia embarcada. Para a Renault, o E-Space Concept é a reinterpretação mais contemporânea do conceito de “voiture à vivre”, expressão que a marca francesa utiliza já há muito tempo para descrever todos os automóveis orientados para a promoção do bem-estar a bordo. A ideia é mesmo a recuperação dos princípios que distinguiram o Espace, nomeadamente o espaço, a modularidade e a orientação familiar, e adaptá-los à era da mobilidade elétrica.

Do auge dos MPV ao domínio dos SUV
Apresentado em 1983 e comercializado a partir de 1984, o Espace posicionou-se entre os modelos que impuseram na Europa o formato de monovolume, propondo uma combinação invulgar à época entre espaço, modularidade e capacidade para transportar até sete pessoas. O modelo protagonizou um arranque comercial algo discreto, mas a verdade é que o conceito acabou por impor-se e teve o período de fulgor nas décadas de 1990 e 2000, sobretudo depois da disseminação da fórmula nos segmentos mais populares, com modelos como o Renault Scénic.
Os números apresentam-nos o impacto do formato no mercado europeu. Os MPV, entre 1985 e 1995, representavam apenas cerca de 1% a 2% do mercado europeu, devido ao número muito limitado de modelos com o formato. Depois, a “explosão” — quer da oferta, quer da procura! Em 1997, os monovolumes já significavam 4,5% dos registos de automóveis novos na região, número que aumentou para 7,5% em 2000 e 11,5% em 2003. O máximo histórico foi atingido em 2006, com 2,3 milhões de unidades e uma quota de 15%. Então, todos os grandes construtores europeus dispunham de um ou mais modelos com estas características nas gamas (Citroën Xsara Picasso e C4 Picasso, Opel Zafira, Ford Galaxy, S-MAX e C-MAX, Volkswagen Touran e Sharan, etc.).
Depois, surgiram os Sport Utility Vehicles (SUV), que ganharam quota rapidamente — 3% em 2000, 7% em 2005, 12% em 2010, 23% em 2015 e 40% em 2020. Já os MPV movimentaram-se no sentido oposto: 15% em 2006, 12% em 2008, 10% em 2013, 5% em 2018 e 2% em 2022, com apenas 210.000 unidades. Em 2023, pela primeira vez, os SUV representaram mais de metade das matrículas na União Europeia (UE), com uma quota de 51%, enquanto os MPV estavam já reduzidos a cerca de 2%.
Em Portugal, esta mudança é ainda mais evidente. Nos primeiros oito meses do ano, foram matriculados 166.521 ligeiros de passageiros, dos quais 96.540 eram SUV, o que representa 57,97% de quota. Os monovolumes registados foram 1997, ou 1,20%. Ou seja, no nosso País, por cada MPV matriculado venderam-se, números redondos, 48 SUV!

A Renault, com o Espace, acompanhou a mudança. A quinta geração, apresentada em 2014, começou a abandonar o formato de MPV e a aproximar-se do de SUV, mas a aposta mantinha-se no espaço a bordo e na versatilidade do interior. A rutura deu-se apenas em 2023, com o automóvel atual, que a marca francesa anunciou como SUV de cinco ou sete lugares. O modelo, baseado na plataforma CMF-CD, mede 4,72 m de comprimento e mantém o nome e a orientação, mas adotou de vez a arquitetura e a imagem do formato dominante no mercado europeu.
E as motorizações também estão a mudar rapidamente. Nos primeiros oito meses do ano, os elétricos representaram 26,83% das novas matrículas em Portugal, mais 42,76% do que no período homólogo de 2025. Em apenas dois anos, a quota desta tecnologia aumentou de 17,70% em 2024 para 20,60% em 2025 e 26,83% em 2026.
É neste contexto que surge o Renault E-Space Concept: não como um regresso ao MPV de 1984, mas como uma nova interpretação da mesma ideia de automóvel, adaptada à era elétrica!

Megane ganha bateria LFP de 67 kWh
Outra das novidades da Renault em Paris-2026 é a atualização do Megane E-Tech. Anunciam-se mudanças no design, capacidades digitais inéditas e, sobretudo, o reforço da gama com uma bateria LFP de 67 kWh de capacidade!
Atualmente, o modelo comercializado em Portugal tem bateria NMC com 60 kWh de capacidade útil, associada ao motor elétrico de 160 kW (220 cv). A marca anuncia até 468 km de autonomia e o sistema admite carregamentos rápidos em corrente contínua de até 130 kW. Para a versão techno 220 cv autonomia conforto, preços desde 38.830 €.

Com a nova atualização, a capacidade da bateria aumenta para 67 kWh, muda-se a química NMC pela LFP, menos dispendiosa, a autonomia progride para até 500 km e o desempenho do carregamento rápido melhora 25% — segundo a marca, a energia na bateria aumenta de 15% para 80% da capacidade de armazenamento em 0h24! O preço e a data de lançamento desta nova versão no mercado nacional ainda não foram anunciados.
A Renault confirma a implementação progressiva da tecnologia LFP em toda a gama de automóveis elétricos, com o objetivo de otimizar a relação preço-autonomia. E, assim, depois de Twingo e Megane, também Scenic e Renault 5 passam a contar com novas baterias LFP, seguindo-se depois o Renault 4. As capacidades anunciadas são de 27,5 kWh no Twingo, 37 kWh no Renault 5 e 67 kWh no Megane e no Scenic.
R5 Turbo 3E com 555 cv
Outra atração no espaço da Renault no salão de Paris: 5 Turbo 3E em configuração cada vez mais próxima do automóvel de produção em série — limitada! Inspirado nos excitantes R5 Turbo e Turbo 2 da década de 1980, dispõe de motores elétricos nas rodas traseiras e 555 cv, o que faz dele o automóvel de estrada mais potente da história da marca francesa.
Finalmente, no Twingo E-Tech, teto panorâmico Twingobay, opcional proposto por 550 € em Portugal, e, no Rafale, edição limitada Hypnotic da versão E-Tech 4x4 300 cv Atelier Alpine.
Dacia e Alpine também têm novidades
No Grupo Renault, entre os cerca de 50 automóveis em exposição, há novidades quer na Dacia, quer na Alpine. Na primeira, segunda geração do citadino elétrico Spring e o crossover compacto Striker. Na segunda, o A110 Sculpture, que antecipa a terceira geração do desportivo francês — exclusivamente elétrica —, e a apresentação do estudo PS1, acrónimo de Project Special 1.






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