Suzuki e-Vitara S3 61 kWh 4WD
O e-Vitara representa a estreia da Suzuki na produção de carros elétricos, chamando a si a responsabilidade de atrair os fãs da mobilidade sustentável e da simplicidade de condução, mas sem renunciar ao fora de estrada, sobretudo na versão 4WD. A indústria japonesa atrasou-se na introdução da tecnologia, mas parece empenhada em recuperar o tempo perdido. E este automóvel prova-o.

A Suzuki, apesar de já contar com motorizações híbridas há alguns anos, apenas agora passa a contar com automóvel elétrico, demora explicada pela marca japonesa com a necessidade de amadurecimento da tecnologia, sobretudo no domínio das baterias. E fá-lo beneficiando de parceria industrial e técnica com a Toyota. De resto, o e-Vitara é “gémeo” do Urban Cruiser, dois carros produzidos na Índia (o segundo não é vendido no mercado português).
Entre os elementos resultantes de parceria em que a Suzuki assume muitas responsabilidades tanto no desenvolvimento, como na industrialização e na produção, é a plataforma Heartect-e, arquitetura que integra a bateria na estrutura, o que baixa o centro de gravidade e melhora a rigidez sem penalizar a funcionalidade.

Esteticamente, o e-Vitara representa o início de capítulo na história da Suzuki. O SUV com 4,275 m de comprimento mantém a imagem de robustez que encontramos noutros carros da marca. No entanto, a equipa que trabalhou do desenho, empenhou-se na criação de carro com linhas mais audazes do que o habitual – dianteira saliente, grupos óticos posicionados nos extremos da carroçaria, ombros musculados e detalhes que expressam competências “off-road”, como as proteções da carroçaria em plástico. As jantes de 19’’ também valorizam a apresentação.
Também no interior, imagem de robustez, combinando-se o rigor de construção e a qualidade de materiais com o desenho moderno. O habitáculo do e-Vitara é agradável (lamente-se apenas o excesso de sobriedade...) e bem conseguido. Os plásticos rijos são predominantes, mas há revestimentos em pele tanto na faixa horizontal no painel de bordo, como no apoio de braços entre os bancos dianteiros. Na versão S3, a mais bem equipada, tejadilho panorâmico entre os equipamentos de série (aumentando-se a luminosidade, melhora-se o conforto).

O condutor dispõe de painel de instrumentos digital, de 10,25’’ (três modos de apresentação) e o monitor LCD de 10,1’’ do sistema multimédia posicionado no centro do painel de bordo satisfaz, mas não tem a apresentação moderna e a rapidez de atuação dos sistemas deste tipo que encontramos em muitos rivais do e-Vitara. A conexão sem fios para Android Auto e Apple CarPlay torna este facto menos importante. A maioria das funções do carro comanda-se neste ecrã tátil, nomeadamente os apoios eletrónicos à condução e a climatização. A “app” Suzuki Connect permite interações remotas com o automóvel, nomeadamente a definição de horário para o carregamento da bateria. O sistema também permite observar o estado da autonomia.
Notas positivas tanto para os comandos físicos do ar condicionado, como para os espaços de arrumação disponíveis no interior. Os bancos dianteiros são ergonómicos e têm aquecimento, e o do condutor, nesta versão S3, também conta com regulações elétricas.
Onde o e-Vitara perde pontos é na conveniência familiar. A habitabilidade é correta para quatro adultos, mas o espaço nos lugares traseiros satisfaz só em comprimento, devido à hipótese de regulação longitudinal dos assentos, função que também permite gerir a capacidade da mala – 238 a 310 litros (rebatendo-se encostos posteriores, o volume disponível aumenta para 1052 litros).

Facilidade de condução
Orientada para condutores que procuram mais versatilidade de utilização e a possibilidade de saírem do asfalto, o e-Vitara, na versão 4WD (AllGrip), está disponível apenas com uma bateria LFP de origem BYD que tem 61 kWh de capacidade. Alimenta dois motores: o dianteiro tem 174 cv e traseiro 65 cv. O rendimento combinado do sistema é de 184 cv (135 kW) e 307 Nm. Estes números permitem que o e-Vitara possa conduzir-se, no modo mais desportivo, com agilidade mais do que suficiente, reconhecendo-se-lhe até respostas capazes de entusiasmarem. Essa capacidade de desempenho não é substancialmente penalizada pela ativação do modo Eco, ação que aumenta a eficiência através da modulação da resposta do pedal do acelerador. O consumo médio na ordem dos 16 kWh/100 km (16,4 kWh/100 km neste teste) é interessante.
Esta versão 4WD tem atributos específicos para atuação dentro e fora do asfalto. O modo Auto reduz as perdas de motricidade em pisos com aderência precária (neve ou gelo, por exemplo), enquanto o Trail incrementa as capacidades fora de estrada por ação do sistema LSD que trava (parcial ou completamente) uma roda sem aderência e envia mais binário para a oposta do mesmo eixo, o que permite sair facilmente q.b. de zonas complexas. O sistema atua de forma independente nos dois eixos e é controlado centralmente. Num trajeto em piso de terra batida, o e-Vitara comportou-se sempre à altura das expectativas.
O e-Vitara pode melhorar na autonomia (nesta versão, até 395 km) e na potência de recarga da bateria, que é de somente 90 kW em corrente contínua.
Ainda assim, o “habitat” mais comum do Suzuki é o asfalto, onde exibe comportamento muito equilibrado, por combinar agilidade com conforto, com bastante segurança nas mudanças de trajetórias, mesmo registando-se algum rolamento da carroçaria sempre que as transferências de massa eram mais exigentes. Aí, elogie-se a qualidade da atuação da tração às quatro rodas. A direção é pouco informativa. Este e-Vitara, como outros carros da marca, privilegia, sobretudo, a facilidade de condução, que também beneficia com a boa visibilidade proporcionada pelo banco sobrelevado.
Capacidade de (a)tração
Com o e-Vitara como primeiro automóvel elétrico, a Suzuki quis dar um passo seguro em vez de propor qualquer tipo de revolução, por isso criando um modelo de acordo com os princípios já conhecidos da robustez, qualidade de construção e facilidade e previsibilidade na condução, o que fazes esquecer pecadilhos como a potência de carregamento em corrente contínua algo limitada e a capacidade da bagageira. A tração 4WD é elemento diferenciador, tratando-se de recurso técnico pouco comum no segmento e mais-valia para quem procura versatilidade fora de estrada.
No entanto, a adoção de um segundo motor elétrico não tem impacto apenas na versatilidade: também é refletida no preço a pagar. Esta versão com nível de equipamento S3 é proposta por 41.771 € (com a campanha comercial em vigor). Compensa-o a equipamento abundante, com jantes de 19’’, câmara 360, teto panorâmico, carregador “wireless” para telemóveis e sistema de som Infinity, entre muitos outros itens. A S2 está disponível desde 38.863 €.
E se dispensar o “off-road”, há e-Vitara 2WD com a mesma bateria e preços a partir de 35.813 €, também com o S2). Neste caso, mais-valia maior, uma vez que a autonomia WLTP anunciada é de até 426 km. Outro argumento importante do Suzuki: garantia de 10 anos/200.000 km.








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