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Ticktum ganha Tóquio 1, Félix da Costa 9.º

O britânico Dan Ticktum, da Cupra KIRO, ganhou a ronda 14 do Mundial de Fórmula E, ou o primeiro dos dois ePrix deste fim de semana em Tóquio, no Japão. Conseguiu-o superando Jake Dennis, da Andretti, na antepenúltima curva do circuito com 2,575 km, beneficiando de problema técnico que originou quebra de potência no monolugar elétrico do compatriota. O neozelandês Nick Cassidy, da Citroën Racing, garantiu a terceira posição numa corrida marcada por incidente entre ex-companheiros de equipa: o alemão Pascal Wehrlein, da Porsche, e o português António Félix da Costa, da Jaguar.



“Tenho muitos erros no currículo, sim, mas hoje fiz tudo corretamente! Preparámos muito bem a corrida e executámos o que planeámos, do Pit Boost ao Attack Mode. O pódio deixava-me satisfeito pela equipa, mas tinha a esperança de poder atacar a primeira posição na última volta. A oportunidade surgiu e aproveitei-a. Esta vitória deixa-me muito contente. Fico livre no final da temporada e talvez isto possa contribuir para continuar na Fórmula E no próximo ano”, disse Ticktum, que somou apenas a segunda vitória na categoria (primeira em 2025, em Jacarta). O britânico de 27 anos, personalidade controversa, tem diversos resultados importantes ao longo da carreira, nomeadamente dois triunfos no Grande Prémio de Macau (2017 e 2018).



Evans de regressa ao topo do campeonato 

O ePrix de Tóquio antecipava-se movimentado, mas foi-o apenas na segunda metade e após as paragens obrigatórias nas boxes para recarregamentos das baterias dos monolugares elétricos. Na primeira, Dennis mante-se no comando, à frente de Edoardo Mortara, da Mahindra, impondo ritmo lento que aumentava a eficiência no consumo e garantia a disponibilidade de energia no final do ePrix.



No entanto, por existir a ameaça de chuva, que chegou a aparecer durante a corrida, mas não de forma a perturbá-la, o suíço Sébastien Buemi arriscou uma estratégia alternativa e, precocemente, acionou o Modo de Ataque (ativa mais 50 kW e as quatro rodas motrizes). O piloto da Envision Racing chegou-se à frente do pelotão e, quando começaram os Pit Boost, abrandou mais o ritmo, o que originou confusão no meio de pelotão demasiado denso, sobretudo em curva e nas travagens.


Esta “manobra” de Buemi esteva na origem o primeiro momento “eletrizante” da corrida, que teve António Félix da Costa como protagonista. O Porsche do alemão Pascal Wehrlein, na tentativa de ganhar posições, bateu no monolugar do piloto português e empurrou-o contra o muro exterior da curva oito- Fê-lo na 18.ª das 36 voltas e a ação acabou com a ambição dos dois de conseguirem um pódio na estreia das corridas noturnas em Tóquio.



António conseguiu prosseguir em prova, mas perdeu muitas posições, enquanto Wehrlein, com a suspensão dianteira esquerda do 99X Electric danificada, parou nas boxes. O alemão chegou a sair do Porsche, mas regressou ao monolugar e à pista depois de receber penalização de 10 segundos pelo incidente, certamente com o objetivo de não transportar o “prejuízo” para a corrida de amanhã. Todavia, seria desclassificado por razões e com consequências ainda desconhecidas. Confirmada está a perda do comando do Mundial para o neozelandês Mitch Evans, da Jaguar, quarto classificado neste ePrix.

 

Félix da Costa, terminando em nono, limitou os danos pontuais do incidente e mantém a quinta posição no campeonato. Este domingo, repete-se o programa de hoje, com corrida sem Pit Boost e apenas 33 voltas após nova sessão de qualificação.



“Perdi uma oportunidade incrível”, lamenta o português 

António, depois do ePrix de Tóquio, apresentou-se-nos frustrado com o resultado de corrida em que ambicionava mais. O incidente com Wehrlein, contou o piloto português, custou-lhe, provavelmente, uma posição no pódio e, mais importante, pontos para um campeonato que ainda ambiciona ganhar.

 

“A corrida estava a ser perfeita. Sempre entre os primeiros três classificados, com uma gestão de energia muito boa. Sentia-me tranquilo, sabia que podia aumentar o ritmo e atacar após as paragens nas boxes, tal como sucedeu nas corridas que ganhei este ano. Mas, o Buemi ativou o modo de ataque muito cedo e mudou tudo. Quando começaram os Pit Boost, abrandou e o pelotão ficou muito junto. Carros a mais lado a lado nas curvas… No meio da confusão, o Wehrlein bateu-me e acabei contra o muro. Felizmente, pude continuar e salvar alguns pontos”, contou Félix da Costa, que surgiu aos jornalistas apenas depois de conversa nos bastidores com o alemão.



O português lamenta o infortúnio. “Perdi uma oportunidade incrível para recuperar posições no campeonato. Hoje, tenho 99% de certeza, ou vencia, ou era segundo, mas fui apenas nono. Mantive a distância para o topo da classificação, mas tenho menos uma corrida. E o meu companheiro de equipa, agora, está no comando do Mundial, e tenho de esperar pelo que é decidido internamente. Como sempre, vou dormir e recuperar. Amanhã, dia novo, oportunidade nova, vou regressar motivado e com garra”, prometeu.



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