Volkswagen pode congelar salários até 2030
O Grupo Volkswagen prepara-se para congelar até 2030 os salários dos cerca de 660.000 trabalhadores que emprega em todo o mundo, acrescentando uma nova medida de redução de custos ao profundo processo de reestruturação anunciado em setembro. De acordo com fontes do maior fabricante europeu de automóveis, citadas por uma publicação alemã, esta intenção já foi transmitida internamente aos responsáveis pelos recursos humanos, mas continua ainda por negociar com os representantes dos trabalhadores.

Esta medida, recorda-se, é conhecida menos de dois meses depois de o Conselho de Supervisão do consórcio alemão ter aprovado o “Future Plan 2030”, que poderá representar, considerando os cortes acordados já anteriormente, uma diminuição de cerca de 100.000 postos de trabalho. E o programa também prevê uma redução de até 50% no número de automóveis das diversas marcas e uma mudança rápida na estrutura industrial europeia. O objetivo é torná-la mais flexível e pequena.
A existência do novo plano para as remunerações foi revelada pelo “Süddeutsche Zeitung” e, depois, confirmada pelo Conselho Mundial de Trabalhadores do Grupo Volkswagen, que diz ter recebido informações sobre a intenção da administração. Em causa, a manutenção até 2030 dos salários aos níveis de 2026. Sem aumentos nominais até ao final da década, estima-se que a perda de poder de compra possa aproximar-se dos 10%, em função da inflação.

A reação foi imediata. O conselho de trabalhadores promete opor-se ao programa e lembra que alterações às remunerações estão sujeitas aos diferentes processos de negociação coletiva. A Volkswagen não confirmou o congelamento e disse que a informação é especulativa, anunciando, no entanto, a apresentação de proposta relativa aos custos laborais numa próxima negociação com os representantes dos trabalhadores.
Decisão integrada no plano de reestruturação
O controlo salarial enquadra-se no Future Plan 2030 aprovado pelo Conselho de Supervisão no início de setembro. Como E-AUTO noticiou então, cerca de 50.000 postos de trabalho já estavam abrangidos por planos de redução já anteriormente acordados na Volkswagen, Audi, Porsche e CARIAD, para o horizonte de até 2030, recorrendo a reformas antecipadas e diversas medidas voluntárias de resolução dos contratos. A isto juntou-se uma necessidade extra de ajustamento de 50.000 empregos, mas o segundo número não representa qualquer programa “fechado” de despedimentos com calendário e distribuição definidos por marcas, empresas ou países, funcionando apenas como uma referência para a dimensão da redução estrutural necessária. Considerados em conjunto, os processos representam uma redução do efetivo na ordem dos 100.000 trabalhadores.

Este plano também pretende responder ao excesso de capacidade produtiva que o consórcio identifica na Europa. Emden, Hannover e Zwickau, da Volkswagen, e Neckarsulm, da Audi, posicionam-se entre as muitas fábricas alemãs com futuro por definir quando terminarem os atuais programas de produção, o que sucederá entre 2031 e 2034. Não foi anunciado o encerramento de qualquer de unidades e a empresa está a estudar utilizações alternativas.
Outra das medidas previstas é uma diminuição de até cerca de 50% do número de carros comercializados pelas diferentes marcas até 2035, concentrando recursos, volumes e investimento num número mais reduzido de automóveis, plataformas e tecnologias. O Grupo Volkswagen procura ganhar competitividade em contexto de pressão dos fabricantes chineses, custos de produção mais elevados na Europa e investimentos significativos em eletrificação, baterias e “software”.
O objetivo inscrito no Future Plan 2030 é preparar o Grupo Volkswagen para vender cerca de nove milhões de automóveis/ano e alcançar uma margem operacional de 9% em 2030. Em Portugal, até ao momento, este programa não colocou em causa a Autoeuropa. Em Palmela, faz-se o T-Roc e prepara-se a produção de novo carro: o citadino elétrico acessível antecipado pelo protótipo ID. EVERY1.






Comentários