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Leapmotor já faz carros e baterias na Europa

há 13 horas
3 min de leitura

A Leapmotor International, divisão responsável pela operação da marca chinesa de automóveis com novas energias (elétricos e híbridos Plug-In), companhia em que a Stellantis detém uma participação maioritária (51%), já iniciou a produção do B10 na fábrica do consórcio franco-italo-americano em Saragoça, Espanha. E, simultaneamente, confirmou os preparativos para a introdução de segundo carro nas linhas de montagem da unidade industrial espanhola: o B05.



A Leapmotor torna-se, assim, a primeira fabricante chinesa a produzir na Europa, simultaneamente, automóveis elétricos e componentes de baterias, aproveitando a parceria com a Stellantis para aumentar a implantação industrial no continente. A produção do Sport Utility Vehicle (SUV) elétrico arrancou no dia 16. A fábrica de Saragoça também produz Opel Corsa, Peugeot 208 e Lancia Ypsilon.


No mesmo dia, arrancou a atividade industrial numa unidade próxima dedicada à produção de módulos de baterias LFP, destinados aos automóveis fabricados em Saragoça. As duas operações permitem à Leapmotor aumentar o conteúdo local dos seus carros e reduzir a dependência das importações provenientes da China.



B05 quase na linha de montagem

E esta presença industrial vai aumentar já em 2027. A Leapmotor confirmou que o B05, compacto elétrico apresentado recentemente, será o segundo automóvel da marca produzido em Saragoça. A operação deverá arrancar no primeiro semestre do próximo ano.


A utilização da capacidade produtiva instalada da Stellantis permite ao fabricante chinês aumentar a velocidade da expansão europeia sem necessidade de investir na construção de raiz de novas unidades e, simultaneamente, beneficia de toda a rede industrial e comercial já instalada pelo consórcio franco-italo-americano – o segundo maior fabricante de automóveis na Europa.



Preparada para o “Made in Europe” da UE

Esta localização da produção em Espanha deixa a Leapmotor International muito bem posicionada para o cumprimento das futuras regras da União Europeia (UE). Bruxelas, recorda-se, pretende adotar regulamento “Made in Europe” que garanta a proteção da indústria automóvel na região, mas associando apoios públicos não só à montagem dos carros, mas também à incorporação de percentagem mínima de componentes fabricados na região.


A produção do B10 e do B05 em Saragoça, associada à montagem de módulos de bateria na unidade vizinha de Mallén e ao recurso a toda a cadeia de fornecimento da Stellantis, coloca a Leapmotor em posição muito mais favorável para satisfazer os futuros requisitos de Bruxelas.


A Stellantis já afirmou que a localização industrial da Leapmotor em Espanha tem como objetivo o cumprimento dos futuros critérios da UE e permite que a parceria combine tecnologia chinesa com produção e maior conteúdo industrial europeu.



Início da parceria remonta a 2023

A relação entre as empresas ganhou dimensão estratégica em setembro de 2023, quando a Stellantis, sob o comando de Carlos Tavares, anunciou um investimento de 1,5 mil milhões de euros na compra de cerca de 20% do capital da Leapmotor e criar, posteriormente, a Leapmotor International, uma “joint venture” detida a 51% pelo consórcio franco-italo-americano e 49% pelo fabricante chinês, com direitos exclusivos para exportação, comercialização e produção dos carros da marca fora da China. O português, recorda-se, abandonou a direção do construtor apenas a 1 de dezembro de 2024.


É esta estrutura que permite à Leapmotor recorrer a fábricas, redes de distribuição e capacidade e experiência industrial da Stellantis para aumentar a velocidade do prorgrama de internacionalização.



Produção local reduz exposição às taxas

E a produção europeia tem impactos positivos imediatos. Os automóveis elétricos importados da China, desde 2024, pagam taxas aduaneiros adicionais (adotou-as a EU), que são somados à tarifa normal de 10%, facto que faz com que a produção na região representa uma vantagem competitiva importante.


A Leapmotor, ao fabricar o B10 (e o B05…) em Espanha, reduz a exposição a essas tarifas e aproxima a produção dos principais mercados europeus. E o fabrico local de componentes para baterias reforça a estratégia, tanto mais que Bruxelas está a trabalhar num regulamento paro aumento da incorporação industrial europeia nos automóveis eletrificados vendidos no continente.


A aposta na Europa acompanha o momento de crescimento rápido nas vendas da Leapmotor. A marca tem apenas 11 anos, começou a vender automóveis elétricos e ou equipados com sistemas de extensão da autonomia na China em 2019 e está já entre os maiores fabricantes chineses de carros eletrificados – superam-na só a BYD, Geely e Chery. No primeiro semestre do ano, as vendas internacionais foram de quase 100.000 unidades, mais de quatro vezes do registado no mesmo período de 2025, e as vendas globais aumentaram 61%, para cerca de 356.000 veículos. A associação à Stellantis tem contribuído muito para este sucesso.

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