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Volkswagen T-Roc 1.5 eTSI R-Line

Lançado originalmente em 2017, e com “cartão de cidadão” português, uma vez que é fabricado pela Volkswagen na Autoeuropa de Palmela, o T-Roc afirmou-se depressa como um dos pilares do construtor. Em 2025, ano de despedida da primeira geração, foi mesmo o Sport Utility Vehicle (SUV) e carro da marca alemã mais vendido na Europa. O sucessor apresenta-se com argumentos convincentes, por dispor de imagem e tecnologia(s) mais modernas. Esta versão com motor 1.5 eTSI de 150 cv prova-o.



É difícil dissociar o T-Roc de um certo sentimento de patriotismo automóvel. Produzido na Autoeuropa desde 2017, o SUV foi ganhando peso estratégico dentro da gama Volkswagen até atingir o estatuto de verdadeiro “best-seller” europeu. Ao longo do ciclo de vida, somou mais de dois milhões de unidades produzidas, um número que confere à segunda geração uma responsabilidade acrescida.

 

O novo T-Roc, também fabricado em Portugal, responde a essa herança com uma evolução transversal muito bem conseguida. Está mais moderno visualmente, apresenta melhorias claras ao nível da qualidade percebida, integra tecnologia mais avançada e passa a contar com uma gama de motorizações eletrificadas. A base técnica é a plataforma MQB evo, que partilha com automóveis como o Tiguan, o que desde logo representa um salto qualitativo em tudo o que é importante.



Interior mais cuidado

O habitáculo foi redesenhado de fio a pavio e a melhoria da qualidade percebida é imediata. Materiais mais suaves, melhor montagem e um aspeto global mais sólido fazem-se notar em zonas como os painéis das portas, o painel de bordo ou a consola central, representando um avanço significativo face ao modelo anterior.

 

Na versão R-Line, estes progressos são acompanhados por elementos específicos, como os bancos dianteiros de desenho mais desportivo (logótipo “R” inscrito nos encostos), o que assegura bons apoios, ou os pedais em alumínio. A vertente tecnológica é assegurada pelo painel de instrumentos Digital Cockpit Pro, personalizável, e pelo novo monitor central tátil de 12,9’’ posicionado numa zona elevada do “tablier”.



Este ecrã passa a concentrar quase todas as funções do carro, incluindo a climatização, que dispõe de uma barra inferior permanente para acesso rápido ao sistema. Não é a solução mais intuitiva à primeira utilização, é verdade, mas revela-se funcional depois de cumprido um período (curto…) de habituação. O sistema multimédia é rápido, compatível com Android Auto e Apple CarPlay sem fios, inclui navegação conectada e permite, ainda, a instalação de aplicações.

 

Outros destaques vão para a passagem do seletor da caixa DSG para trás do volante, o regresso de botões físicos ao volante e a presença de um comando rotativo na consola central, que permite alternar entre o controlo do volume do som e o seletor dos modos de condução, bastando pressionar o centro para alternar funções.

 

Também nas dimensões se registam progressos. O novo T-Roc cresce 12 cm em comprimento, o que se traduz num aumento da habitabilidade, sobretudo nos lugares traseiros, onde há agora mais espaço para as pernas, mesmo para adultos de maior estatura. A bagageira acompanha esta evolução, aumentando 30 litros para um total de 475 litros, o que reforça a vertente familiar do SUV compacto da Volkswagen.



Eficaz e seguro

Por agora, a versão mais potente da gama é esta, que combina um motor a gasolina sobrealimentado — com tecnologia de desativação de cilindros — com um sistema “mild hybrid” de 48 V. O resultado é uma solução equilibrada, que melhora tanto o desempenho como a eficiência face a propostas anteriores com o mesmo conjunto mecânico.

 

Mesmo no modo de condução Eco, o T-Roc revela respostas progressivas, com bom aproveitamento do binário desde baixos regimes. O sistema de 48 V desempenha aqui um papel importante: em acelerações mais exigentes, o motor de arranque/alternador acionado por correia fornece até 19 cv e 56 Nm adicionais, apoiando o motor térmico sobretudo nas rotações mais baixas e contribuindo para uma condução mais fluida.



Apesar de não se tratar de uma motorização de vocação desportiva, o funcionamento global é agradável e refinado. A caixa DSG de 7 velocidades gere bem as diferentes situações, com passagens suaves e sem hesitações, tanto a subir como a reduzir relações. Destaque ainda para a função de condução à “vela”, que desacopla o motor térmico sempre que não há solicitação do acelerador, o que beneficia os consumos e as emissões de CO2.

 

Embora o valor homologado (5,7 l/100 km) seja difícil de replicar em condições normais de utilização, o consumo médio de 6,7 l/100 km registado num percurso misto de cerca de 100 km, sempre em modo Eco, revela-se mais do que aceitável para um SUV deste segmento.



Dinamicamente, o T-Roc novo apresenta um comportamento mais polido e maduro do que o antecessor. As jantes de 20’’ penalizam ligeiramente a absorção de irregularidades do piso, mas a afinação da suspensão é suficientemente competente para não comprometer o conforto. Em curva, o comportamento é previsível e seguro, com boa gestão das transferências de massa, apoiado por uma direção informativa e precisa. O conjunto privilegia a eficácia e a segurança em detrimento da emoção, numa abordagem próxima da filosofia do Golf. O bom nível de insonorização e a ausência de vibrações contribuem para o elevado grau de refinamento.


Soma das partes

A passagem para a segunda geração traz, inevitavelmente, um acréscimo de preço. O T-Roc “arranca” nos cerca de 33.800 € (versão Trend), enquanto o nível R-Line está disponível a partir de 44.436 €. Um valor já elevado, que pode escalar rapidamente com a adição de opcionais.



A unidade ensaiada incluía, entre outros, a pintura metalizada Azul Celestial com tejadilho preto (1183 €), jantes Calgary de 20’’ (554 €), Pacote Black Style R-Line (599 €), faróis IQ.Light LED Matrix (498 €) e Pacote Tecnologia R-Line (812 €), itens que elevam o preço a pagar para perto dos 50.000 €. Ainda assim, isso não belisca o mérito do conjunto.

 

O T-Roc de segunda geração é claramente mais evoluído, mais moderno e mais bem construído, oferecendo mais espaço, melhor tecnologia e uma gama de motorizações competentes e eficientes. No caso do 1.5 eTSI de 150 cv, a eletrificação contribui para uma entrega de potência mais suave e eficaz. Em suma, este Volkswagen “made in” Portugal volta a reunir os argumentos necessários para se manter competitivo no exigente segmento dos SUV compactos.



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