VW Mission Efficiency: só 6,89 kWh/100 km!
O novo protótipo da Volkswagen, o Mission Efficiency, utiliza motor e tecnologia da plataforma MEB+ do novo ID. Polo, mas reduz o consumo de energia para somente 6,89 kWh/100 km. E percorreu 1278 km com uma única paragem para carregar! De acordo com a marca alemão, este automóvel elétrico dispõe de soluções já muito próxima da produção em série.

O Mission Efficiency mede 4,775 m de comprimento e 1,392 m de altura, combina formato de “coupé” com configuração interior de 2+2 lugares, e tem mala com 481 litros de capacidade. A versão mais eficiente do ID. Polo tem com consumo médio homologado de 13,3 kWh/100 km – motor de 155 kW/211 cv e 290 Nm alimentado por bateria NMC de 52 kWh de capacidade (de acordo com a homologação WTLP, este carro percorre até 455 km entre recargas). O novo protótipo reduz o consumo para cerca de metade!
Num percurso com 1278,36 km entre o centro de desenvolvimento da Volkswagen em Wolfsburgo, Alemanha, e Viena, Áustria, com passagem por Poznań, Polónia, e Olomouc, República Checa, este protótipo registou 6,89 kWh/100 km, ignorando a perda de energia no carregamento, ou 7,51 kWh/100 km, incluindo-a. A velocidade média foi de 67,72 km/h e a máxima atingiu os 138 km/h.

Facto não menos mais impressionante: a bateria de 54,9 kWh de capacidade (útil) foi carregada uma vez durante todo o percurso e, na chegada à capital austríaca, o computador de bordo do Mission Efficiency indicava 164 km de autonomia! Para o acumulador de energia, a Volkswagen adaptou por “software” a bateria de 52 kWh de capacidade no ID. Polo, o que permitiu ao protótipo contar com 54,9 kWh (num automóvel de produção em série, para salvaguarda longevidade das células, estas soluções não são disponibilizadas).
Um protótipo, três recordes
O Mission Efficiency apresentasse-nos como o detentor de três novos recordes. O primeiro deve-se à aerodinâmica: com um coeficiente de resistência ao ar (Cx) de 0,158, este modelo impõe-se como referência entre os automóveis homologados para estrada. O segundo foi conseguido numa situação ótimo: mantendo 68 km/h constantes num percurso sem subidas, e com os consumidores periféricos, como o ar condicionado, desligados, o Volkswagen consumiu apenas 6,48 kWh/100 km. E o terceiro corresponde aos 6,89 kWh/100 km obtidos no percurso real até Viena.
Os recordes inscrevem-se na categoria dos elétricos de quatro lugares já próximos da produção e adequados a uma utilização quotidiana. E foram alcançados sem o
desenvolvimento de motor exótico. O Mission Efficiency utiliza a mesma máquina de 99 kW/135 cv, componentes da bateria e a arquitetura MEB+ de tração dianteira do ID. Polo (nesta configuração, o novo segmento B elétrico da marca alemã conta com consumos médios homologados entre 13,6 kWh e 14,9 kWh/100 km).

O segredo está no ar
No Mission Efficiency, a Volkswagen focou-se na diminuição da energia de energia necessária para movimentar o automóvel. O protótipo combina o Cx de 0,158 com uma área frontal de apenas 2,08 m². E a carroçaria em forma de gota, as entradas de refrigeração ativas, as rodas posteriores semicobertas, o fundo carenado de fio a pavio, os vidros das portas sem molduras e os puxadores embutidos contribuem para esta redução muito significativa na resistência aerodinâmica.
E a diferença aumenta com a velocidade. Acima dos 80 km/h, o Mission Efficiency consome mais de 30% a menos do que o ID. Polo. A 140 km/h, o protótipo precisa da mesma energia que o ID. Polo consome a 100 km/h. Isto deve-se igualmente ao tipo de construção, que combina diversos componentes do novo segmento B com uma estrutura monocoque em alumínio e plástico reforçado com fibra de carbono e aramida – integra a família das fibras sintéticas de elevada resistência mecânica e muito baixo peso.
As rodas mereceram também atenções especiais, uma vez que, diz a Volkswagen, representam entre 25% e 30% da resistência aerodinâmica. O protótipo dispõe de defletores patenteados pela marca alemã no interior das jantes e pneus criados “à medida” pela Continental – e são baseados dos EcoContact 7, cuja resistência ao rolamento de 4,9 kg/t fica cerca de 25% abaixo do limite necessário para assegurar a atribuição da melhor classificação europeia (A).
Somam-se o tejadilho e a tampa da mala com células fotovoltaicas que fornecem até 370 W aos sistemas elétricos auxiliares do protótipo. E, dependendo da época do ano, da localização e das condições meteorológicas, a Volkswagen estima que a energia solar possa representar até mais 30 km de autonomia por dia!
De resto, no Mission Efficiency, até à otimização dos travões contribui para ganhos marginais na eficiência energética. À frente, manutenção do eixo MacPherson e do dispositivo hidráulico de travagem do ID. Polo. Já atrás, e em estreia, encontra-se a primeira aplicação de novo sistema eletromecânico desenvolvido e fabricado com a AUMOVIO que reduz as perdas por atrito e otimiza a distribuição da travagem e a regeneração durante as desacelerações e as travagens. Este modelo tem carácter experimental, mas recebeu conta com homologação europeia para circulação em estrada e cumpre todos os requisitos de resistência estrutural e segurança.
A Volkswagen, sublinha-se, não pretende produzir e vender o Mission Efficiency. O protótipo apresenta-se como laboratório de demonstração de todo o potencial da tecnologia MEB+ proposta no ID. Polo e no ID. Cross. A parte mais interessante da nova experiência: se o ID. Polo é capaz de 13,3 kWh/100 km e até 454 km (WLTP), o Mission Efficiency, recorrendo só à aerodinâmica, à diminuição das resistências e à otimização do peso, consome apenas 6,9 kWh/100 km!

E, assim, a Volkswagen demonstra que há alternativa à instalação de baterias com mais capacidade para aumentar, substancialmente, as autonomias dos elétricos: o consumo de menos energia.







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