Zellmer da Skoda para a Volvo
Klaus Zellmer, rosto por detrás dos resultados históricos apresentados pela Skoda, prepara-se para abandonar a direção da marca checa do Grupo Volkswagen e substituir Hakan Samuelsson na presidência da Volvo. A mudança está marcada para a 1 de outubro de 2027. O fabricante sueco propriedade do consórcio chinês Geely (detém 78,9% do capital acionista) procura reencontrar-se com o sucesso na rentabilidade e vendas. Esta movimento coincide com o arranque dos preparativos para a maior ofensiva de produto da empresa escandinava em 100 anos de história, com 13 novos automóveis prometidos até 2030!

A Volvo Cars anunciou a contratação de Klaus Zellmer, atual administrador-delegado da Skoda, para suceder a Hakan Samuelsson na liderança da empresa. Trata-se de transferência importante na indústria automóvel europeia, uma vez que a Volvo recruta o responsável por uma das marcas com melhor desempenho comercial e financeiro do Grupo Volkswagen.
Zellmer, 59 anos, acumula três décadas de experiência no setor, incluindo mais de 20 anos na Porsche. Entre 2015 e 2020, presidiu às operações da marca alemã na América do Norte, antes de assumir a responsabilidade pelo marketing e pelas vendas da Volkswagen. Em 2022, mudou-se para Skoda e, sob a sua liderança, a marca checa reforçou a presença no mercado europeu, acelerou a eletrificação da gama e alcançou resultados financeiros históricos.

Em 2025, a Skoda ultrapassou novamente a barreira de um milhão de automóveis vendidos em todo o mundo, o que não acontecia desde 2019. As 1.043.900 unidades entregues representaram um crescimento de 12,7%, comparativamente a 2024, enquanto as receitas atingiram 30,1 mil milhões de euros e o resultado operacional alcançou um valor recorde de 2500 milhões de euros, correspondente a uma margem de 8,3%. No mesmo período, terceira posição entre os construtores com mais automóveis vendidos na Europa, atrás apenas da Volkswagen e da Toyota.
Duas marcas com resultados muito diferentes
A evolução positiva da Skoda prosseguiu este ano. No primeiro semestre, a marca entregou 555.700 automóveis em todo o mundo, mais 9,1% do que no período homólogo de 2025, e ascendeu à segunda posição entre as marcas mais vendidas na região, ultrapassando a Toyota.
O crescimento das vendas foi acompanhado pela melhoria dos resultados financeiros: receitas de 16 mil milhões de euros (+6,3%), resultado operacional de 1366 milhões de euros (+6,3%) e margem operacional de 8,5%. A eletrificação contribuiu para este desempenho. As entregas dos Elroq e do Enyaq aumentaram 48,3%, para 108.200 unidades, colocando a Skoda na quarta posição entre as marcas de automóveis elétricos mais vendidas na Europa.

Na Volvo Cars, o cenário é muito diferente. Depois de alcançar um recorde de 763.389 automóveis vendidos em 2024, a marca sueca terminou 2025 com 710.042 unidades, o que representou uma quebra de 7%. O resultado operacional ajustado fixou-se em 12,5 mil milhões de coroas suecas, correspondente a uma margem de apenas 3,5%, registo muito inferior ao alcançado pela Skoda.
Este ano, as dificuldades mantêm-se. No segundo trimestre, a Volvo vendeu 171.501 automóveis, menos 5,6% do que no período homólogo de 2025, enquanto as receitas diminuíram para 77,7 mil milhões de coroas suecas (cerca de 6900 milhões de euros) e a margem operacional situou-se em apenas 1,1%.
A marca atribui parte das dificuldades à pressão competitiva, sobretudo na China, aos direitos aduaneiros e aos custos associados à transformação tecnológica da indústria. Apesar da quebra global das vendas, as entregas de automóveis elétricos aumentaram 14% no segundo trimestre, representando já 25% do total das vendas do fabricante baseado em Estocolmo, Suécia, que comemora 100 anos em 2027.

13 novos automóveis até 2030
A contratação de Zellmer coincide no tempo com momento decisivo para o futuro da Volvo Cars, que pretende recuperar competitividade comercial e melhorar a rentabilidade de forma muito significativa. No dia 17, como noticiámos em E-AUTO, a marca anunciou a maior ofensiva de produto em 99 anos de história, com a promessa de 13 novos automóveis até ao final de 2030. Sete destinam-se aos mercados ocidentais e seis serão desenvolvidos apenas para a China.
A estratégia contempla automóveis elétricos e híbridos de nova geração, com gamas diferenciadas em função das características de cada região. A Volvo pretende duplicar a quota de mercado e alcançar, a longo prazo, uma margem operacional superior a 8%. O reforço da cooperação tecnológica com a Geely, incluindo a partilha de componentes e plataformas, encontra-se entre prioridades para reduzir os custos de desenvolvimento e produção.

Samuelsson despede-se pela segunda vez
Hakan Samuelsson, de 75 anos, encontra-se no segundo mandato à frente da Volvo Cars. O primeiro decorreu entre 2012 e 2022, período durante o qual a marca estabeleceu sucessivos recordes de vendas e resultados financeiros.
Regressou em abril de 2025, substituindo Jim Rowan, inicialmente com um mandato de dois anos, para conduzir a reorganização estratégica da empresa e preparar uma sucessão de longo prazo.
Samuelsson continuará a trabalhar com o Conselho de Administração da Volvo Cars para assegurar a transição tranquila até à entrada em funções de Klaus Zellmer, prevista para uma data ainda não especificada, mas nunca posterior a 1 de outubro de 2027.
O Grupo Volkswagen ainda não anunciou o nome do sucessor de Zellmer na Skoda. Segundo Eric Li, do Conselho de Administração da Volvo Cars, a experiência do gestor alemão em marcas “premium” e de grande volume, bem como o seu percurso internacional, estiveram entre os fatores determinantes para esta escolha.






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