China não limita híbridos na Europa
Pequim manifestou-se contra a proposta de Bruxelas para limitar voluntariamente as exportações de automóveis híbridos chineses para a União Europeia (UE), uma vez que estes modelos não são abrangidos pelos impostos adicionais pagos pelos elétricos produzidos na China. De acordo com os números mais atuais, referentes ao período janeiro-julho de 2026, os três híbridos Plug-In (PHEV) mais vendidos na Europa são chineses: BYD Seal U DM-i, BYD Atto 2 DM-i e Jaecoo 7 SHS.

Bruxelas pretendia limitar a quota destes automóveis a cerca de 15% do mercado europeu e tinha a ambição de que Pequim aceitasse a norma de forma voluntária, o que impediria a adoção de mais taxas, ação capaz de comprometer as relações comerciais entre os dois blocos, mas a China recusou a proposta, argumentando que este tipo de restrições violam as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e contrariam os princípios da concorrência e da economia de mercado.
Fontes do Ministério do Comércio da China citada pelo Finantial Times disse-o de forma taxativa: “Opomo-nos firmemente à pretensão da UE”. Porém, Pequim não fecha a porta à hipótese de negociação com Bruxelas que abra caminho a acordo que respeite as normas da OMC e satisfaça os interesses das duas indústrias. Os responsáveis do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China também reagiram à notícia e exigiram o respeito pela EU dos compromissos abertura do mercado e do comércio livre, com garantia de condições para práticas de concorrência justa e não discriminatórias para as empresas de todos os países.

Híbridos escapam às taxas adicionais
O novo capítulo do braço de ferro Europa-China regista-se quase dois anos depois da adoção pela Comissão Europeia (CE) de taxas alfandegárias adicionais para os automóveis elétricos produzidos na China, depois de investigação que confirmou os subsídios de Pequim às exportações de carros com a tecnologia, apoios muito penalizadores para os fabricantes europeus.
As taxas encontram-se em vigor desde outubro de 2024 não são iguais para todos os construtores e atingem os 35,3%, montante que é somado aos 10% de direitos aduaneiros pagos pelos automóveis exportados da China para a Europa. Todavia, a medida abrange apenas os elétricos (BEV) e exclui tanto os híbridos (HEV) como os híbridos Plug-In (PHEV), uma vez que a investigação europeia considerou só os BEV.

E esta diferença fez com que muitos fabricantes chineses, como a BYD e a Chery, investissem mais nestas tecnologias para continuarem a ganhar protagonismo na Europa. Em julho, recorda-se, estas marcas representaram 11,2% das matrículas na região – um recorde! Nos primeiros sete meses de 2026, três carros “made in” China no topo das vendas de PHEV. Durante o mesmo período, e no frente a frente com janeiro-julho de 2025, a procura desta tecnologia cresceu 23,6%: BYD Seal U DM-i, BYD Atto 2 DM-i e Jaecoo 7 SHS. Combinados, os três carros representaram 14,5% das 868.205 unidades matriculados! Não menos surpreendente: enquanto os registos destes carros progrediram de forma significativa, os dos concorrentes europeus diminuíram – 11,1% no caso do Volkswagen Tiguan, o quarto carro mais vendido nesta categoria.







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