Acordo EU-China para híbridos e PHEV
A União Europeia (UE) e a China chegaram a um acordo provisório que reduz para metade as exportações chinesas de automóveis híbridos (HEV) e híbridos Plug-In (PHEV) para o mercado europeu. O entendimento foi anunciado pelo comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, após reuniões em Pequim.

Este acordo acontece num momento de forte crescimento das marcas chinesas na Europa e depois de os fabricantes terem aumentado muito as exportações de híbridos e PHEV, em resposta às tarifas adicionais impostas pela UE aos elétricos produzidos na China.
De acordo com números da Dataforce, as marcas chinesas venderam 913.703 automóveis na Europa nos primeiros oito meses do ano, quase duplicando o volume face ao período homólogo do ano passado e atingindo uma quota de mercado na região de 9,9%.

Esta progressão foi particularmente significativa entre os PHEV, segmento em que os chineses passaram de 11% para 29% do mercado europeu no espaço de um ano. Nos híbridos (MHEV e HEV), a quota aumentou de 7% para 15%. A mudança de estratégia ganhou expressão depois da entrada em vigor das tarifas europeias sobre os elétricos produzidos na China, com o pagamento de direitos aduaneiros de até 45,3%, dependendo do fabricante.
Sefcovic classificou o entendimento alcançado na China como apenas um primeiro passo no processo de reequilíbrio das relações comerciais entre as duas economias. Bruxelas e Pequim acordaram também trabalhar para melhorar o acesso das empresas europeias ao mercado chinês e facilitar o licenciamento das exportações chinesas de terras raras. E mantêm-se as negociações sobre as tarifas aplicadas aos automóveis elétricos chineses.

ACEA saúda acordo
A Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) recebeu positivamente o novo entendimento provisório, considerando-o um passo para reduzir as tensões comerciais entre a UE e a China.
A organização alerta, porém, para a rapidez do crescimento das importações chinesas de híbridos e PHEV. De acordo com os seus números, no primeiro semestre do ano, as marcas chinesas representaram 14% do mercado europeu de híbridos, contra apenas 2% em 2024, enquanto nos PHEV a quota aumentou de 2% para… 25%!
Sigrid de Vries, diretora-geral da ACEA, considera que uma mudança demasiado rápida do equilíbrio do mercado europeu, acompanhada por guerras de preços semelhantes às que se verificam na China, poderia provocar fortes perturbações na indústria automóvel da região. A responsável entende que o acordo abre a porta à possibilidade de uma transição mais ordenada para uma presença crescente dos fabricantes chineses na Europa, salvaguardando os interesses das diferentes partes.

Europa procura proteger indústria
Atualmente, Bruxelas trabalha no reforço da política industrial europeia e prepara novas regras destinadas a valorizar a produção realizada na Europa. O movimento está na origem da preocupação manifestada recentemente pela indústria britânica, que receia que os automóveis, componentes e materiais produzidos no Reino Unido fiquem excluídos das futuras regras “Made in Europe” e dos incentivos associados.
A relação comercial entre a UE e a China enfrenta, por sua vez, um desequilíbrio enorme. O défice comercial europeu com a economia chinesa ultrapassa os 1000 milhões de euros por dia, situação que Bruxelas pretende reduzir através de maior acesso das empresas europeias ao mercado chinês e de mecanismos destinados a limitar os efeitos de importações que são consideradas muito subsidiadas.
Para a indústria automóvel, o acordo tem particular importância porque alarga o debate muito para além dos automóveis elétricos. As tarifas sobre os BEV incentivaram muitos fabricantes chineses a apostar mais nos híbridos e PHEV. E, agora, Bruxelas procura agora evitar que a mudança de estratégia transfira a pressão comercial de uma tecnologia para outra.






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