China ameaça Reino Unido
Pequim avisa Londres para não seguir a União Europeia (EU) na imposição de restrições aos automóveis elétricos chineses. As exportações da China para o Reino Unido aumentaram 87% no primeiro semestre de 2026, comparativamente ao mesmo período de 2025. O Reino Unido, recorda-se, admitiu a possibilidade de alinhar com Bruxelas numa política comercial mais dura perante o crescimento das marcas da China.

Este aviso foi feito pelo Ministério do Comércio chinês, que pediu ao Governo britânico para respeitar as regras da Organização Mundial do Comércio e “pensar duas vezes” antes de acompanhar a UE. Pequim não especificou que medidas poderá adotar, mas garantiu que responderá caso Londres avance com novas limitações.
A posição chinesa é conhecida depois de Anas Sarwar, ministro britânico do Comércio, ter defendido que Reino Unido e UE devem trabalhar em conjunto e “em sintonia” para responder ao peso crescente da China na indústria automóvel.
O mesmo responsável confirmou que Londres está a discutir com parceiros europeus a possibilidade de impor tarifas adicionais aos automóveis elétricos produzidos na China.
Atualmente, os automóveis chineses importados pelo Reino Unido estão sujeitos a uma tarifa aduaneira de 10%, taxa muito abaixo dos impostos adicionais que a UE aplica desde 2024 aos elétricos produzidos na China.

Exportações aumentam 87%
Entretanto, o mercado britânico tornou-se muito importante para os fabricantes chineses. No primeiro semestre do ano, as exportações de automóveis da China para o Reino Unido aumentaram 87%, comparativamente ao período homólogo do ano passado, para cerca de 255.000 unidades. Deste total, aproximadamente 181.000 (71%) tinham motorizações elétricas ou eletrificadas.
A ausência de tarifas adicionais equivalentes às aplicadas pela UE transformou o Reino Unido num dos mercados europeus mais acessíveis para os fabricantes chineses, a razão por detrás da rápida expansão que registaram na região. Pequim considera que qualquer alteração a este enquadramento colocará em causa uma relação comercial assente, segundo o Ministério do Comércio chinês, em “vantagens complementares, igualdade e benefício mútuo”.

Europa aumenta pressão
O aviso ao Reino Unido coincide com o endurecimento da política comercial europeia. Na UE, desde 2024, aplicam-se direitos adicionais de até 35,3% aos automóveis 100% elétricos produzidos na China, aos quais se soma a tarifa normal de importação de 10%.
Esta medida fez com diversos fabricantes chineses acelerassem as exportações de híbridos e híbridos Plug-In, tecnologias não abrangidas pelas taxas adicionais.
Entretanto, Bruxelas e Pequim conseguiram acordo que limita o crescimento das exportações chinesas desses automóveis para a UE, através de sistema de quotas. O início da aplicação da fórmula está previsto para 2027.
E a Comissão Europeia prepara outros instrumentos para reduzir as dependências externas e proteger todos setores que considera estratégicos.

Ameaça chinesa não é só retórica
A ameaça da China ao Reino Unido não surpreende. Depois da entrada em vigor das tarifas europeias sobre automóveis elétricos chineses, Pequim respondeu com medidas comerciais dirigidas aos produtos europeus, incluindo bebidas espirituosas, carne de porco e produtos lácteos.
Agora, o Reino Unido enfrentar o mesmo dilema: aproxima-se da política industrial e comercial da UE ou mantém um mercado aberto aos fabricantes chineses, que representam cada vez mais vendas de carros novos.






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