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Ferrari Luce: primeiro elétrico tem 1050 cv

O Ferrari Luce inaugura um novo capítulo na história da Ferrari, representando o primeiro automóvel de produção em série 100% elétrico da marca de Maranello. Posicionado como um Gran Turismo com cinco portas e cinco lugares, o Luce não procura replicar o superdesportivo tradicional, mas sim reinterpretar a filosofia do fabricante italiano num contexto de eletrificação total, combinando elevado desempenho com utilização quotidiana. O preço na Europa é de 550.000 €.



O Luce foi apresentado em Roma como uma nova interpretação da identidade Ferrari, assumindo uma linguagem de “design” marcadamente diferente da atual. O projeto resulta de uma colaboração entre o Centro Stile Ferrari, liderado por Flavio Manzoni, e o coletivo LoveFrom, de Jony Ive e Marc Newson. O resultado privilegia uma abordagem mais arquitetónica e funcional, com uma “redoma” envidraçada a definir a silhueta e a introdução de uma configuração de quatro portas – uma estreia absoluta na história da marca.

 

A aerodinâmica foi desenvolvida com recurso a canais de fluxo dedicados e soluções ativas, enquanto os grupos óticos permanecem discretamente integrados na carroçaria, desaparecendo visualmente quando desligados. As jantes, com 23’’ à frente e 24’’ atrás, representam as maiores alguma vez utilizadas num Ferrari.



No plano técnico, o Luce assenta numa plataforma dedicada a elétricos, com soluções derivadas da competição para controlo de massa e rigidez estrutural. A motorização é composta por quatro unidades elétricas síncronas de fluxo radial com ímanes permanentes, uma por roda, permitindo tração integral com vectorização de binário totalmente independente. As dianteiras debitam 105 kW cada (210 kW no total), enquanto as traseiras atingem os 310 kW cada (620 kW no total), resultando numa potência combinada de 772 kW (1050 cv). O binário máximo do sistema é de 990 Nm. A marca anuncia 0 a 100 km/h em 2,5 segundos e velocidade máxima superior a 310 km/h.

 

A bateria de 122 kWh está integrada no piso e assume também funções estruturais, contribuindo para um aumento de 35% na rigidez torsional face a modelos anteriores de quatro portas. A arquitetura elétrica de 800 V –pico de até 880 V e compatibilidade com carregamento em 400 V – permite carregamentos de até 350 kW. A autonomia anunciada é de 530 km (WLTP). O conjunto reduz ainda o centro de gravidade em 95 mm e a inércia em curva em 15%, melhorando significativamente a agilidade dinâmica.



O comportamento dinâmico é assegurado por uma suspensão ativa de terceira geração, derivada do F80 e desenvolvida em parceria com a canadiana Multimatic, com sistema elétrico de 48 V e controlo individual por roda. Este sistema permite ajustar continuamente o amortecimento e controlar todos os movimentos da carroçaria, como rolamento, mergulho e inclinação. O eixo traseiro direcional e o subchassis com isolamento elástico contribuem para o refinamento e redução de vibrações.

 

A gestão do automóvel é centralizada numa nova Vehicle Control Unit, capaz de atualizar parâmetros até 200 vezes por segundo, coordenando sistemas de tração, estabilidade e eficiência, incluindo o Side Slip Control de nova geração.



Os modos de condução são geridos através do Manettino (cinco posições) e do eManettino (três modos principais: Range, Tour e Performance). O Range privilegia eficiência, com potência limitada a 320 kW e tração maioritariamente traseira; o Tour disponibiliza 460 kW com tração integral; e o Performance eleva a potência até 725 kW. A potência máxima de 1050 cv é libertada através da ativação do Launch Control.

 

A experiência acústica abandona a simulação de motores de combustão, apostando numa assinatura sonora baseada nas vibrações reais dos componentes elétricos. Estas são captadas por sensores e processadas em tempo real, sendo depois amplificadas para o interior e exterior, criando uma identidade sonora própria.



No habitáculo, a Ferrari aposta num equilíbrio entre interação física e digitalização. O volante integra comandos diretos para modos de condução e funções dinâmicas, enquanto o painel de instrumentos combina mostradores digitais e elementos mecânicos. O sistema multimédia recorre a um ecrã central orientável, complementado por comandos físicos para maior ergonomia em andamento. Os painéis OLED são fornecidos pela Samsung Display.

 

O interior inclui ainda bancos com regulação elétrica, funções de aquecimento e massagem opcional, bem como uma configuração traseira tipo “lounge”. O sistema de áudio, com 21 altifalantes e 3000 W de potência, introduz múltiplos perfis sonoros, desenvolvidos para otimizar a experiência auditiva em função da posição e do modo de condução.



Mais do que um novo modelo, o Ferrari Luce representa uma mudança estrutural na abordagem da marca à eletrificação, integrando design, software e engenharia de chassis num único ecossistema tecnológico orientado para redefinir o conceito de Gran Turismo na era elétrica.

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