Novo Audi Q7: Diesel resiste, mas eletrificado
- José Caetano
- há 31 minutos
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A Audi, num mercado europeu sob pressão, prossegue uma ofensiva de produto quase sem precedentes na história da empresa do Grupo Volkswagen, que compete com BMW e Mercedes-Benz no segmento “premium”. Desta vez, a novidade é a terceira geração do Q7, Sport Utility Vehicle (SUV) que o fabricante de Ingolstadt, de forma algo surpreendente, apresenta com motores a gasóleo, ainda que eletrificados — a quota dos Diesel diminuiu de cerca de 50% em 2015 para menos de 10% em 2025! O modelo novo tem o início das entregas aos clientes programado para o outono e a marca alemã também planeia apresentar um topo de gama inédito (Q9) antes do fim do ano.
Lançado originalmente em 2005 e renovado em 2015, o Q7 tem um papel importante na estratégia da Audi para o segmento E, onde o modelo tem concorrentes como o BMW X5, que também tem geração nova, ou o Mercedes-Benz GLE. A eletrificação também está a progredir nesta categoria, mas as motorizações térmicas ainda são importantes, sobretudo nos automóveis de maiores dimensões — a razão por detrás da estratégia da Audi para o SUV: no arranque da carreira, apenas uma mecânica, a gasóleo (V6 3.0 TDI), mas proposta com dois níveis de potência (245 cv e 299 cv) e apenas em combinação com o sistema híbrido de 48 V MHEV plus.
Na tecnologia MHEV plus, o motor elétrico, com 24 cv (18 kW) e 370 Nm, está montado na linha de transmissão, entre a mecânica de combustão interna e a caixa automática de 8 velocidades Tiptronic. Alimenta-o uma bateria de fosfato de ferro-lítio (LFP), com 1,7 kWh de capacidade e posicionada sob o piso do compartimento de carga. Esta máquina tem a missão de apoiar o V6 3.0 TDI durante as fases de aceleração, mas também é capaz de atuar de forma autónoma em manobras e deslocações curtas realizadas a baixa velocidade, o que contribui para a diminuição dos consumos.
A transmissão é assegurada por caixa automática Tiptronic, associada ao sistema de tração integral permanente quattro e a um diferencial central de deslizamento limitado. Opcionalmente, há sistemas avançados para o chassis, da suspensão pneumática adaptativa desportiva (menos 30 mm de altura ao solo) ao eixo traseiro direcional, recursos que melhoram a agilidade e o conforto, apesar das dimensões e do peso do SUV. O amortecimento variável é de série, tal como os travões com discos dianteiros de 400 mm e traseiros de 350 mm. Entre os extras, como alternativas às jantes de 20’’, de origem, há jantes de 21’’ a 23’’.
A Audi reivindica 0-100 km/h em 7,2 s, velocidade máxima de 222 km/h e consumo médio de 7,1 l/100 km para a versão TDI quattro 180 kW Tiptronic, e 0-100 km/h em 6 s, velocidade máxima de 235 km/h e consumo médio de 7,2 l/100 km para a TDI quattro 220 kW Tiptronic. As duas pesam quase 2,5 toneladas, têm jantes de 20’’ e medem 5,056 m de comprimento e 2,994 m entre eixos.

Pela primeira vez, cinco, seis ou sete lugares
De série, o novo Q7 tem cinco lugares, mas a Audi propõe, opcionalmente, mais duas configurações para o interior do SUV: terceira fila com dois bancos (e sete lugares) ou, pela primeira vez, bancos individuais na segunda fila. Assim, nesta geração, há cinco, seis ou sete lugares. Todos os assentos contam com regulações elétricas e os bancos dianteiros podem ter ventilação e massagem. Já os materiais e a montagem combinam com o posicionamento “premium” do SUV, com padrões de conforto muito acima da média — também no que respeita ao isolamento acústico. A capacidade da bagageira depende da configuração do interior: 806 a 2075 litros, nas versões de cinco lugares, e 722 a 1980 litros, nas de sete.

Ainda no interior, ambiente digital, com um “cockpit” dominado por três monitores de elevada resolução e uma organização intuitiva das principais funções de bordo. No painel, sob o curved panoramic display, posicionam-se o virtual cockpit para a instrumentação (11,9’’) e o MMI do sistema multimédia (14,5’’), ambos orientados para o condutor, que também beneficia de Head-Up Display (HUD) com realidade aumentada (AR). O ecrã de 12,3’’ para o passageiro dianteiro é independente. Para a climatização, a Audi manteve uma interface digital dedicada, integrada na consola central. O “software” tem serviços conectados, incluindo navegação com dados em tempo real, e admite atualizações remotas (OTA), tecnologia que abre a porta à introdução de mais funções. Somam-se uma faixa de LED no “tablier”, de ponta a ponta (esta iluminação dinâmica e interativa permite, por exemplo, transmitir informações e alertas), e um tejadilho panorâmico dividido em nove zonas de regulação dos níveis de opacidade/transparência, que integra 78 LED para iluminação do habitáculo.
Comparado com o carro antecessor, o novo Q7, que assenta na Premium Platform Combustion (PPC), arquitetura técnica do Grupo Volkswagen que substituiu a MLB Evo e que a Audi introduziu em 2024, na terceira geração do A5, adotando-a, depois, nas edições mais modernas do Q5 e do A6, aproxima-se, visualmente, dos modelos recentes da marca dos quatro anéis: na dianteira, como elementos dominantes, a grelha singleframe de maiores dimensões e os faróis LED (opcionalmente, sistema Matrix LED, que projeta feixes de luz no piso para uma condução noturna mais simples); na traseira, farolins com tecnologia OLED digital (em qualquer dos casos, há diversas assinaturas luminosas à disposição, o que reforça a identidade visual do Audi). Os indicadores de mudança de direção são projetados na estrada, ação que melhora a comunicação com os demais utilizadores da via, incluindo ciclistas e peões. E o SUV tem um pacote muito extenso de assistências à condução, incluindo controlo de velocidade adaptativo com programa de condução em congestionamentos, apoio à manutenção no centro da faixa de rodagem, travagem autónoma de emergência e monitorização dos ângulos mortos nos retrovisores exteriores, entre outros ADAS.

A Audi ainda não divulgou os preços em Portugal do novo Q7 SUV, modelo montado em Bratislava, na Eslováquia. Na mesma unidade, fabricam-se o Audi Q8, os Porsche Cayenne e Cayenne Coupé, o Skoda Superb e o Volkswagen Passat. O Q9, de que apenas existem imagens do interior, também será montado nesta unidade que produziu 336.905 carros no ano passado.























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