Protótipo a hidrogénio atinge 653,9 km/h!
- José Caetano

- há 10 horas
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O JCB Hydromax estabeleceu um novo recorde mundial de velocidade em terra para protótipo de um automóvel equipado com motor de combustão interna alimentado a hidrogénio. Conduzido pelo experientíssimo Andy Green 64 anos, ex-piloto da Força Aérea do Reino Unido (RAF) reconhecido como o homem mais rápido do mundo, no Lago Bonneville, planícies de sal de grande extensão situadas no noroeste do estado do Utah, nos EUA, a máquina atingiu uma média de 406,320 milhas por hora, o equivalente a 653,9 km/h, nas duas passagens que valeram o máximo. Este resultado supera até o do histórico JCB Dieselmax – em agosto de 2026, o modelo com mecânica a gasóleo atingiu 350,092 milhas por hora (563,4 km/h) – e torna o Hydromax no veículo a hidrogénio mais rápido de sempre. O registo aguarda só a ratificação oficial da Federação Internacional do Automóvel (FIA).
Para estabelecer o recorde, o Hydromax desenvolvido pelo fabricante britânico de máquinas de construção e equipamentos industriais que investiu neste tipo de recordes durante os primeiros anos da década de 2000, por iniciativa do fundador Anthony Bamford e apenas depois de começar a produzir motores próprios em vez de comprá-los a fornecedores realizou as duas passagens exigidas pelos regulamentos da FIA, em sentidos opostos e no espaço máximo de uma hora.
Na primeira passagem, o protótipo atingiu uma média de 400,623 milhas por hora (644,7 km/h). Na segunda, elevou a fasquia para 412,135 milhas por hora (663,3 km/h). A média das duas passagens resultou nas 406,320 milhas por hora (653,9 km/h) que constituem o novo recorde. Ao volante do JCB encontrava-se um homem que conhece melhor do que ninguém este tipo de desafio: Andy Green é o detentor do recorde mundial absoluto de velocidade em terra, com 763,035 milhas por hora (1227,985 km/h), o registo com que quebrou a barreira do som (Mach 1 ou o correspondente a 1225 km/h) a 15 de outubro de 1997, no Deserto de Black Rock, no Nevada, EUA, com o ThrustSSC propulsionado por dois motores Rolls-Royce 202 utilizados, originalmente, nos caças McDonell Douglas F-4 Phantom II da RAF – combinados, produziam nada menos do que 103.400 cv, mas o protótipo era propulsionado pela reação dos motores a jato e potência não era transmitida às rodas! O Hydromax tem “apenas” 1622 cv…

Bonneville: muitos recordes de velocidade
A enorme planície coberta por uma espessa crosta de sal no Utah próximo da fronteira com o Nevada mede cerca de 12 milhas (19 km) de comprimento por cinco (8 km) de largura e é quase perfeitamente. Trata-se do vestígio de lago pré-histórico gigantesco, o Bonneville, que cobria parte significativa do atual estado norte-americano há milhares de anos – à medida que as águas desapareceram, permaneceram enormes depósitos minerais que deram origem à superfície salgada.
A extensão, ausência de obstáculos e enorme planura transformaram Bonneville num dos lugares mais famosos do mundo para tentativas de recordes. Ao longo das décadas, automóveis, motociclos e todos os tipos de veículos experimentais utilizaram esta superfície natural como uma pista de velocidade.

A dimensão do resultado do Hydromax torna-se ainda mais evidente quando comparada com a anterior referência homologada pela FIA para um automóvel com motor de combustão interna alimentado a hidrogénio. O BMW H2R, em 2004, conseguiu 185,5 milhas por hora (298,5 km/h). O protótipo da JCB mais do que duplicou essa velocidade. E a nova marca também supera as 303 milhas por hora (487,6 km/h) alcançadas, anteriormente, por um veículo elétrico alimentado por pilha de combustível. O consórcio britânico liderado pela JCB reivindica, por isso, que o Hydromax é o veículo movido a hidrogénio mais rápido da história, independentemente da tecnologia utilizada para transformá-lo em energia. O novo recorde enquadra-se na categoria “FIA A, Grupo XIV – Classe 7, World Flying Record Start Land Speed Record”.

Dois motores JCB e mais de 1600 cv
O Hydromax com cerca de 9,75 m de comprimento utiliza dois motores de combustão interna alimentados a hidrogénio, ambos derivados de unidades de produção da própria JCB (fabrica-os em Foston, no Reino Unido). Em conjunto desenvolvem 1600 bhp, aproximadamente 1622 cv. E a empresa sublinha muito este facto: estas mecânicas são baseadas nas utilizadas nas máquinas de construção e já chegaram às linhas de produção!
Este projeto integra um programa de investimento de 100 milhões de libras esterlinas (cerca de 115 milhões de euros) da JCB não desenvolvimento da tecnologia de motores de combustão a hidrogénio. A empresa apresentou os primeiros protótipos em 2021 (retroescavadora e manipulador telescópico Loadall). Desde então, uma equipa de cerca de 150 engenheiros tem trabalhado num programa que já deu origem à produção de mais de 150 unidades.
O homem mais rápido do mundo
A escolha de Andy Green para conduzir o Hydromax não aconteceu por acaso. Aos 64 anos, o britânico é uma das figuras mais importantes na história dos recordes de velocidade em terra. O antigo piloto da RAF detém uma marca que permanece imbatível há quase três décadas: em 1997, com os 1227,985 km/h registos aos comandos do ThrustSSC, tornou-se o primeiro homem a quebrar, oficialmente, a barreira do som em terra, ultrapassando o Mach 1. Nunca ninguém conseguiu repetir este máximo supersónico, muito menos igualá-lo ou melhorá-lo!
Em agosto de 2006, Andy Green voltou aos recordes, desta vez com o JCB Dieselmax, protótipo que atingiu 350,092 milhas por hora (563,4 km/h). E esta marca também continua válida. Vinte anos depois, o britânico regressou ao mesmo local, com a mesma marca e uma tecnologia diferente. O Hydromax foi cerca de 56 milhas por hora (90 km/h) mais rápido do que o Dieselmax, elevando a média para 406,320 milhas por hora (653,9 km/h).
Anthony Bamford, da JCB, destacou a ligação entre os dois projetos. “Há 20 anos viemos a Bonneville com o JCB Dieselmax e mostrámos aquilo que a engenharia britânica conseguia fazer com a tecnologia. E fizemo-lo novamente, desta vez com motores alimentados a hidrogénio. E este recorde foi estabelecido com mecânicas baseadas em unidades de produção que equipam as nossas máquinas”.

Três recordes, três tecnologias. “Bonneville é a casa espiritual dos máximos mundiais de velocidade em terra e o JCB Hydromax também já tem o seu nome nessa história. O carro foi fantástico: estável, forte e rápido”, disse Green, que reconheceu o privilégio de poder participar nestes projetos. O novo recorde obrigou a muita preparação. Na semana que antecedeu a proeza, o protótipo já
tinha alcançado 368,347 milhas por hora (592,8 km/h) na Semana da Velocidade de Bonneville organizada pela Southern California Timing Association (SCTA).
Essa passagem estabeleceu um novo recorde SCTA na categoria Blown Gas Streamliner AA/BGS, destinada a veículos com motores de mais de 500 polegadas cúbicas (mais de 8,2 litros), e constituiu uma etapa importante do programa de preparação para a tentativa de recorde mundial.
FIA destaca potencial do hidrogénio
Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA, classificou este resultado como um “marco verdadeiramente histórico para o desporto automóvel”, considerando que demonstra como inovação, desempenho, velocidade e sustentabilidade podem evoluir de forma combinada. E também disse que os recordes de velocidade continuam a cumprir uma das funções históricas do desporto automóvel: explorar os limites da tecnologia. “Prova-se o potencial da combustão de hidrogénio para o futuro da mobilidade”, afirmou.
O Hydromax apresenta uma tecnologia que a JCB considera muito relevante para o futuro das máquinas pesadas. As necessidades de autonomia, rapidez de reabastecimento e utilização intensiva tornam mais complexa uma eletrificação 100% dependente de baterias. Ao contrário de um veículo equipado com pilha de combustível, no qual o hidrogénio é utilizado para gerar eletricidade destinada a alimentar motores elétricos, as unidades desenvolvidas pela companhia britânica queimam o hidrogénio diretamente nos cilindros, mantendo um princípio de funcionamento próximo do de um motor de combustão interna convencional.
A principal diferença encontra-se, precisamente, no combustível. A combustão de hidrogénio não produz emissões de CO2, embora possam existir outras emissões associadas à combustão e o impacto ambiental global dependa também da forma como o hidrogénio é produzido, armazenado e transportado. No Hydromax, a JCB montou duas mecânicas de 4 cilindros e 4,8 litros com 811 cv






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