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Renault 8 Gordini é elétrico de 270 cv

há 1 hora
3 min de leitura

A Renault, depois do 5, do 4 e do Twingo, todos elétricos, recupera mais um nome emblemático na sua história! O 8 Gordini Concept é um “coupé” de 2 lugares com motor elétrico de 270 cv e tração traseira. E este estudo encontrar-se-á exposto no Mondial de l’Auto, em Paris, França, de 12 a 18 outubro. O original, recorda-se, faz parte da história do automobilismo português: em 1967, venceu a primeira edição do Rali de Portugal.



O Renault 8 Gordini Concept, ao contrário dos outros elétricos referenciados, não antecipa qualquer automóvel de produção em série. A marca francesa apresenta-o como exercício de “design”, a exemplo do 5 Diamant criado em 2022 com Pierre Gonalons ou o R17 elétrico de 2024, desenvolvido em parceria com o designer Ora Ïto.


O estudo apresentado no Renault Carwalk, o nome do espaço nobre de exposição da marca do losango nos Campos Elísios, em Paris, após passagem pelo salão da capital francesa, integrará a coleção permanente do futuro museu Collections, em Flins, que tem abertura ao público prevista apenas para o final de 2027.



Uma história iniciada em 1964

O Renault 8 Gordini original era uma berlina desportiva de 4 portas, equipada com um motor de 4 cilindros e 1108 cc, mecância instalado na traseira, que tinha 95 cv. O modelo apresentado em 1964, dois anos depois da introdução do 8, destacava-se pelo desempenho dinâmica e pelas “performances”, combinação que o tornou numa escola de condução de pilotos, nomeadamente de Jean Ragnotti.


Conhecido em França pelo cognome de “La Gorde” – em Portugal, designaram-no de “a bomba azul”, numa referência à cor dominante da carroçaria –, este modelo contribuiu para a democratização do conceito de carro desportivo e antecipou em uma década o fenómeno GTI. Em 1966, surgiu o Gordini 1300, com motor de 1255 cc, caixa manual de 5 velocidades e velocidade máxima de 175 km/h.


A história do R8 está muito ligada a Amédée Gordini, preparador de origem italiana conhecido como “o feiticeiro” pela capacidade de transformar motores modestos em mecânicas de competição – a parceria com a Renault começou em 1957, com o Dauphine Gordini, que tinha 37 cv em vez de 32 cv.



Vitória no primeiro Rali de Portugal

O Renault 8 Gordini tem lugar destacado na história do automobilismo português. Em outubro de 1967, com a máquina de origem francesa, José Carpinteiro Albino e Silva Pereira ganharam a primeira edição do Rallye Internacional TAP, o antecessor do Rali de Portugal (o carro integrava a equipa oficial da marca do losango).


Então, a dupla portuguesa beneficiou dos problemas mecânicos e do acidente do piloto francês Jean-Pierre Nicolas, também num Gordini, para garantir uma vitória histórica numa competição com 2324 km de extensão e 53 equipas à partida, que teve lugar em San Sebastián, no País Basco, Espanha, e apenas oito à chegada, no Estoril, quatro dias depois!


Este Renault 8 Gordini manteve-se nas mãos de Carpinteiro Albino durante alguns anos e, após cerca de duas décadas em paradeiro desconhecido, recuperaram-no no início da década de 1990. Então, participaria em ralis de regularidade histórica, com Eduardo Carpinteiro Albino, o filho do primeiro vencedor do Rali de Portugal.



Motor traseiro… elétrico!

O novo automóvel mantém a arquitetura mecânica do original, mas a mecânica de combustão interna foi substituída por motor elétrico de 270 cv. E a transmissão da potência é feita às rodas traseiras. A marca não anunciou a capacidade da bateria, a autonomia ou as “performances”, mas disse que não tem planos para produzir o

“coupé” com 4,12 m de comprimento, 1,88 m de largura e 1,27 m de altura – neste ponto, 8 Gordini Concept muito diferente do original.


Visualmente, este estudo com jantes de 19’’ e 20’’ atrás aproxima-se do Renault 8, sobretudo na dianteira, que mantém os seis elementos circulares de iluminação – inclui os faróis adicionais montados nas versões de competição. Outros detalhes: as formas retangulares dos guarda-lamas, os retrovisores exteriores e as entradas de ar na traseira evocativas da arquitetura mecânica do carro de 1964.



A pintura azul é inspirada na cor histórica “Bleu de France” e as faixas brancas que percorrem a carroçaria (duas!) também foram reinterpretadas. A Renault eliminou elementos supérfluos e valorizou formas e materiais. E o “capot” pode ser retirado numa única peça, tal como acontece nalguns carros de competição. Este projeto nasceu de um concurso interno do departamento de design, que recebeu mais de 300 propostas.



Interior entre passado e futuro

No interior, a Renault também procurou recuperar a identidade do Gordini original, combinando-a com conteúdos e materiais modernos. O painel de bordo tem uma estrutura horizontal em alumínio escovado e mostradores digitais circulares. Para os bancos desportivos, recurso a revestimentos com bombazina azul ao centro. A fibra de carbono utilizada na construção na carroçaria não tem impacto visual.

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