Tavares: 12 milhões em 2025
- José Caetano

- há 2 horas
- 2 min de leitura
Carlos Tavares, 67 anos, renunciou ao comando da Stellantis a 1 de dezembro de 2024, mas o consórcio que fundou a 17 de janeiro de 2021, com a fusão do Grupo PSA e da FIAT Chrysler Automobiles, pagou-lhe, em 2025, 12 milhões de euros, ou mais do dobro do que recebeu, nos mesmos 12 meses, o seu substituto, o italiano Antonio Filosa, 52 anos. Os 253.654 funcionários da empresa ganharam 66.232 €, em média.

Carlos Tavares, independentemente da forma como deixou o fabricante com sede em Hoofdoorp, nos Países Baixos, recebeu, só durante o ano passado, e a título de saldo de conta, 11.928.066 € do quarto maior construtor mundial de automóveis – e o segundo europeu. Filosa, que assumiu a direção-geral do consórcio apenas a 18 de julho de 2025, ganhou 5.424.683 €. Este pagamento ao executivo português, que tinha um vencimento-base anual na ordem dos dois milhões de euros, inclui a indemnização pela saída da empresa, como estava estipulado no seu contrato de trabalho, mais 9,9 milhões em ações do consórcio, o que também estava incluído no acordo com a empresa, e 1896 € em benefícios sociais, na forma de seguro.
Filosa, em contrapartida, recebe “apenas” 1,4 milhões de euros/ano, mas também direito a um bónus de 1,9 milhões de euros, ações da Stellantis num montante de 1,5 milhões de euros e 374.194 € em benefícios (automóveis, seguros, compras de ações com descontos, etc.). E somaram-se, ainda, 192.366 € no plano pessoal de poupança para a reforma.
O italo-americano John Elkann, de 49 anos, assumiu, de forma interina, a direção-geral do fabricante, mas recusou qualquer tipo de remunerações pelo exercício da função durante sete meses. Ainda assim, em 2025, o herdeiro da família Agnelli, a “dinastia” fundada por Giovanni Agnelli, o homem por detrás da formação da FIAT, em 1899, ganhou cerca de 2,45 milhões de euros, montante que soma os 960.263 € de salários aos 1,1 milhões de euros em ações.
O ano passado, os diversos membros do conselho de administração da Stellantis, de acordo com as funções que desempenham (e do estatuto de que desfrutam…), receberam de 58.242 € a 291.018 € (por exemplo, o membro da família Peugeot na vice-presidência do órgão, Robert, francês de 75 anos, ganhou 225.202 €.

Português sempre na berlinda
Na Stellantis, entre 2021 e 2025, diminuição de 13% nos funcionários, de 292.432 para 253.654 (menos 38.778). No entanto, excluindo-se a administração, a massa salarial baixou só 1,7%, para 16,8 mil milhões de euros no ano passado, o número na origem da remuneração média de 66.232 €.
Os milhões pagos pela Stellantis a Carlos Tavares originaram sempre polémica em França. Desde a criação do consórcio, o português nunca teve remuneração anual com menos de oito dígitos, nem saiu da lista dos executivos mais bem pagos entre as 40 empresas no CAC 40 da Bolsa de Paris. O recorde registou-se em 2023, com 36,5 milhões de euros, 518 vezes mais do que o salário médio dos funcionários da companhia! Em 2025, Filosa ganhou “apenas” 82 vezes mais!… O ano passado, os prejuízos do consórcio foram colossais, atingindo os 22,3 mil milhões de euros.









Comentários