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Tesla prepara adeus do Cybertruck

há 17 minutos
2 min de leitura

A Tesla vai reduzir progressivamente a produção do Cybertruck na Gigafactory do Texas, EUA, a partir de meados do próximo ano, de acordo com o responsável máximo da marca, Elon Musk. O objetivo é libertar capacidade industrial para aumentar a produção do Cybercab, o táxi autónomo que assume um papel central na nova estratégia do fabricante.



Apresentado em 2019 e lançado comercialmente no final de 2023, o Cybertruck foi um dos projetos mais ambiciosos de Elon Musk, mas nunca conseguiu alcançar o sucesso comercial esperado, ao contrário dos Model 3 e Model Y. O desenho polarizador, os problemas de qualidade e os preços elevados acabaram por condicionar a aceitação da “pick-up” elétrica, cujo futuro está em dúvida.


O anúncio foi feito pelo próprio Elon Musk, através de publicação na rede social X, na qual escreveu que “a Tesla irá reduzir gradualmente a produção do Cybertruck na Gigafactory do Texas por volta de meados do próximo ano, para dar lugar a um aumento da produção do Cybercab”.



Apesar das grandes expectativas de Musk, as vendas do Cybertruck ficaram muito aquém dos números previstos. Em 2023, quando arrancaram as primeiras entregas a clientes, o responsável da Tesla apontava para um volume de cerca de 250.000 unidades/ano. Porém, os resultados nunca acompanharam esse otimismo: em 2024, foram comercializados 38.965 exemplares nos EUA, número que baixou para apenas 20.237 em 2025, uma quebra de 48%. A tendência negativa manteve-se nos primeiros nove meses do ano, com uma redução estimada de 28%.



Embora anunciado como uma espécie de “fortaleza sobre rodas”, capaz de resistir até a disparos de armas de fogo, de pequeno calibre, o Cybertruck apresentou diversos problemas de construção e qualidade, que obrigaram a sucessivas campanhas de recolha. Além disso, algumas das versões e opções previstas nunca chegaram a ser produzidas. As características da carroçaria, nomeadamente as superfícies rígidas e as arestas pronunciadas, também dificultaram a homologação do modelo na Europa.


Já o Cybercab representa uma das grandes apostas de Musk no desenvolvimento rápido da condução autónoma. Trata-se de um automóvel elétrico de dois lugares, sem volante nem pedais, concebido para operar sem intervenção humana. A Tesla pretende utilizá-lo como principal modelo de uma futura rede de táxis autónomos, embora a sua utilização sem condutor continue dependente da evolução tecnológica e das necessárias autorizações regulamentares.



A transferência de capacidade industrial do Cybertruck para o Cybercab enquadra-se na transformação estratégica que Musk pretende implementar na Tesla, atribuindo cada vez maior importância à inteligência artificial (IA), à condução autónoma e à robótica, em particular ao desenvolvimento dos robôs humanoides Optimus.


A Tesla ainda não confirmou o fim do Cybertruck

Embora a Tesla não tenha confirmado o fim do Cybertruck, uma das hipóteses apontadas pela imprensa norte-americana é a transferência da produção para outra fábrica. Todavia, essa possibilidade parece pouco provável, tendo em conta os investimentos necessários e os baixos volumes de vendas. Atualmente, apenas a Gigafactory do Texas está preparada para a produção do modelo.


A reforçar a possibilidade de descontinuação, Wes Morrill, um dos principais engenheiros responsáveis pelo desenvolvimento do Cybertruck, escreveu também na rede social X que “foi uma plataforma de desenvolvimento tecnológico incrível, que continuará a viver através do Cybercab”. Uma declaração que parece antecipar o fim de um dos projetos mais controversos da história da Tesla.

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