BMW reduz previsões de lucros para 2026
A BMW reviu novamente em baixa as previsões de rentabilidade para 2026, depois de ter registado uma redução de quase 11% (10,6%) nos resultados antes de impostos do terceiro trimestre, para 2083 milhões de euros. Esta atualização deve-se aos problemas com que o fabricante alemão está confrontado, nomeadamente a quebra acentuada das vendas na China. A empresa também decidiu acelerar a reestruturação da atividade e a introdução dos novos automóveis baseados na arquitetura Neue Klasse.

O consórcio de Munique, Alemanha, prevê agora que a margem operacional da divisão automóvel termine o exercício de 2026 entre -0,5% e 0,5%, uma redução significativa relativamente à estimativa anterior, situada entre 1% e 3%. A empresa reviu ainda as previsões comerciais, antecipando uma redução moderada das, quando anteriormente esperava só uma ligeira diminuição.
Trata-se da segunda revisão em baixa das previsões em menos de cinco meses, refletindo tanto as dificuldades comerciais como os encargos extraordinários associados à reorganização industrial e à substituição antecipada de modelos.
No terceiro trimestre, a margem operacional do negócio automóvel diminuiu de 5,2% para 3,4%, enquanto o resultado operacional desta divisão caiu 39,7%, para 901 milhões de euros. As receitas consolidadas do grupo recuaram 5,8%, para 30.452 milhões de euros.

O consórcio entregou 551.075 automóveis das marcas BMW, MINI e Rolls-Royce entre julho e setembro, menos 6,3% do que no período homólogo de 2025. Nos primeiros nove meses de 2026, as entregas totalizaram 1.707.802 unidades, número que representa uma redução de 4,9% no frente a frente com janeiro-setembro do ano passado.
Na China, no terceiro trimestre, as vendas diminuíram 24,8%, devido à concorrência dos fabricantes chineses, sobretudo no mercado dos elétricos, facto que continua a pressionar os preços e as margens. Em contrapartida, as matrículas progrediram 2,6% na Europa e 2,5% nos EUA, aumentos insuficientes para compensar as perdas registas no mercado chinês.

Reestruturação ganha velocidade
Milan Nedeljković, o alemão de origem sérvia que comanda o Grupo BMW desde maio, decidiu acelerar o programa de reorganização iniciado este ano, que contempla a eliminação de cerca de 8000 postos de trabalho na Alemanha e a redução das estruturas de gestão. O plano inclui uma diminuição de 20% dos cargos de direção superior, sobretudo na sede de Munique, e um programa de saídas voluntárias que, segundo a administração, registou uma adesão superior às expectativas.
A BMW pretende concluir a maior parte da reorganização até meados de 2027, antecipando medidas que pretendia implementar apenas numa fase posterior do programa. O objetivo é reduzir os custos fixos, simplificar a organização e recuperar os níveis de rentabilidade. Os encargos com a reestruturação e a reorganização da oferta terão um impacto estimado de 2,5% na margem operacional de 2026. Excluindo estes efeitos extraordinários, a BMW continua a prever uma margem superior a 2%.
Consórcio acelera Neue Klasse
Uma parte importante da reorganização está relacionada com a introdução dos automóveis da nova geração Neue Klasse, cuja tecnologia está a ser integrada de forma progressiva na gama BMW. O fabricante pretende acelerar a produção dos novos modelos, aproveitando a procura registada pelos primeiros carros (iX3 e i3), e antecipar o fim de comercialização de diversos elétricos equipados com a tecnologia de baterias de quinta geração (Gen5).
A Neue Klasse, recorda-se, utiliza uma nova arquitetura eletrónica e baterias de sexta geração (Gen6), que permitem melhorar a eficiência energética e reduzir os custos de produção. A BMW considera que estas vantagens são determinantes para recuperar as margens de rentabilidade nos próximos anos.

Apesar da quebra global das vendas, os automóveis 100% elétricos representaram 20% das entregas mundiais do consórcio no terceiro trimestre, com um crescimento de 7,2% relativamente ao mesmo período de 2025. Incluindo os híbridos Plug-In, os carros com motorizações eletrificadas representaram 27,4% do total. Na Europa, a dimensão da eletrificação é ainda maior: 34,7% dos carros vendidos pelo grupo eram 100% elétricos, percentagem que aumenta para 46,9% com a inclusão dos híbridos Plug-In.
A BMW mantém o objetivo de recuperar uma margem operacional entre 3% e 5% em 2028, antes de regressar à meta estrutural de 8% a 10% no início da próxima década.






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