Volkswagen trava novo Golf elétrico
A Volkswagen suspendeu o desenvolvimento do novo Golf elétrico em Wolfsburg, Alemanha, depois de a principal fábrica da marca ter ficado cerca de 300 milhões de euros aquém dos objetivos de redução de custos impostos pela empresa. Esta decisão foi comunicada aos trabalhadores por Thomas Schäfer, responsável pelas marcas de volume do consórcio, que reconheceu a incapacidade para suportar os custos associados ao projeto. Desconhece-se o futuro do T-Roc elétrico planeado em paralelo, mas admite-se que tenha o mesmo fim.

O Golf é o automóvel mais bem-sucedido da Volkswagen. A marca fabrica-o desde 1974 e soma mais de 37 milhões de unidades vendidas ao longo de oito gerações. A atual, lançada em 2019 e atualizada em 2024, mantém motorizações térmicas e eletrificadas. A primeira versão elétrica surgiu em 2014, na sétima geração, com o e-Golf, modelo produzido até 2020. Porém, o novo projeto seria muito diferente, já que beneficiaria de uma plataforma específica (SSP).
Concorrência dentro da própria gama
O posicionamento do Golf elétrico tornou-se mais complexo com a reorganização da gama da Volkswagen. O ID. Polo posiciona-se no segmento dos subcompactos, o B, mas o o ID.3 Neo compete no dos compactos, o C, precisamente o “território” tradicional do Golf.
Originalmente, o Golf elétrico teve lançamento apontado para 2028 e, nessa etapa embrionária do projeto, admitia-se que pudesse substituir o ID.3. Entretanto, deu-se uma mudança de estratégia, com a revisão profunda do compacto no mercado, que coincidiu com a adoção do nome ID.3 Neo. Então, o plano foi empurrado para o final da década, o que permitiria a utilização da plataforma SSP. Este adiamento obriga a questionar tanto a calendarização como o futuro compacto elétrico…
Em 2025, escreveu-se que a nona geração do Golf seria apenas elétrica, enquanto a oitava continuaria em produção com motores de combustão e sistemas híbridos enquanto existisse procura para as duas tecnologias. Já este ano, a marca afirmou que o ID.3 Neo manteria o estatuto de “modelo compacto elétrico da Volkswagen” e Schäfer, em maio, confrontado com os atrasos no programa de desenvolvimento da SPP, disse que não havia necessidade de propor mais um carro na categoria, já que a gama atual era mais do que suficiente.

Sobre o futuro T-Roc elétrico, que também seria produzido em Wolfsburg e sobre a SSP, zero informações. Não existem indicações sobre a suspensão do programa, admite-se que a decisão relativa ao Golf tenha impacto no plano para o novo SUV. A segunda geração do modelo, recorda-se, é produzida em exclusivo em Portugal, na Autoeuropa de Palmela, com motorizações térmicas e híbridas (recentemente, Golf e T-Roc estrearam os primeiros sistemas “full hybrid” da marca alemã).
Wolfsburg sob muito pressão
Esta decisão confirma que a pressão para baixar os custos já chegou à unidade ao lado da sede da Volkswagen. Wolfsburgo não está entre as unidades alemãs mais ameaçadas pelo plano de reestruturação do consórcio (quatro), mas um desvio de 300 milhões de euros foi suficiente para travar um dos programas mais simbólicos da marca. Schäfer também disse que as fábricas de Emden e Zwickau cumpriram os objetivos definidos.






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