Volkswagen usa China para cortar custos
O Grupo Volkswagen confirmou que pretende utilizar fora da China tecnologia e capacidade de desenvolvimento criadas naquele país, aproveitando estruturas que permitem desenvolver automóveis mais depressa e com custos muitíssimo inferiores aos dos processos tradicionais do grupo. A plataforma Compact Main Platform (CMP) e a China Electronic Architecture (CEA) deverão servir de base a uma nova geração de carros destinada inicialmente à América do Sul.

Este processo de expansão deverá iniciar-se antes do final da década e abranger, posteriormente, outras regiões do mundo, incluindo África e mercados asiáticos. Europa e América do Norte, nesta fase, não entram nos fora dos planos, embora os responsáveis do consórcio assegurem que as novas soluções, tecnicamente, podem ser utilizadas em todos os mercados.
Mais do que exportar tecnologia chinesa, a estratégia permite à Volkswagen tirar partido de todos os recursos de engenharia, “software”, fornecedores que possui na China para reduzir os custos e acelerar os processos de lançamento de novos automóveis. O centro tecnológico instalado em Hefei (Volkswagen Group China Technology Company) é já uma das principais estruturas de desenvolvimento do consórcio. Assim, pela primeira vez na história da companhia, novas plataformas e tecnologias podem ser totalmente desenvolvidas, testadas e validadas fora da Alemanha.

Plataforma desenvolvida com a XPENG
A China Electronic Architecture (CEA) foi desenvolvida na China em colaboração com a XPENG e utiliza uma arquitetura eletrónica zonal assente num número reduzido de computadores centrais. A solução suporta atualizações remotas e pode aplicar-se a diferentes arquiteturas técnicas e sistemas de propulsão, incluindo automóveis com motorizações elétricas, híbridas e de combustão.
Segundo a Volkswagen, os novos processos associados à CEA permitem reduzir os tempos dos ciclos de desenvolvimento em até 30%. Em determinados projetos, a localização do desenvolvimento e a integração mais precoce dos fornecedores permitem ainda baixar os custos associados à conceção de um novo modelo em até 50%.
Já a Compact Main Platform (CMP) foi pensada na China para carros concorrentes em segmentos mais acessíveis. A integração da CMP com a CEA permitiu diminuir os custos em cerca de 40% relativamente às soluções utilizadas anteriores, o que aproxima a Volkswagen da estrutura de custos dos fabricantes chineses.
Protótipos antecipam nova estratégia
A primeira demonstração concreta destas capacidades registou-se em 2025, no salão de Shanghai, com a apresentação de três protótipos (ID. AURA, ID. ERA e ID. EVO), estudos desenvolvidos com as três principais operações locais da marca e destinados a antecipar uma nova geração de carros concebidos especificamente para o mercado chinês.
O mais relevante para esta nova estratégia é o ID. AURA, desenvolvido pela FAW-Volkswagen e a primeira primeiro proposta baseada na CMP. Já o ID. EVO, criado pela Volkswagen Anhui, utiliza uma arquitetura elétrica de 800 V e uma estrutura eletrónica preparada para novos serviços digitais e atualizações remotas.
Por fim, o ID. ERA, protótipo desenvolvido pela SAIC Volkswagen, mostra que esta capacidade chinesa não é destinada apenas aos elétricos, por recorrer a sistema de extensão de autonomia. Os três protótipos, originalmente, foram apresentados como resultados da estratégia “In China, for China”, mas o consórcio pensa agora aproveitar parte destas tecnologias no resto do mundo.

Opção inscrita no Future Plan 2030
A nova estratégia enquadra-se no Future Plan 2030, o programa de reestruturação aprovado em setembro pelo Conselho de Supervisão do Grupo Volkswagen e que pretende tornar o construtor muito mais eficiente. O programa prevê, entre outras medidas, reduzir até 50% o número de automóveis do grupo até 2035, diminuir em cerca de 75% a complexidade das diferentes configurações e eliminar estruturas e desenvolvimentos paralelos entre marcas e regiões.
A Volkswagen pretende também aproveitar melhor tecnologias desenvolvidas em diferentes regiões do mundo, de forma a evitar duplicações e aumentar sinergias entre plataformas, “software”, arquiteturas eletrónicas e sistemas de assistência eletrónica à condução. Assim, a China deixa de funcionar apenas como mercado e centro de produção local para ganhar protagonismo como polo de engenharia e desenvolvimento.
O consórcio está ainda a desenvolver na China uma nova geração tecnológica que deverá incluir arquiteturas elétricos de 850 V e funções digitais de ponta, de forma a preparar-se para a condução autónoma de nível 3 a partir de 2027.






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