Volkswagen: pior trimestre desde 2015
O Grupo Volkswagen, o maior fabricante europeu de automóveis, apresentou um prejuízo operacional de 5,86 mil milhões de euros no terceiro trimestre do ano, contra as perdas de 1,3 mil milhões registados no período homólogo de 2025. É o pior resultado trimestral apresentado pelo consórcio alemão desde o final de 2015, quando o escândalo Dieselgate comprometeu a empresa com encargos extraordinários de grande dimensão.

As receitas recuaram 6,3%, para 75,3 mil milhões de euros, enquanto as entregas de automóveis novos diminuíram 14,3%, para 1,885 milhões de unidades. Entre janeiro e setembro, o grupo vendeu 5,88 milhões de carros, menos 10,6% do que no mesmo período do ano passado, e faturou 233,4 mil milhões de euros, o que representou uma quebra de 2,2%.
No entanto, parte muito significativa dos prejuízos tem origem contabilística. A Volkswagen reconheceu 7,8 mil milhões de euros de encargos extraordinários só no terceiro trimestre de 2026 e 8,7 mil milhões desde o início do ano. O maior deve-se a uma imparidade de 6,4 mil milhões de euros associada à Porsche, à qual se juntam cerca de 1000 milhões de euros relacionados com ativos das operações chinesas e custos associados à prevista venda da fábrica de Osnabrück, na Alemanha.

China penaliza (mais) os resultados
Todavia, mesmo excluindo estes fatores, a administração reconhece que o desempenho ficou muito aquém do ambicionado. Nos primeiros nove meses de 2026, o resultado operacional antes de itens extraordinários foi de 8,8 mil milhões de euros, equivalente a uma margem de apenas 3,8%. O objetivo definido pelo grupo para 2030 situa-se entre 8% e 10%.
A situação na China está a pressionar negativamente o Grupo Volkswagen. As empresas participadas do grupo alemão naquele país passaram de um contributo positivo de 744 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2025 para um prejuízo de 113 milhões no mesmo período deste ano, consequência direta da perda de terreno para os fabricantes locais e a “guerra de preços”.
A Volkswagen identifica mais fatores negativos, nomeadamente as tarifas impostas nos EUA, o aumento da concorrência na Europa e o peso crescente dos automóveis elétricos nas vendas, que já representam 40% da carteira de encomendas europeia e proporcionam margens inferiores às dos automóveis com motores de combustão interna.

Ritmo da reestruturação tem de aumentar
Como resposta a estes números preocupantes, o Grupo Volkswagen prepara-se para acelerar o ritmo de implementação do programa de reestruturação anunciados recentemente, que inclui a redução da complexidade das gamas das diversas marcas do consórcio e dos custos dos automóveis e das estruturas administrativas, um aumento da eficiência das fábricas e um desenvolvimento tecnológico mais rápido. No conjunto, o impacto das medidas previstas ascende a cerca de 31 mil milhões de euros.
A dimensão do ajustamento inclui uma forte redução do emprego e a revisão da capacidade industrial instalada na Alemanha. O Grupo Volkswagen já tinha revisto drasticamente as previsões para 2026, passando de uma margem operacional de 4% a 5,5% para um máximo de apenas 1%.






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