Audi Q9 SUV direto ao topo da gama
- José Caetano
- há 38 minutos
- 4 min de leitura
A Audi, com este Q9, prepara a entrada num novo patamar dentro da gama de Sport Utility Vehicles (SUV). Este modelo é o maior automóvel com este formato produzido de série na história da marca do Grupo Volkswagen. Medindo 5,31 m de comprimento, supera o Q7 (5,07 m) com que partilha a plataforma MLB Evo, uma arquitetura para carros com motores longitudinais que encontramos noutros SUV do maior fabricante europeu, como o Audi Q8, o Bentley Bentayga, o Porsche Cayenne III e o Volkswagen Touareg.
Inicialmente, o Q9 SUV será proposto na Europa com uma mecânica Diesel (V6 3.0 TDI), com 299 cv, associada a um sistema híbrido de 48 V (MHEV plus) que integra uma bateria de fosfato de ferro-lítio para alimentação de um motor elétrico com 24 cv capaz de movimentar o automóvel a baixa velocidade, nomeadamente em situações como manobras de estacionamento. Nesta versão, caixa automática Tiptronic de 8 velocidades e tração integral quattro. A marca de Ingolstadt, Alemanha, anuncia 0-100 km/h em 6,5 s, velocidade máxima de 240 km/h e consumo médio (WLTP) de 7,4 l/100 km.
Tecnicamente, no Q9 SUV, destaque para a suspensão pneumática adaptativa com amortecimento variável, sistema que permite aumentar ou diminuir a altura da carroçaria ao solo num intervalo de até 9 cm e em função da velocidade, carga e tipo de condução. Soma-se o sistema de direção às quatro rodas, com as traseiras a virarem até 5º, ação que otimiza a agilidade em meio urbano e a estabilidade a velocidades mais elevadas. O sistema de travagem recorre a discos de grandes dimensões (400 mm à frente e 350 mm atrás) e pinças fixas de seis pistões.

A componente tecnológica estende-se até à iluminação, com faróis Matrix LED digitais e farolins OLED, ambos capazes de apresentarem diferentes assinaturas visuais e diversos alertas para os demais utilizadores da via, incluindo projeções de informações no piso, o que aumenta a segurança. Na gama do Q9 SUV, jantes de 20’’ a 23’’.
No interior do Q9 SUV, a Audi privilegia, sobretudo, o espaço e a versatilidade, com sete lugares em três filas de bancos propostos de série. Opcionalmente, admite-se a possibilidade de configuração do habitáculo para seis ocupantes, extra que beneficia o conforto da segunda fila, devido à adoção de dois bancos individuais ajustáveis eletricamente e ventilados. Nos bancos da terceira fila, rebatimento elétrico dos encostos, recurso que facilita a gestão da capacidade do compartimento de carga (700 a 2308 litros).

No painel de bordo, até três monitores para instrumentação (11,9’’), sistema multimédia (14,5’’) e passageiro dianteiro (12,3’’. O programa de infoentretenimento baseia-se no Android Automotive e inclui assistente de voz com ChatGPT integrado. A conectividade é assegurada por carregadores sem fios compatíveis com Qi 2.2 e portas USB-C de até 100 W, enquanto a iluminação ambiente interativa percorre o “tablier”, combinando funções decorativas e informativas. O tejadilho panorâmico, também de grandes dimensões, dispõe de função de regulação da opacidade/transparência por segmentos e filtra quase toda a radiação ultravioleta, o que preserva a temperatura no interior sem necessidade de recurso a cortinas físicas.
Entre os muitos equipamentos disponíveis para o novo Audi, sistema de som Bang & Olufsen com 22 altifalantes e tecnologia háptica nos bancos dianteiros, bem como soluções práticas no porta-bagagens, como calhas para fixação de objetos e barras de tejadilho. Ao nível da segurança, o Q9 SUV integra um conjunto muito abrangente de assistentes à condução, incluindo travagem automática de emergência, alerta de tráfego cruzado traseiro, visão de 360º e monitorização dos ângulos mortos dos retrovisores exteriores. Em mercados selecionados, automóvel equipado com a tecnologia de condução assistida que permite circular sem mãos no volante e em autoestrada, em troços homologados, à velocidade máxima de 130 km/h.
O Q9 SUV ainda não aparece no configurador da Audi em Portugal, mas o modelo já está disponível para encomenda na Alemanha, com preços a partir de 108.400 €. O início das entregas a clientes encontra-se planeado para o quatro trimestre do ano.

Mecânicas específicas para a América do Norte
A Audi, para o Q9 SUV, preparou estratégia diferenciada de motorizações por mercados. Na América do Norte, este automóvel será proposto só com mecânicas a gasolina, o que não acontece na Europa, devido às exigências regulamentares mais restritivas em matéria de emissões poluentes.
Nos EUA, mercado determinante para a Audi, V6 2.9 TFSI na base da gama. Esta unidade biturbo debita 429 cv e 600 Nm, está associado a uma caixa automática Tiptronic de 8 velocidades e também conta com tração integral quattro (0-100 km/h em 5,2 s e velocidade máxima de 210 km/h). Na versão de topo SQ9, V8 4.0 TFSI com 591 cv e 800 Nm (0-100 km/h em 4 s, velocidade máxima de 250 km/h).
No mercado norte-americano, recorda-se, a procura por motores com capacidades elevadas e potentes mantém-se determinante, o que contrasta com a realidade europeia, onde o futuro do Q9 SUV passará, obrigatoriamente, por mecânicas eletrificadas.

Marca sob pressão num segmento muito competitivo
No primeiro semestre do ano, a Audi comunicou receitas de 29,2 mil milhões de euros, resultados operacionais de 1,1 mil milhões e uma margem próxima dos 3,8%. A marca entregou 727.000 unidades, resultado que representou uma quebra de 7% na comparação direta com o período homólogo do ano passado. Estes números refletem o abrandamento em dois mercados-chave: China e EUA.
Entre janeiro e junho, a BMW apresentou receitas na ordem dos 74 mil milhões de euros, entregou mais de 1,2 milhões de automóveis e registou uma margem operacional significativamente superior (8% a 10%). Já a Mercedes-Benz registou cerca de 73 mil milhões de euros em receitas e vendeu 1 milhão de unidades, garantindo uma margem operacional na ordem dos 10%.

Esta discrepância evidencia uma pressão clara sobre a rentabilidade da Audi, que tem investido fortemente na digitalização e na eletrificação, e está ainda mais exposta do que as rivais alemãs ao aumento da concorrência na China e aos problemas registados noutros mercados determinantes, nomeadamente às tarifas impostas pelos EUA.
É neste contexto que o Q9 ganha relevância: inserido no segmento de SUV de luxo, onde o preço médio por unidade e as margens de lucro são maiores, este automóvel apresenta-se como uma peça-chave para aumentar os níveis de rentabilidade da marca, sobretudo na América do Norte, onde estes produtos concentra uma parte significativa da procura.

















.png)