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BMW paga até 650.000 € para reduzir 8000 postos de trabalho

há 5 minutos
3 min de leitura

A BMW encerrou antecipadamente as inscrições no programa de saídas voluntárias criado para reduzir 8000 postos de trabalho em todo o mundo até ao final de 2027 e garantir uma poupança de cerca de 1000 milhões de euros por ano a partir de 2028, devido à adesão massiva dos funcionários a plano que pressupõe, sobretudo, saídas voluntárias nas áreas administrativas, de desenvolvimento e outros funções não relacionadas com a produção, pelo menos de forma direta. Mais de metade da redução deverá registar-se na Alemanha.



O fabricante de Munique, para acelerar o processo, apresentou propostas individuais de indemnização a dezenas de milhares de trabalhadores, algumas das quais ultrapassam os 650.000 €. Os valores dependem de fatores como remuneração, idade e antiguidade na empresa, existindo ainda benefícios adicionais para quem aceite sair da empresa ainda mais cedo.


O programa arrancou no dia 8 e a procura foi elevada quase de imediato. O portal interno onde os trabalhadores podiam consultar as propostas chegou mesmo a ficar bloqueado e temporariamente indisponível devido ao número de acessos e, menos de duas semanas depois, a BMW encerrou as inscrições, por entender que o objetivo definido estava já atingido.


A empresa não comunicou o número de trabalhadores que manifestaram interesse no programa, mas fontes do fabricante apontam para cerca de 5000 candidatos. No entanto, a adesão ao plano não significa a saída automática de todos, pois este programa funciona de acordo com o princípio da dupla voluntariedade: isto é, tanto o trabalhador como a BMW têm de aceitar a cessação do contrato. Anunciam-se “respostas” para meados de novembro.



“Turbo Bonus” para sair mais cedo

Os trabalhadores selecionados pelo programa têm duas propostas de datas para abandonar a BMW. Deixando-se a empresa até 31 de março de 2027, garante-se o direito a um suplemento adicional à indemnização, denominado internamente “Turbo Bonus”. Permanecendo-se até 31 de outubro do mesmo ano, o incentivo desaparece.


A BMW também não comunicou o valor do bónus adicional. As condições variam individualmente e permitem também diferentes formas de receber a indemnização, incluindo pagamento único, prestações ou integração parcial em produtos relacionados com a reforma e seguros.


Os trabalhadores que completem 55 anos até ao final de outubro de 2027 poderão ainda, em determinadas condições, beneficiar do programa destinado aos reformados da BMW, mantendo vantagens como condições especiais na compra de automóveis novos e usados da marca. Para alguns quadros, os acordos podem ainda incluir a possibilidade de aquisição dos automóveis de serviço que utilizam.



Produção fica de fora

O programa dirige-se apenas às denominadas funções indiretas, incluindo administração, desenvolvimento e estruturas de gestão. Os trabalhadores das linhas de produção não estão abrangidos por este plano. A BMW pretende reduzir em cerca de 20% o número de áreas e funções de gestão de nível superior até meados de 2027, numa reorganização destinada a simplificar a estrutura da empresa e acelerar os processos de decisão.


Para o financiamento destas saídas, a empresa reservou cerca de 1000 milhões de euros. A expectativa é recuperar esse investimento através da redução dos custos estruturais, com a BMW a apontar para poupanças anuais próximas de 1000 milhões de euros a partir de 2028.


O plano foi acordado durante o verão entre a administração e os representantes dos trabalhadores, devido à pressão crescente sobre a rentabilidade da empresa, particularmente devido às dificuldades registadas no mercado chinês, o maior do mundo.

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