Renault 4 E-Tech Electric Plein Sud
A Renault lança uma variante descapotável do Sport Utility Vehicle (SUV) elétrico com que compete no segmento B, o 4 E-Tech Electric, denominada Plein Sud. Uma espécie de piscar de olhos ao passado que faz sentido nos dias de hoje, sobretudo por não existirem propostas com estas características. Primeira experiência ao volante do novo subcompacto com 150 cv.

Basta uma pergunta à inteligência artificial (IA) para recordar a versão com teto de lona do R4 original, lançada em 1964. Dirigida a um público jovem, oferecia, então, a possibilidade de conduzir “de cabelos ao vento” a baixo custo. Partindo de uma versão convencional, a Renault eliminou o tejadilho metálico e substituiu-o por uma capota de lona, que podia ser aberta manualmente, enrolando o tecido para trás, permitindo desfrutar do clima do sul da Europa. Em dias de chuva, a estanquidade era suficiente para proteger o habitáculo, ficando o restante a cargo do espírito descontraído da época. Hoje, seria difícil comercializar um automóvel com tal nível de simplicidade, mas o conceito mantém-se atual, sobretudo com a integração de um sistema elétrico de abertura e fecho da capota, fornecido pela Webasto, mais resistente ao ruído, à chuva e ao frio.
O teto de lona apresenta quase um metro quadrado de área, sendo o maior do segmento, com 92 cm de comprimento por 80 cm de largura. O mecanismo realiza apenas três dobras (em vez das quatro habituais) e permite abertura ou fecho em 10 segundos, podendo ser acionado por botão ou por comandos de voz, até aos 90 km/h.
A estrutura do sistema é em polímero, em vez de metal, o que contribui para limitar o aumento de peso a apenas 19 kg, fixando o total do modelo nos 1540 kg. A Renault assegura que não houve impacto relevante na aerodinâmica, na insonorização ou na segurança passiva, aspetos verificados neste primeiro contacto dinâmico na região de Barcelona, Espanha.
Quase tudo igual
A introdução do teto de lona não afetou a capacidade da bagageira, que se mantém nos 420 litros, incluindo os 44 sob o piso, para arrumação dos cabos de alimentação da bateria. A boca de carga mantém-se a apenas 61 cm do solo, cerca de 10 cm abaixo da média do segmento, e a capacidade de reboque também permanece inalterada: 750 kg. As dimensões exteriores são iguais, com 4,14 m de comprimento e 2,62 m entre eixos.
Visualmente, a carroçaria também não apresenta novidades, mantendo, por exemplo, a grelha iluminada e as jantes de 18’’. Já as barras de tejadilho foram removidas, por incompatibilidade com o mecanismo da capota, e a antena passou a um filamento integrado no óculo traseiro. Apesar de o peso adicional não comprometer as prestações, o coeficiente aerodinâmico aumenta ligeiramente de 0,762 para 0,778. A autonomia WLTP sofre uma redução marginal de 7 km (menos 1,8%), fixando-se nos 392 km.

Diferença importante no interior
No habitáculo, a presença do teto de lona reduz a altura disponível nos lugares traseiros de 853 mm para 813 mm, uma diferença percetível. Na frente, pelo contrário, a altura aumenta de 886 mm para 906 mm, devido ao desenho do mecanismo. A capota pode ser aberta em diferentes posições (parcial ou totalmente), mantendo estabilidade até à velocidade máxima, graças à integração de um defletor dianteiro que reduz as turbulências.
Além do comando do teto junto ao retrovisor interior, o habitáculo mantém-se inalterado face ao R4 E-Tech Elétrico que já conhecíamos. O painel de instrumentos continua simples (e legível), complementado por um ecrã central tátil intuitivo. A posição de condução é confortável e não excessivamente elevada para o segmento.

O espaço traseiro é competente em comprimento e aceitável em largura. Existem diversos espaços de arrumação (totalizam 23,3 litros). O banco do passageiro dianteiro é rebatível, permitindo um comprimento útil de carga de até 2,20 metros com os encostos dos bancos traseiros rebatidos, uma solução prática para o transporte de objetos longos.
A redução da rigidez torsional é uma preocupação habitual em descapotáveis, mas a presença da bateria mitiga-a, por contribuir estruturalmente para a rigidez global. Ainda assim, foram adicionados reforços na zona do tejadilho. O aumento do ruído aerodinâmico é limitado, com a Renault a indicar um acréscimo de 4% a 130 km/h e com o teto fechado, valor confirmado durante a experiência de condução. Um defletor de rede, que se eleva automaticamente, ajuda a reduzir as turbulências no habitáculo e a melhorar o conforto acústico.
Plataforma muda de nome
A plataforma do R4 passa a designar-se RGEV Small (anteriormente AmpR Small), após a reorganização interna da Renault. A suspensão mantém arquitetura MacPherson à frente e multibraço atrás, combinação que privilegia o conforto e o espaço interior. O programa Extended Grip continua disponível, ajustando o controlo de tração para superfícies de baixa aderência, com modos específicos para neve e todo-o-terreno no sistema Multi-Sense. A regeneração de energia nas desacelerações e travagens tem vários níveis e inclui uma função One Pedal – a gestão da intensidade de atuação é controlada em patilhas no volante.
O Renault 4 E-Tech Elétrico Plein Sud está disponível com um motor de 110 kW (150 cv) e uma bateria com 52 kWh de capacidade (Autonomia Comforto), combinação que permite uma autonomia WLTP de até 392 km. A aceleração dos 0 aos 100 km/h cumpre-se em 8,2 segundos e a velocidade máxima está limitada a 150 km/h. O sistema elétrico inclui um carregador de 11 kW em corrente alternada e 100 kW em corrente contínua, permitindo carregamentos de 10% a 100% em 4h30, no primeiro caso, ou de 15% a 80% em cerca de 30 minutos, no segundo.

Experiência ao volante
Este primeiro contacto não teve como foco o planeador de rota elétrica, que otimiza trajetos e paragens para carregamento, nem os sistemas Google Automotive melhorados e integrados no OpenR Link e as assistências eletrónicas à condução, que são todas as esperadas num automóvel que já conhecíamos. Com o teto fechado, o conforto mantém-se elevado, apesar de um ligeiro aumento do ruído exterior. A condução é suave, com direção leve nos modos Eco e Normal e uma resposta do motor progressiva e fácil de dosear. A visibilidade é boa e a ergonomia geral convincente.
A abertura da capota é rápida e silenciosa. Até cerca de 120 km/h, as turbulências no habitáculo são reduzidas; acima dessa velocidade tornam-se mais evidentes. Em autoestrada, a condução com teto aberto continua agradável, a ritmos moderados.

Em percursos sinuosos, mantém-se competente, embora sem vocação desportiva. A menor tração sentida deveu-se à presença de pneus de inverno, menos adequados ao piso seco em que conduzimos. Ainda assim, o comportamento global permanece equilibrado.
O R4 E-Tech Plein Sud privilegia uma condução descontraída e de lazer. O teto de lona reforça essa vertente sem comprometer a versatilidade, constituindo um argumento adicional de venda. O sistema produzido pela Webasto foi concebido para oferecer elevada resistência e segurança. O preço situa-se cerca de 1800 € acima da versão equivalente com tejadilho rígido, valor que se revela ajustado face à solução proposta, tornando esta versão uma das mais apelativas da gama.








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