Stellantis: baterias LFP baixam preços dos elétricos
A Stellantis prepara-se para substituir as baterias de níquel-manganês-cobalto (NMC) por acumuladores fosfato de ferro-lítio (LFP) em muitos dos automóveis elétricos que comercializa na Europa. A mudança com início confirmado para o próximo ano tem como objetivo a redução nos custos de produção e nos preços dos automóveis elétricos. Entre os beneficiários da nova estratégia, o FIAT 500e.

A mudança da química NMC para a LFP foi confirmada pelo próprio administrador-delegado do consórcio franco-italo-americano na apresentação dos resultados do terceiro trimestre do ano. Antonio Filosa não identificou os carros abrangidos pela decisão, mas disse que são “muitos”.
Segundo a Agência Internacional de Energia, a célula LFP custa cerca de menos 40% do que uma célula NMC, o pode representar a poupança de muitos milhares de euros numa bateria com cerca de 65 kWh de capacidade. Estes acumuladores também dispensam o recurso a matérias-primas como o cobalto, embora tenham densidade energética inferior, o que pode obrigar à adoção de baterias maiores – e mais pesadas –, se o objetivo for propor autonomias idênticas.

Atualmente, a generalidade dos automóveis elétricos da Stellantis tem baterias do tipo NMC, à exceção dos carros baseados na arquitetura Smart Car, entre os quais Citroën ë-C3, Opel Frontera e FIAT Grande Panda. E o primeiro modelo a beneficiar da mudança será o FIAT 500e. A marca italiana, para 2027, planeia a introdução de versão equipada com uma bateria LFP, com o objetivo de baixar o preço de acesso à gama para cerca de 20.000 € nalguns mercados europeus.
Atualmente, no configurador da marca, o 500e mais barato é proposto por 27.850 €. Trata-se da versão “hatchback” com bateria de 42 kWh de capacidade e motor de 118 cv. Este montante, no entanto, pressupõe o recurso a financiamento. Se o cliente pretender comprá-lo a pronto pagamento, o carro custa 29.353 €.
Estreia da plataforma STLA One
A mudança de bateria coincide com a estreia da plataforma STLA One. O primeiro automóvel baseado nesta arquitetura técnica é o novo Peugeot 208, antecipando-se, por isso, que o concorrente no segmento B, que só contará com motorizações elétricas, surja equipado com baterias LFP.
E a STLA One, arquitetura para modelos dos segmentos B, C e D, proporciona uma diminuição de cerca de 20% nos custos, devido tanto à redução da complexidade técnica como à adoção de mais componentes reutilizados.
No terceiro trimestre do ano, a Stellantis, registou um prejuízo operacional de 311 milhões de euros na Europa.

Produção europeia com a CATL
Parte importante das novas baterias será produzida em Espanha. Stellantis e CATL estão a construir uma gigafábrica na região de Saragoça, através de uma empresa detida conjuntamente pelos fabricantes franco-italo-americano e chinês. O custo da empreitada é a 4,1 mil milhões de euros e a capacidade instalada prevista para esta unidade ascende a 50 GWh por ano. A produção deverá arrancar entre o final do ano e o princípio de 2027, coincidindo com o aumento da utilização das LFP.
Recentemente, o Grupo Renault também introduziu a química no Mégane E-Tech e anunciou a disponibilidade da tecnologia nas versões de acesso às gamas 4 e 5. E Mercedes-Benz ou Volvo também têm baterias LFP nas versões mais acessíveis de alguns dos seus automóveis elétricos.
Na Europa, a tecnologia representava só 5% das baterias utilizadas em elétricos no final de 2024, mas essa quota aumentou para 13% em 2025. Na China, onde a química se encontra muito mais disseminada, a percentagem já atingiu os 81%.






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